domingo, 18 de agosto de 2013

A ARROGÂNCIA DO IMPÉRIO




O título que Leonardo Boff[1] deu ao seu post, em 18 de Agosto de 2013, foi “A extrema arrogância do Império: a espionagem universal”; eu limito-me a transcrevê-lo:


“O sequestro do Presidente da Bolívia Evo Morales, impedindo que seu avião sobrevoasse o espaço europeu e a revelação da espionagem universal por parte dos órgãos de informação e controle do governo norteamericano (NSA) nos levam a refletir sobre um tema cultural de graves consequências: a arrogância. Os fatos referidos mostram a que nível chegou a arrogância dos europeus forçadamente alinhados aos EUA. Somente foi superada pela arrogância pessoal de Hitler e do nazismo. A arrogância é um tema central da reflexão grega de onde viemos. Modernamente foi estudada com profundidade por um pensador italiano com formação em economia, sociologia e psicologia analítica, Luigi Zoja, cujo livro foi lançado no Brasil: “História da Arrogância” (Axis Mundi, São Paulo, 2000).
Neste livro denso, se faz a história da arrogância, nas culturas mundiais, especialmente na cultura ocidental. Os pensadores gregos (filósofos e dramaturgos) notaram que a racionalidade que se libertava do mito vinha habitada por um demónio que a levaria a conhecer e a desejar ilimitadamente, num processo sem fim. Essa energia tende a romper todos os limites e terminar na arrogância, no excesso e na desmedida, o verdadeiro pecado que os deuses castigavam impiedosamente. Foi chamada de hybris: o excesso em qualquer campo da vida humana e de Nemesis o princípio divino que pune a arrogância.
O imperativo da Grécia antiga era méden ágan: “nada de excesso”. Tucídides fará Péricles, o genial político de Atenas, dizer: “amamos o belo mas com frugalidade; usamos a riqueza para empreendimentos ativos, sem ostentações inúteis; para ninguém a pobreza é vergonhosa, mas é vergonhoso não fazer o possível para superá-la”. Em tudo buscavam a justa medida e autocontenção.
A ética oriental, budista e hindu, pregava a imposição de limites ao desejo. O Tao Te King já sentenciava: “não há desgraça maior do que não saber se contentar” (cap.46); “teria sido melhor ter parado antes que o copo transbordasse” (cap.9).
A hybris-excesso-arrogância é o vício maior do poder, seja pessoal, seja de um grupo, de uma ideologia ou de um Império. Hoje essa arrogância ganha corpo no Império nortemericano que a todos submete e no ideal do crescimento ilimitado que subjaz à nossa cultura e à economia política.
Esse excesso-arrogância chegou nos dias atuais a uma culminância em duas frentes: na vigilância ilimitada que consiste na capacidade de um poder imperial controlar, por sofisticada tecnologia cibernética, todas pessoas, violar os direitos de soberania de um país e o direito inalienável à privacidade pessoal. É um sinal de fraqueza e de medo, pois o Império não consegue mais convencer com argumentos e atrair por seus ideais.[2] Então precisa usar a violência direta, a mentira, o desrespeito aos direitos e aos estatutos consagrados internacionalmente. Ou então as desculpas pífias e nada convincentes do Secretário de Estado norteamericano quando visitou, há dias, o Brasil. Segundo os grandes historiadores das culturas, Toynbee e Burckhard, estes são os sinais inequívocos da decadência irrefreável dos Impérios.2 Nada do que se funda sobre a injustiça, a mentira e a violação de direitos se sustenta. Chega o dia de sua verdade e de sua ruína. Mas ao afundarem causam estragos inimagináveis.
A segunda frente da hybris-excesso reside no sonho do crescimento ilimitado pela exploração desapiedada dos bens e serviços naturais. O Ocidente criou e exportou para todo mundo este tipo de crescimento, medido pela quantidade de bens materiais (PIB). Ele rompe com a lógica da natureza que sempre se auto regula mantendo a interdependência de todos com todos e a preservação da teia da vida. Assim uma árvore não cresce ilimitadamente até o céu; da mesma forma o ser humano conhece seus limites físicos e psíquicos. Mas esse projeto fez com que o ser humano impusesse à natureza a sua regulação arrogante que não quer reconhecer limites: assim consome até adoecer e, ao mesmo tempo procura a saúde total e a imortalidade biológica. Agora que os limites da Terra se fizeram sentir, pois se trata de um planeta pequeno e doente, força-o com novas tecnologias a produzir mais. A Terra se defende criando o aquecimento global com seus eventos extremos.
Com propriedade diz Soja: “o crescimento sem fim nada mais é que uma ingénua metáfora da imortalidade” (p.11). Samuel P. Huntington em seu discutido livro O choque de Civilizações (Objetiva 1997) afirmava que a arrogância ocidental constitui “a mais perigosa fonte de instabilidade e de um possível conflito global num mundo multicivilizacional” (p.397).
Esta ultrapassagem de todos os limites é agravada pela ausência da razão sensível e cordial. Por ela lemos emotivamente os dados, escutamos atentamente as mensagens da natureza e percebemos o humano da história humana, dramática e esperançadora. A aceitação dos limites nos torna humildes e conectados a todos os seres. O Império norteamericano, por uma lógica própria da arrogância dominadora, se distancia de todos, cria desconfianças mas jamais amizade e admiração.
Termino com um conto de Leon Tostoi no estilo de João Cabral de Mello Neto: De quanta terra precisa um homem? Um homem fez um pacto com o diabo: receberia toda a terra que conseguisse percorrer a pé. Começou a caminhar dia e noite, sem parar, de vale em vale, de monte em monte. Até que extenuado caiu morto. Comenta Tostoi: se ele conhecesse seu limite, entenderia que apenas uns metros lhe bastariam; mais do que isso não precisaria para ser sepultado.
Para serem admirados os EUA não precisariam mais do que seu próprio território e seu próprio povo. Não precisariam desconfiar de todos e bisbilhotar a vida de todo mundo”.

Pouco mais há a dizer.




[1] Leonardo Boff (*1938) doutorou-se em teologia pela Universidade de Munique. Foi professor de teologia sistemática e ecuménica com os Franciscanos em Petrópolis e depois professor de ética, filosofia da religião e de ecologia filosófica na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Conta-se entre um dos iniciadores da teologia da libertação. É assessor de movimentos populares. Conhecido como professor e conferencista no país e no estrangeiro nas áreas de teologia, filosofia, ética, espiritualidade e ecologia. Em 1985 foi condenado a um ano de silêncio obsequioso pelo ex-Santo Ofício, por suas teses no livro Igreja: carisma e poder (Record).
A partir dos anos 80 começou a aprofundar a questão ecológica como prolongamento da teologia da libertação, pois não somente se deve ouvir o grito do oprimido mas também o grito da Terra porque ambos devem ser libertados. Em razão deste compromisso participou da redacção da Carta da Terra junto com M. Gorbachev, S.Rockfeller e outros. Escreveu vários livros e foi agraciado com vários prémios.
[2] Realce colorido da minha responsabilidade.

CATILINÁRIAS



 Para o PM, a Constituição da República não é para ser cumprida; é para ser utilizada enquanto servir os seus interesses pessoais. Ou melhor, é para ser usada, se não colidir com os interesses dos “estrangeiros caridosos que nos auxiliam” – a nova ordem mundial, aqui representada pela Troika. Para o PM de Portugal, a lei fundamental tem pouco interesse e não deverá ser respeitada se chocar com as conveniências dos “seus amos e senhores”.

Como escreve Carlos Esperança no seu post do “Ponte Europa”:
“Há em Passos Coelho uma vertigem demencial que não pode ser apenas atribuída à falta de cultura democrática e ao défice de preparação. Há de haver o ódio ao 25 de Abril e o ressentimento de retornado na obstinada deriva em que faz a síntese de Mohamed Said Al-Sahaf, o ministro da propaganda de Saddam, e do major Silva Pais, último diretor da PIDE/DGS, para quem as leis ou serviam ao regime ou não serviam para coisa alguma.
A chantagem sobre o Tribunal Constitucional é igual à conduta de Mohamed Morsi que, eleito também democraticamente, cedo ignorou o limite dos poderes que a Constituição lhe conferia e logo coartou os direitos dos cidadãos.”
Até quando suportaremos as “catilinisses” deste eminente representante da juventude partidária a que pertenceu – a sua única e irrelevante escola do saber político –, onde aprendeu a colar cartazes e a reverenciar os títulos académicos dos potenciais exemplos não seguidos. É muito pouco para se ser PM; mas é, sem dúvida, mais que suficiente para exercer a vingança (fria, gelada) sobre aqueles que conquistaram a liberdade e instituíram a democracia.

Até quando aguentaremos…?

No ano 63 a.C., Lucio Sergio Catilina, filho de família nobre, embora falido financeiramente, planeava derrubar o governo republicano juntamente com seus seguidores subversivos, para obter riquezas e poder. Todavia, houve quem o afrontasse de forma eloquente – Marcus Tullius Cícero[1] – acusando-o e denunciando-o por várias vezes, no Senado:
“Quousque tandem abutere, Catilina, patientia nostra? Quamdiu etiam furor iste tuus nos eludet? Quem ad finem sese effrenata iactabit audacia?
Traduzindo:
“Até quando, enfim, ó Catilina, abusarás da nossa paciência? Por quanto tempo ainda esse teu rancor nos enganará? Até que ponto a (tua) audácia desenfreada se gabará (de nós)?

Quousque tandem abutere, Petrus Leporinus, patientia nostra? Quamdiu etiam furor iste tuus nos eludet? Quem ad finem sese effrenata iactabit audacia?




[1] Ainda hoje são repetidas as sentenças acusatórias de Cícero contra Catilina, declaradas em pleno senado romano.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

OS DONOS DA BOLA



Será que estes “rapazinhos” não têm quem os eduque? Nem sequer os trabalhos de casa sabem fazer…!

Mas, como são os “detentores do poder” (vulgarmente dito, “são os donos da bola”), resolveram propor um conjunto de 15 “mestres” para fazerem o trabalho que a eles competiria. Não interessa se o país gasta mais ou menos dinheiro com esta decisão – Não lhes interessa (nem sabem fazê-lo…)! Não são eles que pagam…!

Apesar da aparente mais-valia dada pelos títulos académicos que ostentam (diferente dos de Miguel Relvas, embora sem relevância prática), não se livraram do valente puxão de orelhas que a União Europeia lhes deu. “A quatro meses da abertura do próximo quadro de financiamento europeu (2014/20), o Governo português viu o seu primeiro documento de trabalho literalmente arrasado pelos técnicos da Comissão Europeia (CE), que acompanham os trabalhos de preparação dos programas de cada país”. (Sol)

Não é tudo! “A direcção-geral da Comissão Europeia é clara ao dizer que o draft entregue pelo Executivo ‘é ainda muito incompleto’, faltando-lhe questões chave. E lamenta que nem ‘incorpore recomendações centrais feitas pelos serviços da Comissão’. Por isso, a recomendação que seguiu para Lisboa foi no sentido de uma ‘revisão substancial’ da estratégia discutida em Bruxelas, numa reunião preparatória a 16 de Julho”.

E acrescenta, ainda, David Dinis no seu artigo do Sol: “Tratando-se de um documento com sugestões, os técnicos europeus fizeram um verdadeiro guião para as executar. Algumas são estruturais. Exemplos: que o tipo de apoios previstos para Investigação & Desenvolvimento sejam ‘profundamente reorientados’; que aspectos ligados às políticas de transportes e aposta na economia do mar sejam aprofundadas; que as funções do Banco de Fomento (previsto para início de 2014) sejam detalhadas; que seja explicitado como se pode facilitar financiamento às PME; que se passe das ‘vagas intenções’ em domínios como a adaptação profissional dos trabalhadores às necessidades da economia.”

Eles são as trapalhadas com os SWAPS, com os Briefings (bissemanais, mas que se farão ocasionalmente, ou de mês a mês), as demissões que o não foram, o crescimento de 1,1% que representa, homologamente, um decréscimo de 2%, e… eu sei lá que mais enunciar…

Que sejam incompetentes, incultos, irresponsáveis, impreparados, levianos, infantis, amadores, ainda vá que não vá; o problema é deles. Mas que o sejam no desempenho das suas funções e, além de mais, mentirosos… isto não se pode admitir.

O tempo da escola já passou; aí talvez se pudesse admitir tais atitudes, pois confundir-se-ia com a irreverência da juventude. O grave, é que está nas mãos deles os desígnios de um povo; são os responsáveis da miséria (já sem remédio) a que grande parte do país está condenado; são os ladrões dos sonhos de uma juventude sem futuro.

Eles podem ser os “donos da bola” e tentarem que se jogue segundo as regras deles… Obrigado, mas nós já não queremos jogar!

Isto não é uma brincadeira nem a “aventura de ir ao pote”…!

Chega! Basta!

Temos fome de liberdade e sede de justiça!


terça-feira, 13 de agosto de 2013

PRESSÁGIO QUEIROZIANO




Não quero jurar, mas estou suficientemente convicto de que Eça de Queiroz, quando escreveu o texto a seguir, não se referia ao governo de Portugal dos últimos dois anos; simplesmente – conhecedor das características oportunistas deste tipo de políticos –, sabia que o escrito em 1867 seria válido para 2013…



“ORDINARIAMENTE todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas. Porém, são nulos a resolver crises. Não têm a austeridade, nem a concepção, nem o instinto político, nem a experiência que faz o ESTADISTA. É assim que há muito tempo em Portugal são regidos os destinos políticos. Política de acaso, política de compadrio, política de expediente. País governado ao acaso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e corrupção, por privilégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência?” (In “O Distrito de Évora”, 1867)

O que diria, hoje, depois de ver as figuras tristes protagonizadas com os SWAPS…? Com os relatórios que deveriam estar prontos em Maio e, 3 meses depois, continuam reféns da Ministra das Finanças…? Com as tristes figuras dos “briefings”…? Com o academismo[1] (neste caso em ambas as conotações do termo) evidenciado pelo Ministro Maduro…? Com… com tudo… com o facto de ainda serem governo…?

Uma coisa é certa: O texto de Eça está actual…!




[1] Falta de originalidade; Estilo académico.

domingo, 11 de agosto de 2013

VENDE TUDO O QUE TENS!…




O Papa Francisco tem-me surpreendido bastante. Parece que, passados cerca de 1800 anos, retomou a linha evangélica cristã: a linha do amor, da fraternidade e da partilha. Quero crer que é um sentimento genuíno e que não se apoia numa estrutura de poder, como a que foi mantida até agora, desde a queda do Império Romano. De certa forma, foi a estrutura que, até há bem pouco, substituiu este Império.

Ao pensar nesta hipótese de “vender tudo o que tem e dar a quem necessita” assume-me à mente algumas questões:

A primeira questão é quem vende…?
Deverá o Papa Francisco vender o IOR (Banco do Vaticano), ou mesmo o Vaticano ou, ainda, todos os bens que a Igreja possui…? Se não tiver competências para tal (quero crer que assim seja), quem venderá…? E em outros países…?

A segunda questão é quando…?
Começamos já hoje, ou esperar-se-á até amanhã, calculando os preços e os juros…? Não haveria, nos seus membros, alguém que cumprisse esta “missão”, procurando descontos, interpretações espiritualistas que justificassem a posse, subterfúgios de diversos tipos…? Quando fazê-lo…?

A terceira questão é a quem, como e para quê…?
Poder-se-ia “vender para dar aos pobres” (superando assim um determinado tipo de egoísmo); mas, quem compra seriam normalmente os “abutres” económicos que se aproveitariam da venda (naturalmente não especulativa) e continuariam amontoando mais riquezas sobre as anteriores; esta situação faria com que (de um modo indirecto) se contribuísse para que a injustiça social se avolumasse, a exploração aumentasse e, de certa forma, contribuiria  ainda para que o mundo fosse mais injusto.

Quero acreditar que Francisco, se entretanto não for assassinado, possa propor ao mundo uma solução que não enfraqueça ainda mais a dependência dos oprimidos. Quero acreditar que, desta vez (conscientemente, ou não) a Igreja não vá colocar-se ao lado dos opressores…!



sábado, 10 de agosto de 2013

NÃO PASSA DE UM CORRUPTO…



Não posso deixar de transcrever a conclusão do oportuníssimo texto do Júlio “Como se faz render uma sinecura”, Aspirina B:

“Concluindo, Rui Machete não passa de um corrupto. O ministro dos Negócios Estrangeiros deveria ir imediatamente para a rua e as autoridades portuguesas deveriam instaurar um inquérito à sua presidência da FLAD. Se os americanos não podem meter o bedelho, nós podemos!”

Da mesma maneira que transcrevi a conclusão, recomendo a leitura integral deste importante texto no Aspirina B, relembrando o vocábulo mais popular de sinecura, que é tacho – a grande obsessão deste governo (o objectivo era “ir ao pote…”).


sábado, 3 de agosto de 2013

ACTIVOS HUMANOS: TERRORISMO SOCIAL – ESCRAVATURA?




Tenho uma dificuldade enorme em qualificar aquilo que uma grande parte dos patrões das pequenas e médias empresas portuguesas, nos dias de hoje, exercem sobre os seus trabalhadores. Passo a explicar:

Até há três décadas atrás – tal como hoje ainda o são –, as pequenas e médias empresas eram o suporte económico do país. A única diferença residia nas forças aglutinadoras das equipas laborais/empresariais que giravam em torno de valores motivadores próprios. Essas empresas eram, na sua esmagadora maioria, empreendimentos familiares que, graças ao altruísmo, ao respeito pelo “pater familiæ”, mercê do aproveitamento qualitativo/laboral gerado pelo casamento com elementos mais qualificados que até então gravitavam fora da família, graças à boa vontade gerada pelo “senhor da terra” em valorizar o lugar onde cresceu e desenvolveu a sua actividade, garantiam, para além da subsistência dos seus trabalhadores, o empenho destes no crescimento e valorização da mesma. Estes princípios básicos eram, por si sós, garantes de fidelização de emprego e funcionavam como autênticos factores de motivação – que mais não fossem, como factores de subsistência e segurança.

Hoje, os gestores destas empresas, abrangidos pelo fenómeno da globalização, pela aquisição de novos conhecimentos, pelo emprego dos seus descendentes academicamente valorizados (que, apesar de tudo, não são garantia de competência, além de lhes faltar experiência e contacto com outras realidades), contagiados pela incompetência e irresponsabilidade de quem os governa e envolvidos nas querelas dos sistemas político/partidários, têm vindo a modificar-se. A filosofia é explorar, controlar, dominar – exercendo, em muitos casos, terrorismo social ou escravatura…

Acontece, ainda, que estes empresários – outrora, patrões – começaram a empregar os filhos, as noras e os genros nas suas estruturas empresariais. Acredito que, inicialmente, com a intenção de descansarem um pouco mais, considerando que a sua empresa ficaria bem entregue à nova geração de gestores. Todavia, o problema agrava-se porque, por um lado, “não estão preparados para as mudanças” (segundo pensam) e, por outro, sentem a “impreparação” ou “falta de experiência” (como costumam classificar) dos seus “colaboradores” o que, na maior parte dos casos, não corresponde à realidade. Em suma, têm medo… Medo de perderem o poder.

Tenho lido diversos artigos em que se consideram como activo mais importante das organizações os colaboradores. Mas, será que no dia-a-dia das empresas esses trabalhadores são valorizados como qualquer outro activo do empreendimento?

Parece-me que não. O ser humano acaba por não ser valorizado como realmente deveria ser; talvez por falta de tempo dos gestores, falta de habilidade da liderança ou até mesmo falta de preparação. Tudo isso são desculpas dadas pelos patrões para justificar a incompetência em lidar com pessoas. Mas, principalmente, porque estão subjugados ao domínio do poder financeiro.

Valorizar (e motivar) o ser humano não é só pagar um bom salário ou ter um pacote de benefícios atraente; trata-se de saber lidar com vidas, com pessoas que têm sentimentos, vontades e anseios próprios diferentes.

Os trabalhadores mais talentosos buscam na empresa respeito, carinho, reconhecimento, acompanhamento, feedback. Alguns procuram crescimento, desafios; outros, segurança. Mas uma coisa é certa: todos querem ser valorizados como seres humanos.

Vivemos numa era globalizada, em que cada vez mais se exige do colaborador velocidade e agilidade em todas as tarefas, buscando incessantemente conseguir resultados para a empresa. Essas exigências trazem consequências boas e más.

As consequências boas:
- O profissional aprende a procurar a informação e a actualizar-se a cada segundo;
- O crescimento profissional não tem fronteiras;
- A exigência do mercado é para que se seja cada vez mais generalista e menos especialista na sua profissão, com conhecimentos bem diversificados.

As consequências más:
- O profissional passa a ser testado e avaliado a cada tarefa e, em muitos casos, o histórico dele não é tomado em consideração;
- A exigência é cada vez maior sobre o acerto e a perfeição: esquece-se de que se lida com pessoas imperfeitas, que normalmente aprendem com os próprios erros. É necessário criar mecanismos para avaliar essa aprendizagem e para que erros passados não sejam cometidos novamente;
- Exige-se cada vez mais o aumento da velocidade na realização das tarefas e nas informações.

Valorizar pessoas é uma das principais virtudes do líder moderno que deverá ser influenciador, servidor, participativo e que obtém resultados com e para as pessoas.

Para conseguir esta valorização não são necessariamente obrigatórios grandes investimentos, mas as atitudes que os líderes e gestores têm com a sua equipa. Isso fará toda a diferença. O líder tem que agir com respeito, sinceridade, carinho e empatia para com todos os seus colaboradores, sem excepção, mas, principalmente, não ignorando os mais qualificados.

Quando se lidera ou gere uma organização tem de se ter sempre bem presente que a sua postura e comportamento deverá ser o espelho da equipa. Todas as acções praticadas pelo gestor (ou patrão) reflectirão positiva ou negativamente nos seus colaborares.

Se o gestor tiver atitudes, palavras e pensamentos éticos em prol “seu pessoal” a organização terá o sucesso esperado por todos; caso contrário, é o fracasso total da organização, embora não seja perceptível no início.

Mas, ainda mais grave, é quando se valoriza a última “aquisição” (escolha pessoal e/ou familiar do patrão), colocando-a nos píncaros da eficácia e da eficiência sem que até então tenha dado quaisquer provas. Este elemento – como é sabido por todos – é, tão só, os “ouvidos” e “olhos” do inseguro patrão.


sábado, 27 de julho de 2013

A CONFUSÃO DA LÍNGUA EM CABEÇAS MAL PREPARADAS…




Depois de ouvir a forma como os nossos governantes tratam a nossa língua pátria – dizendo, por exemplo, “sejemos realistas”, ou “cidadões nacionais” ou ainda “nunca o fiz, não faço nem façarei”, etc., percebi a grande confusão que deve ir naquelas cabeças…

Tomemos com exemplo a possíveis eventuais interpretações que farão em relação às palavras de ordem que ouvem dos manifestantes em protesto:

Não à austeridade!
Pensarão: “se não há austeridade, há que dá-la”…

Não à retirada de direitos!
Dirão: “se não há retirada de direitos, há que retirá-los”…

Não à pobreza!
Comentarão: “se não há pobreza, há que criá-la”…

Não à diminuição do estado social!
Ponderarão: “se não há diminuição do estado social, há que diminui-lo”…

Não à diminuição do direito ao trabalho!
Determinarão: “se não há diminuição do direito ao trabalho, há que diminuir esse direito”…


Dá-me ideia que (quem sou eu para ter ideias destas!?) para desempenhar funções em qualquer órgão de soberania deveria ser obrigatório ter uma aprovação (mesmo que fosse no ensino básico, mas com nota positiva) na disciplina de português; acho que seria bom (são manias!); acho que, até, deveria ser obrigatório (se calhar não deveria exagerar!). Julgo que, desta forma, se evitaria muitos mal entendidos na relação democrática com os eleitores. Por exemplo ficariam a saber que a expressão “honrar a palavra” quer dizer “cumprir o prometido”…

Depois não venham com desculpas: “É do Acordo Ortográfico…e tal, e tal…”

O Acordo Ortográfico pode ser muito mau, mas não pode ser responsabilizado pela ignorância e pela estupidez… Acreditem (ou será acreditam).


terça-feira, 23 de julho de 2013

O EVANGELHO SOCIAL




Diz o “el Pais”, e em português, que “Francisco lançará no Brasil o Evangelho Social para as Américas e o Mundo”. Não vi (embora admita que possa ter havido) qualquer referência a este acontecimento na imprensa portuguesa – coisa que não é de admirar.

Francisco, que ocupou a cadeira de Pedro proveniente da “periferia da Igreja”, escolheu o seu continente de origem para apresentar o programa a um milhão de jovens vindos de toda parte do mundo. Escolheu o Brasil, país cujas veias ainda estão abertas devido à profunda desigualdade social, para se dirigir às periferias abandonadas e humilhadas do planeta e aos países emergentes que podem cair na tentação de colocar as suas riquezas nas mãos daqueles que menos as necessitam.

Até agora, mediante a simbologia dos gestos e algumas afirmações importantes, Francisco esboçou a originalidade do seu pontificado: quer centrar-se nos “esquecidos do planeta”, nos marginalizados e abandonados nas valetas da sociedade da opulência, para que se promovam à dignidade de seres iguais, com os mesmos direitos.

Pediu que a Igreja não só se preocupasse com os pobres, mas que ela própria fosse pobre e distribuísse o remanescente pelos demais; chegou a expressar tristeza ao visitar o parque automóvel de carros de luxo dos prelados do Vaticano, a quem pediu austeridade como um exemplo de vida (austeridade aos poderosos, não aos oprimidos); criticou as “máfias” abrigadas no Banco do Vaticano; continua a viver num quarto de hotel, depois de renunciar aos aposentos pontifícios; foi-se despojando dos símbolos do poder que por séculos afastaram o papa de Roma dos seus crentes; criticou a “tirania do dinheiro” e a “globalização da indiferença” pelos que sofrem; está mais interessado no que as pessoas “fazem pelos outros”, principalmente os desfavorecidos pela sorte, do que nas suas crenças religiosas.

A sua visão do futuro da Igreja, com que sonha, não passa pelas antigas teologias de subordinação e aliadas ao poder.

A teologia que Francisco pregará é a do “evangelho social” do cristianismo, que não é ideológico, mas prático – a repartição da riqueza.

Ele quer que esta seja a nova revolução social, com menos teorias teológicas e ideológicas e mais dirigida a quem sofre.


Pretende-se que a mensagem de Francisco sirva a crentes de qualquer deus ou religião, agnósticos e ateus.

Estou, de veras, curioso…!

Será que ao fim de dois mil anos se inicia a divulgação do evangelho cristão, sem ligações a estruturas de poder…?

Estou, no mínimo, curioso…!


sábado, 13 de julho de 2013

A DIFERENÇA




Pertencem ambos à CDU (Christlich Demokratiche Union – União Democrata Cristã) – Helmut Kohl e Angela Merkel. Poderíamos dizer que teriam a mesma ideologia político-partidária… Aparentemente, sim; mas as diferenças são abissais e não têm que ver somente com a diferença de idade, de local de nascimento, de religião ou género. Vejamos:

Angela Merkel nasceu em Hamburgo (Alemanha Federal ou Alemanha Ocidental) a 17 de Julho de 1954. Pouco tempo depois de nascer o seu pai foi nomeado pastor da Igreja de Quitzow tendo-se mudado, com a família para Templin (Alemanha de Leste).
Desta forma, Merkel cresceu numa região rural, a 80 km a Norte de Berlim. Gerd Langguth, ex-quadro da CDU, afirma no livro seu sobre Angela Merkel que a possibilidade da família viajar livremente do Leste para a Alemanha Ocidental, durante anos, bem como a posse de dois automóveis permite concluir que o pai tinha uma relação “simpática” com o regime comunista, uma vez que tal liberdade e privilégios dados a um pastor cristão e à sua família teriam sido impossíveis na Alemanha do Leste (comunista).

Helmut Kohl nasceu em Ludwigshafen am Rhein, a 3 de Abril de 1930. Foi um político alemão, chanceler do país de 1982 a 1998. É católico e democrata cristão.
Helmut Kohl orientou o processo de integração da República Democrática Alemã (Alemanha de Leste) e da República Federal da Alemanha (Alemanha Ocidental), que teve início em 1990. Teve o arrojo de assumir esse grande desígnio político, mas enfrentou também as dificuldades sociais e económicas (a elevada taxa de desemprego, por exemplo) que o processo de integração acarretou. Simultaneamente, é considerado um dos grandes arquitectos da União Europeia e uma das individualidades essenciais na tomada de decisões no Velho Continente.

Ambos – Kohl e Merkel – desempenharam (Angela ainda desempenha) funções de Chanceler do País.
Então, qual a diferença?

A diferença é-nos transmitida (para quem ainda não se tenha apercebido que existem diferenças) por Gertrud Höhler numa entrevista concedida à TSF, a propósito do lançamento do seu livro “Estratégia Merkel – o projecto implacável da chanceler de ferro que põe em perigo a União Europeia”.

Esta antiga conselheira de Helmut Kohl assume-se como uma voz crítica da actuação de Angela Merkel. Vejamos alguns realces da entrevista:

“Merkel até aceitou que lhe chamassem Rainha da Europa, sem contestar, sem afirmar: ‘atenção, eu sou meramente a chanceler da Alemanha’";

“O Sul da Europa é o destino de Merkel, porque as vozes críticas da austeridade excessiva já se fazem ouvir em Berlim, enviando sinais ainda tímidos de que o vento se está a virar a favor do Sul”;

“Portugal pode decidir as suas condições, pedir mais tempo para pagar o empréstimo internacional e recusar aceitar simplesmente as cartas que lhe dá a Merkel ou tolerar medidas de austeridade que vão contra a identidade cultural”;

“Não se pode construir um ideal da Europa baseado na escravidão dos países dependentes, porque isso destruiria o ideal da própria Europa”;

“Não se pode construir uma Europa baseada em estados-membros humilhados. Aí, acaba-se o sonho europeu”;

Para Gertrud Höhler, os portugueses são o povo melhor posicionado para traçar o destino de Merkel, porque Portugal sempre foi cumpridor. Agora, defende que Portugal deve mostrar sinais de cansaço face às medidas de austeridade que lhe foram impostas pela troika.

Já alguém disse (penso que ressalvando o povo alemão): “A Alemanha de Merkel conseguiu, com o euro, o que a Alemanha de Hitler não conseguiu com as divisões Panzer”.

Olhando para esta dissemelhança de Chanceleres Alemães, relembro com nostalgia alguns nomes cuja grandeza do seu carácter, a abnegação, a dimensão intelectual e de estadista permitiram: Jean Monnet, Konrad Adenauer, Robert Schuman, Jacques Delors, Romano Prodi e tantos outros (alguns quase anónimos) que contribuíram para a união dos povos…

Merkel é que não…!

Mas, pior que tudo, é quando olhamos para a dimensão dos nossos actuais governantes. Não passam de meros adoradores do diabo… Irresponsáveis que pretendem ter “lealdade” (subserviência, escravidão) com quem destrói o povo a que pertencem.

Pior que isto, não há…!


sexta-feira, 12 de julho de 2013

PARABÉNS! TIVEMOS HOMEM…




Não sou, como já várias vezes o afirmei, um apoiante de António José Seguro; mas, hoje, dia do debate do estado da nação, reconheço que esteve diferente. Hoje, gostei da forma como se comportou no parlamento; hoje, afirmou-se como um líder (pondo de parte os tiques e maneirismos dos “jotas”); hoje, marcou a diferença.

Espero que o PS e o seu líder se mantenham alertas e firmes nesta determinação.

Todos nós devemos estar em alerta; pois, como diz Estrela Serrano no seu blog Vai e vem: “pretender, como o fez o Presidente, que o PS apoie ou se junte à coligação na fase do seu estertor, com o argumento da ‘salvação nacional’ é uma forma descarada de chantagem que deve ser denunciada”.

Já agora e a propósito, também gostaria de perceber o Comunicado da Presidência da República, de hoje 12-7-2013, quais as suas intenções e objectivos. Não consigo entender a sua pertinência…


quinta-feira, 11 de julho de 2013

QUE FUTURO, COM ESTA GENTE QUE TEMOS…?




Bacelar de Vasconcelos, reconhecido constitucionalista, considera que o “PSD e CDS foram desautorizados e humilhados”, depois de terem feito um acordo que os tinha obrigado a “engolir sapos vivos” para ir ao encontro “daquilo que pensavam ser o que o Presidente queria”. Pior que isto, “o Presidente coloca o ónus da responsabilidade nacional sobre o PS quando esta crise foi criada por este governo e nada foi feito para abrir esta porta de entendimento com os socialistas”.

Pergunta Bacelar de Vasconcelos: “Como é que o PSD e o CDS, depois de tudo o que fizeram, ainda por cima humilhados desta forma, vão agora caucionar um acordo a três?”

Há uma enorme diferença entre os dois últimos Presidentes da República: Cavaco Silva aponta o seu caminho próprio, impondo (ou tentando impor) a sua vontade, sugerindo soluções e minando as “resistências”; Jorge Sampaio vigiava políticas e, embora lhe pudesse custar, não tinha medo de cumprir as suas incumbências e de assumir a responsabilidade dos seus deveres para com a Nação – tinha (e tem) a coragem dos grandes Homens.

Ser garante da democracia é, quando se torna impossível garantir o normal funcionamento das instituições e zelar pelo cumprimento da Constituição, ter a coragem e a obrigação de consultar o povo – convocar eleições.

Em democracia, só o Povo é soberano. Aqueles que impõem a austeridade contra a vontade de quem os elegeu, fazendo vingar soluções contrárias às promessas feitas (mentirosos), que se socorrem de acordos para os quais não estão (ou foram) mandatados (usurpadores), assumem posturas de prepotência contrárias as normas constitucionais vigentes não são soberanos (pois que em democracia só há um soberano – o povo) nem são democratas – têm outro nome (aqui os nomes possíveis).


Quem tem medo da democracia?

Claro que, face às evidências, não vou responder a esta pergunta. Todavia quero relembrar que as forças obscuras que têm tentado camuflar esta “nova ordem mundial” passaram de imediato à chantagem: o aumento das taxas de juro da dívida, a valorização da subserviência, aprovando antecipadamente um governo, antes que a proposta fosse ratificada ou aceite pelo Presidente… valorizando quem descaradamente mentiu aos portugueses (como a ex-secretária de Estado do Tesouro, actual ministra das Finanças, no Parlamento, relativamente aos SWAPS), etc.

É possível que este meu desabafo tenha uma actualidade muito precária, visto que mais logo (pela noitinha) ou amanhã os resquícios de dignidade dos membros governamentais visados ou dos partidos que os apoiam possam ter tomado qualquer atitude que venha baralhar ainda mais as peças deste tabuleiro; por exemplo, ressuscitando a demissão do MNE ou o reconhecimento público de incapacidade por parte do PM, demitindo-se.

Por fim, pareceu-me ver na atitude do Sr. Presidente da República uma preocupação em tutelar a nossa democracia. Acho muito estranho que em 2013 ainda se pense deste modo; mas, se assim for, quero gritar bem alto para que todos ouçam e as instituições apreendam que a democracia portuguesa já com quase 40 anos de idade e não necessita de tutela nem de tutor.

Amanhã, o mais tardar, teremos novidades. Estejam atentos ao futebol…!


sexta-feira, 5 de julho de 2013

DE QUEM É A CULPA?




A culpa é do pólen dos pinheiros
Dos juízes, padres e mineiros
Dos turistas que vagueiam nas ruas
Das strippers que nunca se põem nuas

Da encefalopatia espongiforme bovina
Do Júlio de Matos, do João e da Catarina
A culpa é dos frangos que tem HN1
E dos pobres que já não têm nenhum

A culpa é das "Putas" que não pagam impostos
Que deviam ser pagos também pelos mortos
A culpa é dos reformados e desempregados
Cambada de malandros feios, excomungados

A culpa é dos que tem uma vida sã
E da ociosa Eva que comeu a maçã
A culpa é do Eusébio que já não joga a bola
E daqueles que não batem bem da tola

A culpa e dos putos da casa Pia
Que mentem de noite e de dia
A culpa é dos traidores que emigram
E dos patriotas que ficam e mendigam

A culpa é do Partido Social Democrata
E de todos aqueles que usam gravata
A culpa é do BE, do PS e do PCP
E dos que não querem o TGV

A culpa até pode ser do urso que hiberna
Mas não será nunca de quem governa...



Recebido por e-mail, com a informação de autor desconhecido.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

TENHO-ME REMETIDO AO SILÊNCIO…





Tenho-me remetido ao silêncio. Não porque não tenha opinião sobre estes acontecimentos irresponsáveis dos últimos dias; mas, não me dão azo para os poder comentar em tempo oportuno – no entretanto, a realidade já é outra, bem diferente. Mudam de opinião muito rapidamente.

Tenho-me remetido ao silêncio tão-somente porque, quando acabasse de emitir a minha opinião sobre um qualquer acontecimento protagonizado por qualquer dos actuais responsáveis políticos deste País, essa “realidade” já não existia ou estaria nos antípodas das suas intenções iniciais.

Tenho-me remetido ao silêncio porque já não tenho idade para aceitar estes jogos de garotos, tanto mais que já não suporto os insultos permanentes destes irresponsáveis…

Tenho-me remetido ao silêncio porque seria o meu fim, se o não fizesse. Já não corro nem tenho velocidade suficiente como a de outrora. Se me entusiasmasse com a minha argumentação e agisse em sua conformidade, já não conseguiria fugir e pereceria, ali, à mão dos “caceteiros”.

Tenho-me remetido ao silêncio… Mas, por favor, não me obriguem a agir contra a minha própria natureza. O meu silêncio é temporário, pois a minha dignidade, conjuntamente com a do restante povo a que pertenço, impele-nos a desejar antes a morte que esta sorte…!

Não se iludam, garotos…! O preço do nosso silêncio é a liberdade.


segunda-feira, 1 de julho de 2013

SWAP





Como diz Francisco Seixas da Costa “elegantemente” no seu post, “Swap em português: Trocar”.

Já só falta uma dúzia… Na feira das trocas...


domingo, 30 de junho de 2013

POBREZA ESCANDALOSA



Pobreza escandalosa e pobreza virtuosa – escreve, hoje, no Público, Frei Bento Domingues, terminando:

“[Cristo] Deixou-nos, no entanto, indicações preciosas: todas as instituições são para alimentar e dignificar a vida humana; é escandaloso colocar a vida humana ao serviço do dinheiro e das suas instituições.

Mais escandaloso ainda é continuar a plantar árvores que só podem dar frutos de injustiça e miséria, pobreza escandalosa.” (Negrito e sublinhado nosso).


quarta-feira, 26 de junho de 2013

OPERAÇÃO SECRETA – A ÁGUA




Para sermos correcta e atempadamente informados, é preciso "ver" ou "ler" informação na Comunicação Social Estrangeira. Os nosso "escribas a soldo" do poder totalitário instalado (salvo raras e honrosas excepções) assobiam para o lado, vendem-se aos interesses inconfessáveis de ilusórias assessorias e... não informam. Muito menos alertam. Se possível, desviam a atenção para as habituais futilidades.
Basta, para isto tudo...!
A água na mão dos privados não nos mata a sede; simplesmente – MATA-NOS.

sábado, 22 de junho de 2013

A IGNOMÍNIA DA SUBVERSÃO DA DEMOCRACIA OU O MEDO DE PERDER AS ESTRIBEIRAS…

  

Há muito que não escrevo qualquer post neste blogue. Não o tenho feito por medo; sim, por medo. Medo de ser punido financeiramente (pior que impostos ou pilhagens) ao exercer o meu legítimo direito de opinião, principalmente se o fizer ao manifestar a indignação incontida face às arbitrariedades punitivas e destruidoras praticadas sobre aquela classe que, até há bem pouco tempo, era considerada a classe média. Medo, porque sabia que aquilo que o meu sentir exigia não se quedaria pelo simples ápodo de “malandros” a quem nos explora e destrói… Em suma, medo de perder as estribeiras…

Não amando, não se nos pode exigir que tenhamos, com quem nos mata, lealdade, como dizia o poeta. E, questionar-me-ei, então: como proceder para com quem nos mata…?

Foi com este estado de espírito e num desabafo telefónico com o meu irmão (que comigo comunga destas ideias) que senti a grande responsabilidade de não me calar. Não que quisesse começar a vilipendiar e insultar indiscriminadamente os poderes legais (que não legítimos) constituídos; mas, (isso sim) relembrar, alertar e esclarecer quem não sabe ou já se esqueceu de que a história, embora se não repita, renovará as suas forças destruidoras se, no entretanto, não tivermos aprendido com os seus ensinamentos.

Assim, a história ensinou-nos, mas talvez não o tivéssemos aprendido correctamente:

Os regimes fascistas:

1- Rejeitam o respeito pelos Direitos do Homem e pela dignidade humana, pois (para eles) os interesses do indivíduo têm de estar subordinados ao interesse do Estado;
2- Defendem que determinadas raças nascem para comandar e outras para obedecer;
3- Consideram que a liberdade (liberdade é tolerância) resulta em divisão e enfraquecimento da nação – e chamaram outro nome à tolerância;
4- Atestam que a democracia é um regime de fraqueza. Para eles, a escolha dos governantes pelo povo é uma tremenda inutilidade demagógica;
5- Afirmam que o sistema parlamentar é uma manifestação de fraqueza do poder, por não passar de um jogo estéril de verbalismo obsoleto e sem interesse para a nação;
6- Pretendem desenvolver as qualidades animalescas, mais do que as suas capacidades intelectuais, como razão de liderança dos comportamentos do próprio homem.

Como forma do seu desenvolvimento, os regimes totalitários fascistas e nazis, promovem:

a)- O Autoritarismo do Estado;
b)- -Regimes de Ditadura e Estados Policiais;
c)- O Culto do Chefe – providencial guia e salvador da Nação;
d)- O Partido Único (poderá começar por coligações até à destruição das eventuais oposições);
e)- O Nacional-Socialismo, na forma corporativa.

O corporativismo daí resultante permite ao Estado:

- Ser o Único Regulador de conflitos de trabalho;
- Dispensar os Sindicatos Livres;
- Consolidar o “equilíbrio social” e da “justiça” nas relações laborais.

E, para que tudo isto resultasse na perfeição, dispõem de uma perfeita e intensa Máquina de Propaganda. Para tal, os ditadores fascistas e Nazis:

I- Prometem um programa nacionalista de resolução da crise económica e de aumento de emprego;
II- Promovem a reestruturação [da grandeza] da Nação (reestruturação do Estado);
III- Pretendem pôr fim à agitação socialista ou às reminiscências de qualquer passado recente;
IV- Propagam a ordem, a disciplina e a estabilidade.

Para conseguirem tudo isto, empenham-se na repressão da inteligência, controlando as publicações escritas, a rádio, o cinema… antes, mediante uma apertada censura; hoje, comprando a dignidade de muitos dos que têm a obrigação e a grata missão de informar. Felizmente ainda há resistentes, o que obstaculiza essa missão nazi-fascista.

Há países onde o nosso sangue corre nas veias dos seus povos e que já rejeitaram esta repetição da história. Até quando permitiremos a ignomínia de nos quedarmos e deixarmos subverter a democracia conquistada em 25 de Abril.