Pensei em escrever uma carta aberta ao PM Passos Coelho;
mas, cartas escrevem-se se houver uma relação social entre os correspondentes…
Neste caso não há relação social, nem de amizade ou inimizade – existe, tão-só,
indiferença – que, julgo, é o pior
sentimento que se pode "nutrir" por alguém.
Todavia, não posso calar a denúncia do comportamento deste
governo. Pode parecer uma redundância apregoar o que todos sabem, o que muitos,
no mais recôndito das suas hipócritas e comprometidas consciências, fingem
ignorar e o que bastantes sentem de desilusão para lutar.
Os meus pais (felizmente para eles) já morreram. Deste modo,
foram poupados à vilania e desrespeito como seriam tratados se ainda fossem
vivos. Porém, os meus sogros (nos seus oitenta e muitos anos) e muitos outros
pais que "teimosamente"
(que, se calhar, é o advérbio com que este Governo qualifica a resistência
deste povo) tentam subsistir, vêem, a cada dia que passa, ser-lhes roubada a
possibilidade de viverem os seus últimos dias com dignidade. Pior…! Eles não
necessitariam de favores para usufruírem dos seus direitos – descontaram
durante toda a sua vida para poderem gozar, sem sacrifícios de maior e
condignamente, os últimos dias da sua existência.
Hoje, 1 de Maio, marco histórico da conquista de direitos
dos trabalhadores (por este andar, num futuro próximo, escravos…) sou
confrontado com mais um dislate grosseiro do Sr. PM PPC: – "… o
subsídio de Férias e o subsídio de Natal, para os aposentados e pensionistas,
só voltarão em 2018"… (o
texto pode não reproduzir fielmente o discurso de PPC, mas a ideia é esta).
– Acreditará o Sr. PM que os aposentados idosos resistirão
até 2018…?
– Acreditará o Sr. PM que, dificultando o acesso à saúde e
retirando condições de vida aos idosos, estes resistirão até 2018…?
– Acreditará o Sr. PM que, aumentando os impostos e
retirando benefícios fiscais aos idosos mais desfavorecidos, eles resistirão
até 2018…?
– Ou será que o Sr. PM acredita que os idosos são os
excedentários e não deveriam existir em 2018…?
Custa-me a acreditar que alguém, por mais incompetente e
"mente caput" que seja, pense desta maneira; mas a prática
governamental contraria a minha crença.
Corremos o risco, se não modificarmos o estado em que se
encontra o nosso País, de vermos este governo apregoar, em 2018, "conseguimos aumentar a riqueza deste País",
ignorando o preço que este povo sofredor
pagou: a morte precoce, sem esperança, sofrida e desiludida do seu saber
mais válido e experimentado – os seus
Idosos.

