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sábado, 26 de outubro de 2013

QUANDO TEREI O PODER ABSOLUTO…?




A “leitura” do pensamento do PM e Presidente do PSD, PPC, poderia ser
“Já cumpri com o prometido e atendi todos os pedidos dos ‘Senhores do Mundo’, mas ainda não me deixam ter, no meu território, o poder absoluto que me prometeram…”

Vejam lá:


O “amigo” de Passos, até ter sido nomeado secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação (entre Abril e Julho deste ano) tinha sido, anteriormente, vogal no “Instituto Camões” e jornalista, durante vários anos, no “Semanário”, na “Euronotícias” e, por fim, no “Diário de Notícias” (2004 a 2012). Fazia parte da Fonte de Recursos Humanos do Governo – “Jornalistas”… (Sem ofensa aos bons profissionais)

Mas, apesar de chumbada pela Comissão de Recrutamento e Selecção para a Administração Pública (CRESAP) a proposta do Governo para a nomeação de Francisco Almeida Leite como presidente, voltaram a insistir na sua nomeação; desta vez, para que fosse apenas vogal da comissão executiva da Sofid. Só faltou (ou não) dizerem: “Façam lá o jeitinho… É que… a nós, dava-nos jeito…”

A CRESAP, enfim lá aceitou, impondo, todavia, a condição de que o ex-governante limitasse a sua acção às relações públicas e internacionais, não podendo estar envolvido na área financeira para a qual não tem experiência, conta o semanário Expresso.


Em tempo:
Quando tentei reler a notícia do Expresso, constatei que o endereço, embora sinalizado na pesquisa
  

 ao seleccioná-lo, ia para uma página com a indicação “O endereço não foi encontrado. Por favor, verifique o endereço usado.”



Dá que pensar…!


sábado, 27 de outubro de 2012

ELIMINAR OS MAIS NECESSITADOS…



Durante o Estado Novo, apesar do infame exercício da censura, muitos homens e mulheres punham em risco a sua liberdade para conseguirem informar as populações. Faziam-no com a consciência da importância dos seus actos; para eles, a informação era uma arma fundamental para a conquista da liberdade e, consequentemente, da democracia. Foi assim que se foi consciencializando as gentes deste povo cujos filhos estavam condenados à morte nas guerras coloniais, iludidos com os estribilhos "pela defesa da Pátria".

Foi este enorme trabalho – mais do que trabalho, missão – que homens e mulheres abnegados formaram o espírito que tornou possível fazer o 25 de Abril. Não foram os militares que fizeram a Revolução – iniciaram-na. O povo, já sensibilizado ao longo de anos pelos jornalistas de então, despertou e deu seguimento ao movimento iniciado pelos capitães – fez a revolução.

Hoje, o jornalismo desta estirpe acabou. A grande maioria dos actuais jornalistas (e quero ressalvar algumas digníssimas e raras excepções) é constituída por técnicos de comunicação, ao serviço de algumas instituições de duvidosa credibilidade e fazendo-se passear nas passerelles para assessores governamentais. São quase todos (apesar dos seus vinte e poucos anos) especialistas em "qualquer coisa", que mais não seja em obedecer cegamente ao seu patrono na tentativa de ludibriar os demais.

E é por isto que, apesar de vivermos na era das tecnologias da comunicação e da informação, as notícias e os acontecimentos não são conhecidos ou, no mínimo, são manipulados para iludir as pessoas ávidas de informação.

Exemplo do que acabo de referir é este episódio em que Pedro Marques, nas Comissões de Orçamento, Finanças e Administração Pública e Segurança Social e Trabalho, fez uma avaliação demolidora da gestão de Mota Soares no Ministério da Solidariedade e Segurança Social.


Vídeo do Parlamento – Comissões de Orçamento, Finanças e Administração Pública e Segurança Social e Trabalho

Noutros tempos, este bloco informativo seria muitíssimo mais divulgado e os comportamentos do Ministro sobejamente denunciados. Todavia, hoje, tal não acontece. A comunicação do acontecimento passa em directo, num canal de televisão por cabo, num país cujo interior nem sequer televisão tem, depois da instalação da TDT.

Os actuais jornalistas já não informam, nem mesmo "sensacionalisticamente", para dizer que o governo (que, no máximo, representará 25% do eleitorado) quer eliminar paulatinamente os mais desfavorecidos.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

PULHAS, CANALHAS, RANHOSOS, CONSPIRADORES, TRASTES…




Melhor do que o título deste post é o texto de Valupi (que identifica os seus destinatários) publicado no "Aspirina B", relativo à excelente entrevista que Pinto Monteiro deu a Clara de Sousa, na SIC, que transcrevo:

"Pulhas, canalhas, ranhosos, conspiradores, trastes, políticos incapazes de fazerem política, políticos que acham que a política não passa da filha-da-putice por qualquer meio, oligarcas e gente séria. Passaram a odiar Pinto Monteiro porque ele foi um dos poucos que resistiu às maiores golpadas contra o poder eleito de que há memória em democracia, orquestradas através de polícias, magistrados, patrões da comunicação social e jornalistas.

Ao mesmo tempo, assistimos a uma absoluta complacência, inércia, impotência, de tudo e de todos, para o que Cavaco Silva fez em 2009 e cuja finalidade era a perversão de actos eleitorais. A disparidade de critérios nos hipócritas que quiseram derrubar Sócrates com campanhas negras, tentativas de assassinato de carácter e ameaças de tribunal e que nem sequer exigem explicações a Cavaco é, em si mesma, uma visão que até aos deuses mete noja."

Contudo, o pior aconteceu depois da entrevista, quando Mário Crespo e um dos seus convidados (José Luís Arnault) tentaram justificar o título deste post como "rótulos" deles próprios… Não conseguiram evitar a apresentação do seu verdadeiro rosto e das suas obsessões como o demonstra, eloquentemente, Estrela Serrano num post do seu blogue "VAI E VEM" que transcrevo parcialmente a seguir:

"Chegado o comentário dos convidados de Mário Crespo, José Luís Arnaut (JLA) esteve à altura da animosidade que figuras do PSD nunca esconderam relativamente a este Procurador. Tendo ele dito a Clara de Sousa que o lugar de PGR é um “lugar solitário”, logo JLA disse que ele se estava a queixar de “estar sozinho” porque tem más relações com a estrutura do MP, parecendo não perceber que o Procurador se referia ao facto de ser um órgão unipessoal. Logo depois aproveitou para comentar que o Procurador também já sabia os poderes que tinha pelo que não se queixasse (o procurador não se queixou apenas analisou). Como o Procurador tivesse dito que nenhum político lhe pediu o que quer que fosse em toda a sua vida de magistrado, JLA logo contrapôs que não era essa a ideia que passa, pelo contrário, e exemplificou com o facto de o Procurador ter respondido com muita pressa a perguntas de José Sócrates, parecendo assim que não era independente.  Depois de muito criticar o Procurador, lá elogiou a sua “seriedade e competência” (sem reparar na incoerência do que dizia, face ao que dissera antes).

(…) É então a vez de o moderador Mário Crespo insistir que  o procurador foi lesto na resposta a José Sócrates quando o processo ainda estava a decorrer…E criticou também o Procurador por ter más relações com a imprensa enquanto JLA condenava a excessiva visibilidade do Procurador.

Mas o que ambos não comentaram foi  o Procurador dizer que enquanto o caso Freeport esteve em segredo de justiça, as especulações e fugas não paravam mas agora que o processo está disponível para consulta ninguém escreve nada sobre ele.

Em suma:

O que os comentadores JLA e M. Crespo  queriam, e do que o acusam, é de o Procurador teimar em cumprir a lei."

Transcrevo e relato estes comentários sem ter assistido ao programa do Mário Crespo… As pessoas que o relatam merecem a minha credibilidade. Só que não me obriguem a ver um programa do Mário Crespo…
Não consigo, dá-me vómitos…

domingo, 5 de fevereiro de 2012

MANIPULANDO A HISTÓRIA


Quando um jornalista (no caso concreto, uma jornalista) quer ser a tal ponto protagonista na História que a manipula…
Quando, em vez de informar, este jornalista (esta jornalista) gera "concertações" para fazer informação ou adulterar a história deste País…
Quando um jornalista se "põe a jeito" para ser manipulado pelos poderosos deste mundo…
Quando este jornalista (esta) não é uma estagiária, mas uma "referência" do nosso jornalismo…

… E faz aquilo que fez… (leia aqui)

Percebe-se como chegou a este estado o jornalismo em Portugal; e podemos concluir que o nosso jornalismo não informa – forja a informação a difundir…

Que me desculpem os jornalistas honestos e eticamente correctos…!

Qualquer pessoa pode cair numa armadilha e agir involuntariamente contra os seus princípios; porém, quando toma conhecimento do erro, deve prontamente ressarcir-se do mesmo.

Se ela o tivesse feito, neste caso, teria dado tempo ao povo de se inteirar e ficar a saber quem são os poderosos e como agem na manipulação da história.

Não o fez…

Isto é grave!

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

METAMORFOSES


Sou um simples cidadão português que acreditou, em tempos, no respeito pelas pessoas. Acreditei que a humanidade já deveria ter aprendido com os seus erros: – guerras fratricidas com o intuito de assegurar a hegemonia de umas pessoas sobre as outras; tentativa de dominação de maiorias, por minorias exploradoras que pretendiam ter mais do que alguma vez poderiam gastar; subjugação a condições inferiores à de animais domésticos, de semelhantes seus que divergiam somente pela cor da pele, pela opção religiosa ou por serem naturais de uma zona geográfica pouco desenvolvida.

Com o crescer nos anos, fui aprendendo que o sentido da vida das pessoas era, embora diferente, o mesmo para quase todos – a ambição. O que mudava eram as metas dessa mesma ambição. Para uns seria a ambição de se realizarem na sua profissão, vocação, religião; outros, era valorizarem-se nas tarefas, ofícios e quaisquer misteres que se sentissem hábeis; outros, ainda, ambicionavam, a qualquer custo, serem poderosos, ricos e dominadores. Estes últimos foram sempre criticados publicamente, apodados de imorais e de desumanos, embora, convenhamos, eram muitos mais do que aparentemente se poderia pensar. A sua venalidade, porque é cívica e moralmente incorrecta, foi camuflada, ao longo dos tempos, em atitudes, actos e organizações aparentemente inócuas. Uns associaram-se em Organizações normalmente sérias e inocentes para, dentro delas, conspirarem e desenvolverem estratégias de poder pouco confessáveis que, na maior parte das vezes, são desconhecidos da própria Estrutura onde desenvolvem a sua actividade conspirativa; exemplos destes poder-se-ão ver em movimentos religiosos (ex.: Opus Dei), em movimentos cívicos (ex.: algumas obediências maçónicas), em clubes e partidos políticos, etc. De igual modo, há gente desta que se refugia em determinados grupos profissionais como os “Tudólogos” (analistas sabedores de todas as matérias relacionadas com todas as ciências no sentido de valorizarem a pseudo-ciência política). Mas, existe uma classe, ainda pior que a dos “tudólogos” – é a dos “jornalistas venais”.

É sabido e aceite que o jornalismo representa um verdadeiro poder. O poder do jornalista assenta na capacidade e determinação de informar. A informação isenta, desinteressada, honesta, ética e moralmente cautelar torna-se poder porque garante um sério e verdadeiro esclarecimento junto dos povos; porque permite acautelá-los das manobras que os condicionariam, se não houvesse a denúncia de eventuais manobras impróprias; porque, a par da justiça, são o garante da democracia. Porém, se o exercício da função de jornalista for desenvolvido por um “jornalista venal”, não há exercício de poder, mas sim exercício de dominação, conquista e exploração dos seus semelhantes; tornam-se, desta forma, os algozes assalariados dos opressores. Os “jornalistas venais” (que podem ter muitos outros nomes, como “assessor”, “conselheiro político”, “gestor de imagem”, etc.), na ânsia de agradarem aos seus donos, vão devorando tudo por onde passam e todos com quem convivem. Simplesmente não têm critérios, não têm opinião, não usam uniforme – são venais…

Pior do que “jornalista venal,” só “ministro da propaganda”…!

Felizmente, ainda existem jornalistas genuínos – a quem saúdo e presto a minha homenagem –, mas, já quase não há jornalismo em Portugal.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Anti-jornalismo

Estava a passar os olhos pelo jornal online Brasil 247 e reparei esta "chamada":


Pensei:

– No Brasil, há órgãos de Comunicação Social que ignoram e desrespeitam o dever de informar motivados por um sentimento – O Ciúme;

– Em Portugal, este dever é ignorado e desrespeitado quase sempre por canalhice, sabujice e/ou pulhice.

As motivações são outras…!

domingo, 11 de setembro de 2011

Contaminação metonímica

Estrela Serrano, no blogue que partilha com Azeredo Lopes, escreve: “as três manchetes do Correio da Manhã sobre “negócios” de familiares de José Sócrates publicadas nas últimas semanas recorrem à fotografia do ex-primeiro ministro, produzindo um efeito de ‘contaminação metonímica” ao criarem no leitor uma aproximação entre José Sócrates e os “negócios” do “tio” ou do “primo”´(ver aqui).
Só uma pessoa tão discreta, como a professora Estrela Serrano, se conseguiria conter na qualificação que atribui ao Correio da Manhã. Para mim, não tão circunspecto, chamaria a estas “filhas de putice” aquilo que, na realidade são – “filhas de putice”.
Não sei o que se poderá chamar aos profissionais que as redigem, nem à orientação editorial que norteia este pasquim. Não sei, mesmo…! Nem estou interessado em saber ou a prestar atenção a quem se “alimenta” do mal dos outros e regurgita veneno e ódio gratuitamente.
Sei como as pessoas (apesar da mórbida curiosidade que muitos têm e bastantes o lerem) ficaram aliviadas e agradecidas com o fim do “News of the World” – jornal que já tinha perdido todas as referências, o sentido de responsabilidade, etc. …
Para os mais distraídos (principalmente, para os que não lêem o CM), hoje, 11 de Setembro de 2011, passados 10 anos sobre o atentado às “Torres Gémeas”, reparem e comparem a notícia que o CM apresentou sobre esse atentado com a notícia e fotografia do familiar que – nada tendo com a vida privada dos seus tios e primos – aqui é retratado:


Podem chamar-lhe, até, contaminação metonímica; para mim chamar-lhes-ia… aquilo que vós também chamais.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

É preciso descaramento…

(Clicar na imagem par ver maior)

Se isto é verdade… (ver notícia aqui)

Nem sei o que escrever, tal é a minha revolta e indignação.
Assisti a muitas coisas esquisitas, tanto antes como depois do 25 de Abril de 74; mas, um desaforo destes, tão descarado e ignóbil, no que diz respeito à liberdade de informação e à não ingerência do Estado (principalmente, de quem o administra) na comunicação social… não me lembro…!
Basta!
É demais…!

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Manipulação da Informação (2)


É bom perceber, um pouco, as “10 estratégias de manipulação”, enunciadas por Noam Chomsky, e utilizadas pelas elites políticas para atrair o apoio inconsciente (ou irresponsável) dos meios de comunicação. Vejamos:
1. A estratégia da distracção – consiste em desviar as atenções dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e económicas; a técnica utilizada é a de injecção contínua de distracções e de informações sem importância.
2. Criar problemas e depois oferecer soluções – criam-se uma “situações” com o objectivo de causar certa reacção no público, para que este “suplique” por soluções. Assim, é legitimada a criação de remédios contrários aos interesses populares que, de outro modo, seria difícil fazer aprovar.
3. A estratégia da gradualidade – Aplicar lenta e gradualmente (a conta-gotas) uma medida (que na globalidade seria inadmissível) para que seja aceite como válida, ao fim de um certo tempo.
4. A estratégia do adiar – Para provocar a aceitação de uma decisão impopular é apresentá-la como “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no imediato, de uma aplicação prevista para o futuro.
5. Dirigir-se ao povo como a criaturas de pouca idade – Quanto mais se pretende iludir a opinião pública, mais frequente é a adopção de uma linguagem que rase a infantil. Técnica também utilizada em publicidade.
6. Utilizar o aspecto emocional muito mais que a reflexão – Usar e abusar do discurso emocional é uma técnica clássica para invalidar a análise racional; desta forma, neutraliza-se o sentido crítico das massas populares.
7. Manter o povo na ignorância e na mediocridade – Diferenciar a qualidade de formação a ministrar aos diversos estratos sociais, pois julgam que “a qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, para que a distância entre estas e as classes mais altas permaneça inalterada no tempo e seja impossível alcançar uma autêntica igualdade de oportunidades para todos.”
8. Estimular o público a ser complacente com a mediocridade – Fazer passar a ideia de que é moda a vulgaridade, a brejeirice e o calão; valorizar personalidades sem talento ou mérito, manifestando desinteresse pelos valores culturais e intelectuais; exagerar no culto do corpo, desvalorizando o do espírito e o zelo pessoal.
9. Reforçar o sentimento de culpa pessoal – O sentimento de co-responsabilidade nos acontecimentos inibe o povo de se revoltar. Por exemplo, para justificar medidas impopulares, co-responsabiliza-se o povo pelo despesismo das famílias, do País, etc.
10. Conhecer os indivíduos melhor do que eles mesmos se conhecem – os avanços da ciência geraram lacunas entre os saberes populares e os utilizados pelas elites dominantes, de tal modo que o povo se sente impossibilitado de agir, com medo de ser descoberto, “mesmo antes de pensar”.


domingo, 7 de agosto de 2011

Manipulação da Informação

Noam Chromky, nascido nos EUA (Filadélfia, 7 de Dezembro de 1928), é um linguista, filósofo, activista político e professor no Instituto de Tecnologia de Massachusets (MIT).
Entre outras coisas, o seu nome está associado ao estudo das propriedades matemáticas das linguagens formais e combinam uma abordagem matemática dos fenómenos da linguagem, com uma crítica ao behaviorismo, na qual a linguagem é conceptualizada como uma propriedade inata do cérebro (mente) humano, contribuindo, de forma extraordinariamente importante, para a formação da psicologia cognitiva, no domínio das ciências humanas.
Para além da investigação e do ensino da linguística, Chomsky é, também, conhecido através das suas posições de âmbito político, psicológico e social.
Um dos muitos trabalhos importantes de Chomsky é a análise dos meios de comunicação de massa, das suas estruturas, das suas restrições e do seu papel no apoio aos interesses das grandes empresas e dos governos.
Embora diferentes dos sistemas políticos totalitários (nos quais a força física pode ser facilmente usada para coagir a população), as sociedades ditas democráticas precisam de impor, apesar de tudo, meios de controlo bem menos violentos. Numa frase frequentemente citada, Chomsky afirma que “a propaganda representa para a democracia aquilo que o cassetete significa para os estados totalitários.”
Em síntese, poder-se-á considerar que este princípio deriva da existência de cinco filtros que todas as notícias deveriam ultrapassar antes de serem publicadas e que, combinados, distorcem sistematicamente a cobertura das notícias pelos meios de comunicação. São eles:
1º Filtro – o da propriedade dos meios de comunicação – deriva do facto dos principais meios de comunicação pertencerem a grandes empresas.
2º Filtro – o do financiamento – deriva do facto dos principais meios de comunicação obterem a maior parte de sua receita não de seus leitores mas sim de publicidade (que, claro, é paga pelas grandes empresas).
3º Filtro é o caso dos meios de comunicação dependerem fortemente das grandes empresas e das instituições governamentais como fonte de informações para a maior parte das notícias. Isto também cria um constrangimento sistémico contra a sociedade.
4º Filtro é o ataque realizado por vários grupos de pressão que procuram as empresas dos meios de comunicação para pressioná-las, caso saiam duma linha editorial que esses grupos julgam mais de acordo com seus interesses do que com os da restante sociedade.
5º Filtro – normas da profissão de jornalista – refere-se aos preconceitos disseminados pelos que estão na profissão de jornalista.
O modelo descreve como os meios de comunicação formam um sistema de propaganda descentralizado e não conspiratório (na grande maioria dos casos, pois nem é necessário) que, no entanto, é extremamente poderoso. Esse sistema cria um consenso entre a “elite” da sociedade relativamente aos assuntos de interesse público, estruturando esse debate numa aparência de consentimento democrático, mas que visa tão-somente os interesses dessa elite.
No entanto, isso é feito às custas da sociedade como um todo que, naturalmente, é composta por mais pessoas do que aquelas que compõe a sua elite.
Oportunamente falarei das “10 estratégias de manipulação” que foram desenvolvidas e analisadas por Noam Chomsky.

domingo, 26 de junho de 2011

O Novo nome da Censura

O Expresso publicou, na sua última edição, um novo Estatuto Editorial.
Daquilo que tenho aprendido sobre o Expresso, do valor e nobreza de alguns dos seus jornalistas e da iniquidade e venalidade de uma outra grande parte deles, deixa-me, mais uma vez (já deveria ter aprendido…), perplexo. Ou será, tão-somente, para apregoar que têm um novo director – Ricardo Costa – e este, como “podem ver” é diferente dos anteriores.
Não quero falar muito dos “pregões jornaleiros” que a maioria dos órgãos de comunicação usa. Todavia, o ponto 7 do seu novo editorial deixa-me preocupado, porque, quer queiramos ou não, gostemos ou detestemos, o Expresso é (ainda) um semanário de referência.
(…) “7. O Expresso sabe, também, que em casos muito excepcionais, há notícias que mereciam ser publicadas em lugar de destaque, mas que não devem ser referidas, não por auto-censura ou censura interna, mas porque a sua divulgação seria eventualmente nociva ao interesse nacional. O jornal reserva-se, como é óbvio, o direito de definir, caso a caso, a aplicação deste critério” (do Estatuto Editorial).
·       
·         Isto não é censura?
·         Então, que outro nome se dá a isto?
·         Querem tapar os olhos com a peneira?
·         Julgam que quando têm conhecimento de alguma informação (como dizem, nociva ao interesse nacional) ela já não é do conhecimento de todo o mundo estrangeiro e dos seus órgãos de comunicação social (para não falar dos seus serviços de inteligência)?
·         E como o jornal se reserva o direito de definir a aplicação deste critério, se calhar, deveria chamar-se O Esclarecido, em vez de Expresso.
·         Ou será que o interesse é outro…?
No mínimo, sigam o exemplo de uma referência do Expresso e seu director-adjunto – Nicolau Santos – que, no caderno Economia, depois de desejar felicidades ao governo agora empossado, escreve o seguinte (página 5): “ (…) Daí a criar-se uma unanimidade nacional e a quase proibição de reparos ou críticas ao Governo vai um passo de gigante que o jornalismo livre e independente não pode nem deve aceitar”.
E mais havia para dizer…

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Informação em Portugal

Às 22:00 fiz uma breve viagem por quatro jornais online, da nossa praça, na presunção de que encontraria informação suplementar sobre a triste figura que Pedro Passos Coelho e o seu convidado Fernando Nobre tiveram no processo eleitoral.
Caso não saibam (os jornais também o não relembram) PPC tinha prometido o cargo de Presidente da Assembleia da República a FN, se este encabeçasse a lista de candidatos a deputados, por Lisboa, do PSD. Enfim, não pôde cumprir porque não é o dono do Parlamento…

A informação do Diário de Notícias era:


A do Jornal de Notícias era:


A do Público era:


A do Expresso era:


Todavia, a do el País (Espanhol) rezava assim:

“El nuevo gobierno de centro-derecha portugués empieza con mal pie
Fernando Nobre, apuesta personal de Passos Coelho para presidir el parlamento, no ha obtenido los votos necesarios para el puesto

FRANCESC RELEA - Lisboa - 20/06/2011

El nuevo primer ministro de Portugal, Pedro Passos Coelho, del conservador Partido Social Demócrata (PSD), ha sufrido esta tarde el primer revés político, a menos de 24 horas de la toma de posesión del Gobierno de coalición de centro-derecha. El independiente Fernando Nobre, candidato del PSD y apuesta personal de Passos Coelho para presidir la Asamblea de la República (Parlamento), no ha obtenido los votos necesarios para el puesto, en la primera sesión de la nueva legislatura. Nobre ha perdido dos votaciones consecutivas, en las que ha obtenido 106 y 105 votos, inferiores a los 116 necesarios, mitad más uno de los 230 diputados del Parlamento unicameral. En una breve declaración, Nobre ha anunciado que tiraba la toalla. "Entiendo que no reúno las condiciones para someterme a una tercera votación. Seguiré ejerciendo mis funciones de diputado.
Nobre no ha logrado ni todos los votos de los 108 diputados del PSD, y no ha conseguido ni uno del derechista Centro Democrático Social (CDS), el aliado en la nueva mayoría parlamentaria, ni de los tres partidos de oposición, Socialista (PS), Comunista (PCP) y Bloco de Esquerda (BE).
No hay antecedente en los 35 años de la historia de la Asamblea de República de un candidato a presidente que es rechazado en dos votaciones secretas y consecutivas. El PSD, vencedor de las elecciones legislativas del pasado 5 de junio, propondrá mañana a la Cámara un nuevo candidato a presidente, a quien corresponde las funciones del presidente de la República cuando éste está fuera de Portugal.
Más que una derrota de Nobre, el rechazo expresado por la mayoría de diputados es una derrota personal de Passos Coelho, que no augura un camino fácil al nuevo gobierno de coalición del PSD y el CDS, de Paulo Portas, próximo ministro de Exteriores. En las negociaciones sobre el acuerdo de gobierno entre los partidos conservadores Portas mantuvo un rechazo frontal a la candidatura de Nobre para presidir el Parlamento. Ante la dificultad para lograr un acuerdo, el asunto quedó al margen del pacto PSD-CDS. Los otros partidos parlamentarios, todos a la izquierda, socialistas, comunistas y Bloco de Esquerda, también habían adelantado su rechazo a la figura de Nobre. No ha sido, pues, ninguna sorpresa el resultado de la votación de hoy contra este médico de 59 años, fundador de la ONG Asistencia Médica Internacional, que encabezó una candidatura independiente en las elecciones presidenciales de enero pasado.

E um pouco diferente...! Não é?

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

A teoria da conspiração

Governar, em democracia, é o exercício do poder do povo, delegado num seu representante. Este poder pode ser condicionado, parcial, relativo ou quase absoluto (quando a maioria é quase total, o que, felizmente, em Portugal, nunca aconteceu; há sempre uma relatividade); todavia, sê-lo-á enquanto o povo – e só o povo –, o permitir.

O povo elege o Presidente da República e, neste caso, sempre com maioria absoluta dos votantes (isto é, daqueles que querem participar na gestão dos seus interesses). O mesmo povo elege o Parlamento – O Poder Legislativo –, na proporção que a sua sabedoria o entende. Este mesmo povo sabe que é desse Parlamento que sairá a constituição do Governo – o Poder Executivo – e de tal maneira o sabe que as campanhas eleitorais são definidas, na maior parte das vezes, em função da escolha da competência do futuro Primeiro-ministro.

Dos quatro poderes constituídos na nossa democracia, três são eleitos, directa ou indirectamente. São eles:

1º Presidente da República – O mais alto representante da Nação, o garante das instituições;

2º O Parlamento – o Poder Legislativo, de cuja votação sai a escolha do Primeiro-ministro que formará

4º O Governo – o Poder Executivo.

Embora não querendo referir-me a ele, nesta crónica, especificamente (porque não é objectivo deste documento), não posso deixar de mencionar o 3º Poder Constitucional – O Poder Judicial – que não está sujeito ao escrutínio do Povo.

Todavia, embora fundamental para a vida de uma sociedade democrática, existe um outro poder não eleito – a Comunicação Social –, o poder da Informação. Este poder é vital para garantir a sanidade da democracia; mas, quando manipulado, adulterado, conspurcado com a falta de ética e destituído de honra, torna-se numa das mais perniciosas armas de destruição das democracias. Mais, ainda: é em momentos de crise, resultante da vulnerabilidade do homem, e não do jornalista, que a utilização de falsos profissionais (pois entendo que não há maus profissionais – ou há profissionais com honra, coragem e ética, ou, simplesmente, não há profissionais) põem em perigo e minam a democracia, tentando desacreditá-la ou anunciando falsos salvadores.

Exemplo de alguns falsos jornalistas poder-se-á encontrar naqueles que, por tanto apregoarem uma ideia, uma teoria, um conceito ou uma ideologia que lhes foi passada a troco de regalias sociais, financeiras ou outras, se tornam seus arautos, evangelizadores e, inconscientemente, seus seguidores – os emissários da mentira. Todos e cada um de nós conhecemos exemplos personificados desses emissários, não é necessário fazer uma lista.

Tentando contrariar este meu sentir pela classe jornalística (quase acredito – em extinção), têm-me tentado justificar os seus comportamentos com:

I. “…são miúdos novos, inexperientes, a quem os põem a tratar assuntos, para os quais não estavam preparados…”;

II. “…eh pá, não há dinheiro para pagar a jornalistas mais experientes…”;

III. “…têm de fazer o que lhes mandam, senão… sabe como é… desemprego… etc. …”;

Mas, porra…! Eu sou do tempo…

Esqueci-me de dizer, metade da minha vida foi passada no anterior regime, combatendo-o e lutando pela liberdade. Nesse tempo, havia muitos falsos profissionais, mas havia jornalistas. Estes, os jornalistas (que não os falsos profissionais), se ainda vivos, devem sentir uma revolta e uma frustração tão grande; questionar-se-ão, como eu o faço muitas vezes: “o que aconteceu, que não conseguimos deixar as sementes da dignidade, da honra, da coragem e da ética?” …

É legítimo pensar (pelo menos, julgo que uma pessoa, em Portugal, ainda pode pensar, sem que este acto seja considerado crime) que os órgãos de comunicação não estão, directa ou indirectamente, dependentes do Eng.º José Sócrates.

Porquê? – É simples:

1. Só um masoquista, tendo possibilidade para o impedir, permitiria que, diária e sistematicamente, fosse massacrado com as atoardas como aquelas de que José Sócrates é vítima; estas difamações e calúnias com que é presenteado constantemente e, mais intensamente, nos momentos mais críticos, vão desde a rotulagem de homossexual, corrupto, vigarista, etc., até à de conspirador contra o estado… A baixeza das acusações de que é vítima é notória. Penso que o Primeiro-ministro não é masoquista; logo, caso controlasse a comunicação social, como dizem, não permitiria tal estado de coisas.

2. Somente um fundamentalista religioso ou pacifista imperfeito, tendo capacidade para o conter, aceitaria de bom grado ser enxovalhado e agredido, quase diariamente, nos órgãos de comunicação social. Como é do domínio público, José Sócrates não é fundamentalista religioso (daqueles que “quando vos baterem numa face, oferecei a outra…”), nem tampouco pacifista (ele gosta de lutar pela sua honra, e julgo que é um direito inalienável que lhe assiste; a ele e a todos nós). Se assim é, por que motivo, caso fosse um influente manipulador dos Órgão de Comunicação, consentiria nas permanentes e desgastantes campanhas orquestradas contra ele.

Por favor, parem e pensem: – Quem são o verdadeiros e genuínos donos dos órgãos de informação?

Vejam a diferença entre jornais e revistas que são propriedade do Sr. Fulano. Porque escrevem e notificam estes e aqueles assuntos? Que diferenças existem entre o jornal tal e aquele outro?

De uma coisa tenho a certeza: – Nenhum proprietário de Órgão de Informação, nenhuma Personalidade Influente num órgão de informação nem nenhum Poderoso da Comunicação Social fala mal de si, nem contra si próprio. Porque o faria o Eng.º José Sócrates?

Conquanto não necessite justificar-me, quero esclarecer que não sou amigo do Engenheiro José Sócrates nem sou filiado no Partido Socialista, embora os respeite.

Se, por acaso ou simples presunção minha, alguém pretender rotular-me, façam-no com justiça e atribuam-me uma correcta classificação – Lutador anti-fascista e pela Liberdade.