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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A MORTE ANUNCIADA DE QUEM TRABALHA




"Encontrou-se, em boa política, o segredo de fazer morrer de fome aqueles que, cultivando a terra, fazem viver os outros."

[Voltaire (pseudónimo de François-Marie Arouet) – 21/11/1694 - 30/5/1778].


Adaptando a Portugal (238 anos após a morte de Voltaire), poder-se-á dizer:

O Governo de Passos Coelho, apoiado pela Troika, encontrou o segredo de fazer morrer de fome (em Portugal) aqueles que, espoliados dos seus direitos, fazem viver os outros…

Nós, indignados e espoliados, começámos a fazer parte daqueles 99% de pessoas que, no mundo inteiro, estão a ser expulsas das suas casas; são forçadas a escolher entre comprar mantimentos ou pagar renda de casa; estão privadas de cuidados médicos; são, mesmo apesar de tudo, roubadas nos seus salários de miséria; trabalham longas horas por míseros ordenados e sem quaisquer direitos.

Enquanto isto, 1% da população tem tudo – 1% da população possui 99% da riqueza que deveria ser partilhada por todos.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Pouca, a sorte dos portugueses



Porque é que o Parlamento da Eslováquia ratificou o alargamento do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF)?

Ao fazê-lo, provocou a queda do Governo centro-direita da primeira-ministra Iveta Radicova, evitou o ataque cardíaco de Passos Coelho e afastou a hipótese de termos de substituir o nosso primeiro-ministro (ou avançarmos para eleições antecipadas).

Somos, de facto, um País de pouca sorte…

terça-feira, 20 de setembro de 2011

E agora, a JUSTIÇA…

A ser verdade a denúncia do bastonário da Ordem dos Advogados – coisa que facilmente acredito, dada a honorabilidade que o Dr. Marinho Pinto tem demonstrado e a coragem que tem evidenciado nas suas denúncias – clamar por justiça, a breve prazo, será inviável para as pessoas economicamente mais desfavorecidas e impossível na arbitragem de conflitos contra os poderosos.
A exemplo de outras “desgraças” que, gradualmente, se nos vão deparando, este governo parece que apostou em destruir os valores (pilares) da nossa democracia – a igualdade de direitos e de obrigações. Apesar de todas as dificuldades, o nosso Serviço Nacional de Saúde ia funcionando bem e, na Justiça, contávamos com a possibilidade (o direito) de constituirmos um advogado, mesmo que não tivéssemos posses para tal.

É importante que se leia o artigo completo do Bastonário da Ordem dos Advogados (aqui).
Já se começou a destruir a Justiça…?

domingo, 4 de setembro de 2011

Morituri te salutant


O Sr. Primeiro Ministro avisou-nos, ameaçou-nos, eu sei lá… (veja aqui)
Avisou “(…) quem se entusiasme muito com as redes sociais e com o que vêem lá fora esperando trazer o tumulto para as ruas de Portugal(…)” e, apesar de reconhecer (pelo menos formalmente) o direito à manifestação e à greve, ameaçou, com velada intimação, “(…) não confundiremos o exercício dessas liberdades com os que pensam que podem incendiar as ruas e ajudar a queimar Portugal…”
Muito bem, Sr. Primeiro Ministro!
Resta-nos continuar com o “espectáculo” e saudar, como faziam os gladiadores no Circo em Roma, aprontando-se para morrer – AVE CESAR, MORITURI TE SALUTANT (Salve César, aqueles que vão morrer saúdam-te).
Praticamente, estamos condenados a morrer na miséria: de fome, sem abrigo ou por falta de saúde…
Sr. PM, o povo não vai – quais gladiadores romanos – digladiar-se; mas, pode ter a certeza, combaterá pela sua sobrevivência e pela sua dignidade.
Não é o povo quem está a queimar Portugal… Não somos nós…!

Morituri te salutant!

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Desabafo…(2)


Estou farto deste governo! – (Por enquanto ainda posso dizer coisas destas).
Roubam-nos as expectativas
·  de podermos pagar algumas das nossas dívidas com o subsídio de Natal;
·  de cumprir as promessas aos nossos filhos (que já nem estes acreditam no Pai Natal) de lhes darmos aquele “joguito” no Natal, ou aquela roupa que já há tanto esperam, ou… sei lá que mais;
·  de conseguirmos um emprego, procurado já lá vão 3 ou mais anos;
·  de termos um filho a estudar na universidade, fora do local da nossa residência, porque não existe aqui o curso de que gosta e tem vocação…

Estamos condenados a passar fome, a morrer por falta de assistência médica ou medicamentosa, a ter de sair da escola (voltando, novamente, a ser um povo analfabeto, inculto e destinado a tarefas de servilismo outrora predestinado).
Este governo já quase destruiu, quase irremediavelmente, a esperança que o 25 de Abril de 1974 nos devolveu.
E, ainda por cima, vem o PM dizer o fim do regime de Muammar Kadhafi na Líbia foi “uma espécie de 25 de Abril”.

Só se foi porque a ONU, em 2007, constatou que a Líbia do tal Kadhafi tinha:

O maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da África (até há bem pouco tempo, maior que o do Brasil);

O ensino gratuito, até à Universidade;

10% dos alunos universitários a estudarem na Europa, EUA, com tudo pago;

Como incentivo, ao casar, o casal recebia até 50.000 US$ para montar casa;

Um sistema médico gratuito, rivalizando com os europeus e americanos.

A facilidade de empréstimos, pelo banco estatal, sem juros.

Ou, então, é uma premonição do futuro da Líbia, por analogia com o actual estado da governação da nossa democracia.
Ainda não têm 100 dias de governo e já estou tão farto e, até certo ponto, desiludido, pois nunca esperei que, apesar de tudo, chegassem a tanto…

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Que mal cuide em perguntar… (III)



Porque será que as más notícias, como
o anúncio da expropriação de 50% do subsídio de natal,
o aumento do IVA na electricidade e no gás natural,
a confirmação do desvio de 1,5% do PIB em relação à meta de 5,9%,
a apresentação do documento de estratégia orçamental 2011 – 2015
e muitas outras matérias relacionadas com as mentiras apregoadas na campanha eleitoral são sempre anunciadas durante as ausências do Primeiro-Ministro?

Para quem é... Qualquer coisa serve...



Ontem, de uma forma mais ou menos irónica, escrevi um post. Hoje, vejamos…
A Portaria nº 262/2011, de 31 de Agosto, do Ministério da Solidariedade e da Segurança Social (que pode ser consultada aqui) diz no seu preâmbulo:
1.         
“As famílias e as estruturas sociodemográficas têm vindo a alterar-se substancialmente, assistindo -se a uma quebra na rede de apoio familiar e de vizinhança e ao predomínio das famílias nucleares em detrimento das famílias alargadas.
Estes fenómenos sociais têm provocado mudanças no exercício das funções familiares, levando à procura de soluções complementares para os cuidados de crianças fora do espaço familiar.”

Mais à frente reza(5º e 6º §), ainda:
2.         
“De facto, é manifesto o desajustamento entre o enquadramento normativo em vigor, consubstanciado no Despacho Normativo n.º 99/89, de 27 de Outubro, e a crescente preocupação ao nível da qualificação da creche.
Assim, e no âmbito do modelo de inovação social consignado no Programa do XIX Governo Constitucional”…

E, por fim ainda no mesmo preâmbulo, escreve:
3.         
“Foram ouvidas as entidades representativas das instituições.”

Deste arrazoado todo, ressaltam algumas questões que gostaria de pôr ou de ser esclarecido:
a)    O quê ou quais são “as estruturas sociodemográficas” referidas em 1.?
b)    O que são “famílias nucleares”, também referido em 1. ?
c)    Quais são os “fenómenos sociais” que “têm provocado mudanças no exercício das funções familiares”, referido, do mesmo modo, em 1.?
d)    Será que verdadeiro motivo tem a ver com “a crescente preocupação ao nível da qualificação da creche”, Referida em 2.?
e)    Porque chamam “modelo de inovação social”, àquilo que andam a fazer, como escrevem em 2.? – É preciso descaramento!
f)     Quando dizem “foram ouvidas as entidades representativas das instituições” (em 3.), a quem se referem? Quem foram essas entidades? E que instituições são essas?

… Há muito mais que fica por dizer.


terça-feira, 30 de agosto de 2011

Desabafo


Não é necessário recorrer aos pensamentos profundos das filosofias orientais, Zen, Budistas, Confucionistas, actualmente tão em moda, embora não estejam na génese da nossa cultura, para ostentarmos os ensinamentos da simplicidade e da vontade própria.
O Livro de Ben Sira (também conhecido na Bíblia como Eclesiástico), escrito 180 anos antes de Cristo – esse, sim, da nossa tradição judaico-cristã –, já o ensinava:
“Se quiseres, meu filho, ficarás instruído e, se te empenhares, tornar-te-ás hábil.
Se gostas de escutar, aprenderás; e se deres ouvidos, tornar-te-ás sábio.
Frequenta a companhia dos anciãos e apega-te a quem for sábio.”
[Ben Sira (ou Eclesiástico) 6, 32-34]

Porque será que este governo não escuta, não dá ouvidos e foge do convívio dos mais velhos…?
Se é verdade que o Povo é sábio (chavão que interessa quando o voto lhes é favorável), porque o afasta e hostiliza?
Desta forma, este governo não aprenderá e, muito menos, se tornará sábio.
Quanta falta nos faz ter um governo sábio, instruído e hábil…!

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Retirar “fortunas” a quem recebe “miseravelmente”


(carregue para ver aumentado)

Não quero fazer juízos de valor sobre o rendimento declarado pelos nossos ministros (leia aqui).
Todavia, atendendo à grandeza dos números declarados, permite-nos congeminar que os trabalhos que faziam deveriam ser extraordinariamente extenuantes, de uma complexidade inigualável e de uma incomensurável responsabilidade.
Percebo agora que, pelo desgaste a que foram submetidos antes de tomarem posse no governo, tenha havido a necessidade de gozarem umas merecidas férias para descansarem (embora o Primeiro Ministro tivesse afirmado que não iria haver férias para ninguém…).
Apesar de não querer fazer juízos de valor, não posso deixar de considerar, no mínimo, obsceno.
Não! Não me refiro às importâncias auferidas, mas ao descaramento que têm, agora, em retirar “fortunas” a quem recebe “miseravelmente”.
Faz-me lembrar Maria Antonieta que, a caminho do cadafalso, perguntava porque é que o povo gritava; e concluiu: “Se têm fome, porque não comem uns ‘brioches’”…?
Como Maria Antonieta, este governo dirá: “Se não têm emprego ou ganham pouco, porque não vão trabalhar e ganhar como nós o fazíamos…?”