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quinta-feira, 22 de junho de 2017

VALE TUDO



Para quem ainda não acredita na manipulação da informação.
Contributo para compreender a ética deontológica do jornalismo em Portugal.

Percebe-se, agora, como se consegue ter no ar, durante mais de uma hora, jornalistas e comentadores a falar da queda de um avião, sem sequer confirmarem o desastre. A sede de sangue é tanta que nem se confirma a origem ou a veracidade da notícia.

Qual o objectivo?




«Nos últimos dias, à semelhança de toda a imprensa espanhola, o El Mundo (Espanha) tem publicado inúmeras notícias sobre o incêndio de Pedrógão Grande. Mas ao contrário da generalidade dos jornais, como o El Pais e outros que o têm feito de forma neutra, o El Mundo tem publicado textos, sem excepção, que demonstram uma orientação claramente anti-governamental e que procuram atribuir responsabilidades a António Costa, Ministros e autoridades portuguesas.

Alguns exemplos: “Caos no maior incêndio da história de Portugal: 64 mortos, um avião-fantasma e 27 aldeias evacuadas.”, “gestão desastrosa da tragédia”, "A evidente falta de coordenação entre as autoridades, provocou uma enxurrada de críticas à gestão do desastre por parte do Governo do primeiro-ministro António Costa, e em particular da ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, a menos de quatro meses das eleições legislativas.”

O caso atinge mesmo proporções políticas colossais. Não só é sugerido que o caso pode fazer cair ministros e até todo o governo, sugere ainda que pode mesmo “pôr fim à carreira política de António Costa.” É este o clima que o El Mundo diz que se vive em Portugal.

A torrente de notícias duras e o tom crítico não tardaram a chegar a Portugal, e a imprensa portuguesa, na sua maioria, deu eco às críticas do El Mundo: Sábado, SIC Notícias, Jornal Económico, Observador, Expresso, Correio da Manhã são exemplos de órgãos que foram publicando notícias sobre aquelas notícias. Casos destes são frequentes: recorrer à imprensa internacional para validar posições sobre questões internas; ver o que “o que se anda a dizer de nós lá fora” e, se disserem mal, há quase automaticamente um enorme potencial mediático.

O autor de todos estes textos do El Mundo é sempre o mesmo: Sebastião Pereira. E é justamente aqui que o problema começa. Até ao último Sábado, Sebastião Pereira nunca tinha escrito um único texto no El Mundo ou em qualquer outro órgão de comunicação social português ou espanhol. Uma conclusão que resulta de uma pesquisa em todos os arquivos online. Não há também qualquer registo com o nome de Sebastião Pereira na Comissão da Carteira Profissional de Jornalista (CCPJ), a única instituição que pode habilitar jornalistas portugueses a exercer a profissão em Portugal. Nas redes sociais, nas escolas de jornalismo e entre jornalistas que estiveram no local do incêndio, ninguém sabe ou ouviu falar de tal nome.

Segundo o El Mundo, Sebastião Pereira é um freelancer a actuar em Lisboa, que, no Sábado, se ofereceu directamente ao jornal para fazer a cobertura dos incêndios florestais de Pedrógão Grande, aproveitando para isso o facto de já estar pela zona.

É este o estranhíssimo caso de Sebastião Pereira, o jornalista-fantasma.

Neste momento, e depois de investirmos algumas horas no assunto, podemos afirmar com segurança que o "jornalista português Sebastião Pereira" não existe, logo:

1. Ou Sebastião Pereira não é jornalista e, usando o seu nome próprio ou um pseudónimo, enganou um dos maiores jornais espanhóis e a imprensa portuguesa foi de arrasto num enorme logro.

2. Ou Sebastião Pereira é um jornalista português com carteira (ou carteira de estagiário) que está a usar um pseudónimo para dissimular a sua verdadeira identidade (na consciência, talvez, de que a verdadeira identidade cortaria a corrente mediática que se formou e que deu origem às notícias em Portugal)

3. Ou o El Mundo está a enganar todos os seus leitores e não contratou nenhum jornalista, estando apenas a reproduzir textos de outros órgãos, criando a assinatura de uma personagem fictícia.

Em qualquer das hipóteses, o caso é gravíssimo por várias razões. Desde logo, porque podemos já dizer que grande parte da imprensa portuguesa foi caixa de ressonância de uma notícia que tem, no mínimo, um problema de consistência enorme no plano da autoria. Mas pode ainda ser mais grave, dependendo do que vier a saber-se a partir deste preciso momento.

Entendemos que o El Mundo tem de dar explicações sobre este caso, identificando inequivocamente Sebastião Pereira. Tem de dar explicações urgentes. É nesse sentido que propomos a todos os nossos seguidores que nos ajudem a contactar Paco Rosell (Diretor) e Silvia Roman (Jefa Sección Internacional), para que ambos se pronunciem sobre o que se está a passar.




quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

MEDIA


Só quero perceber a nossa comunicação social…


O Público online escreve que o advogado de José Sócrates apresentará o recurso da prisão preventiva “ilegal” na segunda-feira;




O Jornal I online, no mesmo dia (11 de Dezembro) informa que o requerimento já foi entregue na quarta-feira:




O Diário de Notícias online informa que segunda-feira será apresentado em mão, pelo advogado de José Sócrates , o recurso da prisão preventiva:




O Jornal de Notícias informa que o requerimento foi entregue nesta quinta-feira.




Em que ficamos…? É quarta, quinta ou segunda-feira?

Decidam-se!





quarta-feira, 1 de maio de 2013

INFORMAÇÃO OU DESINFORMAÇÃO





Esta é a situação da imprensa, segundo a Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragem e Circulação. Dados de Janeiro-Fevereiro de 2013.

Dá que pensar:

- Quem vende mais?
- Qual a razão…?
- Qual o público-alvo?
- Que tipo de informação é produzida…?


Seria bom perder um pouco de tempo e debruçarmo-nos sobre os números e gráficos apresentados. Talvez compreendêssemos como é possível que um governo como este que temos ainda se mantém no poder…



sábado, 24 de março de 2012

A AMBIÇÃO SEDUZ e O PODER CORROMPE…




Não é estranho que dois dias depois da carga policial, a 1ª pagina do Expresso apresente um vazio por baixo do título "Gaspar corta salários de banqueiros para metade"?

Gostava de saber o que lá estava antes para, tão sem falta de jeito, branquearem a agressão policial e desaproveitarem a página mais importante de um jornal – a 1ª página.

Será que o motivo é o de homenagear o patrão – sócio nº 1 do partido que, hoje, está em congresso…?

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

PULHAS, CANALHAS, RANHOSOS, CONSPIRADORES, TRASTES…




Melhor do que o título deste post é o texto de Valupi (que identifica os seus destinatários) publicado no "Aspirina B", relativo à excelente entrevista que Pinto Monteiro deu a Clara de Sousa, na SIC, que transcrevo:

"Pulhas, canalhas, ranhosos, conspiradores, trastes, políticos incapazes de fazerem política, políticos que acham que a política não passa da filha-da-putice por qualquer meio, oligarcas e gente séria. Passaram a odiar Pinto Monteiro porque ele foi um dos poucos que resistiu às maiores golpadas contra o poder eleito de que há memória em democracia, orquestradas através de polícias, magistrados, patrões da comunicação social e jornalistas.

Ao mesmo tempo, assistimos a uma absoluta complacência, inércia, impotência, de tudo e de todos, para o que Cavaco Silva fez em 2009 e cuja finalidade era a perversão de actos eleitorais. A disparidade de critérios nos hipócritas que quiseram derrubar Sócrates com campanhas negras, tentativas de assassinato de carácter e ameaças de tribunal e que nem sequer exigem explicações a Cavaco é, em si mesma, uma visão que até aos deuses mete noja."

Contudo, o pior aconteceu depois da entrevista, quando Mário Crespo e um dos seus convidados (José Luís Arnault) tentaram justificar o título deste post como "rótulos" deles próprios… Não conseguiram evitar a apresentação do seu verdadeiro rosto e das suas obsessões como o demonstra, eloquentemente, Estrela Serrano num post do seu blogue "VAI E VEM" que transcrevo parcialmente a seguir:

"Chegado o comentário dos convidados de Mário Crespo, José Luís Arnaut (JLA) esteve à altura da animosidade que figuras do PSD nunca esconderam relativamente a este Procurador. Tendo ele dito a Clara de Sousa que o lugar de PGR é um “lugar solitário”, logo JLA disse que ele se estava a queixar de “estar sozinho” porque tem más relações com a estrutura do MP, parecendo não perceber que o Procurador se referia ao facto de ser um órgão unipessoal. Logo depois aproveitou para comentar que o Procurador também já sabia os poderes que tinha pelo que não se queixasse (o procurador não se queixou apenas analisou). Como o Procurador tivesse dito que nenhum político lhe pediu o que quer que fosse em toda a sua vida de magistrado, JLA logo contrapôs que não era essa a ideia que passa, pelo contrário, e exemplificou com o facto de o Procurador ter respondido com muita pressa a perguntas de José Sócrates, parecendo assim que não era independente.  Depois de muito criticar o Procurador, lá elogiou a sua “seriedade e competência” (sem reparar na incoerência do que dizia, face ao que dissera antes).

(…) É então a vez de o moderador Mário Crespo insistir que  o procurador foi lesto na resposta a José Sócrates quando o processo ainda estava a decorrer…E criticou também o Procurador por ter más relações com a imprensa enquanto JLA condenava a excessiva visibilidade do Procurador.

Mas o que ambos não comentaram foi  o Procurador dizer que enquanto o caso Freeport esteve em segredo de justiça, as especulações e fugas não paravam mas agora que o processo está disponível para consulta ninguém escreve nada sobre ele.

Em suma:

O que os comentadores JLA e M. Crespo  queriam, e do que o acusam, é de o Procurador teimar em cumprir a lei."

Transcrevo e relato estes comentários sem ter assistido ao programa do Mário Crespo… As pessoas que o relatam merecem a minha credibilidade. Só que não me obriguem a ver um programa do Mário Crespo…
Não consigo, dá-me vómitos…

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

PODER DISCRICIONÁRIO



Depois de ver as imagens da TVI, não sei o que me indigna mais; se:

a) …a forma conspirativa como estes dois "artistas" se apresentam;
b) …a altivez da "raça superior" do ministro alemão;
c) …a postura "servil" do nosso "ministro do orçamento".


Poderia equacionar, ainda, a forma como a notícia foi conseguida e a oportunidade da sua divulgação, mas não o faço. Pior… fiquei tristemente desiludido (apesar de saber que a postura de um diplomata e embaixador deva ser diferente do comum dos mortais) com o post do Sr. Embaixador Seixas da Costa no seu blogue "duas ou três coisas". Afinal, para o Sr. Embaixador, a liberdade está balizada entre os políticos "respeitáveis" e a denúncia dos seus comportamentos; a liberdade e obrigação de informar deverá "respeitar" interesses instalados e reconhecidos, não devendo desmascarar os seus intérpretes. Será isto…?

O Sr. Embaixador desiludiu-me…! Já começa a haver muita gente que, dadas as circunstâncias e os seus comportamentos, me começam a desiludir…! outros continuam a fazê-lo…

Quer em Portugal, quer na Alemanha, as pessoas (aquela gente que quando interessa lhe chamamos povo) têm o direito de saber como se comportam os seus governantes e a forma manipuladora como exercem o poder. Ao jornalista compete informar – agrade ou não…

domingo, 5 de fevereiro de 2012

MANIPULANDO A HISTÓRIA


Quando um jornalista (no caso concreto, uma jornalista) quer ser a tal ponto protagonista na História que a manipula…
Quando, em vez de informar, este jornalista (esta jornalista) gera "concertações" para fazer informação ou adulterar a história deste País…
Quando um jornalista se "põe a jeito" para ser manipulado pelos poderosos deste mundo…
Quando este jornalista (esta) não é uma estagiária, mas uma "referência" do nosso jornalismo…

E faz aquilo que fez… (leia aqui)

Percebe-se como chegou a este estado o jornalismo em Portugal; e podemos concluir que o nosso jornalismo não informa – forja a informação a difundir

Que me desculpem os jornalistas honestos e eticamente correctos…!

Qualquer pessoa pode cair numa armadilha e agir involuntariamente contra os seus princípios; porém, quando toma conhecimento do erro, deve prontamente ressarcir-se do mesmo.

Se ela o tivesse feito, neste caso, teria dado tempo ao povo de se inteirar e ficar a saber quem são os poderosos e como agem na manipulação da história.

Não o fez…

Isto é grave!

domingo, 11 de setembro de 2011

Contaminação metonímica

Estrela Serrano, no blogue que partilha com Azeredo Lopes, escreve: “as três manchetes do Correio da Manhã sobre “negócios” de familiares de José Sócrates publicadas nas últimas semanas recorrem à fotografia do ex-primeiro ministro, produzindo um efeito decontaminação metonímicaao criarem no leitor uma aproximação entre José Sócrates e os “negócios” do “tio” ou do “primo”´(ver aqui).
Só uma pessoa tão discreta, como a professora Estrela Serrano, se conseguiria conter na qualificação que atribui ao Correio da Manhã. Para mim, não tão circunspecto, chamaria a estas “filhas de putice” aquilo que, na realidade são – “filhas de putice”.
Não sei o que se poderá chamar aos profissionais que as redigem, nem à orientação editorial que norteia este pasquim. Não sei, mesmo…! Nem estou interessado em saber ou a prestar atenção a quem se “alimenta do mal dos outros e regurgita veneno e ódio gratuitamente.
Sei como as pessoas (apesar da mórbida curiosidade que muitos têm e bastantes o lerem) ficaram aliviadas e agradecidas com o fim do “News of the World” – jornal que já tinha perdido todas as referências, o sentido de responsabilidade, etc. …
Para os mais distraídos (principalmente, para os que não lêem o CM), hoje, 11 de Setembro de 2011, passados 10 anos sobre o atentado às “Torres Gémeas”, reparem e comparem a notícia que o CM apresentou sobre esse atentado com a notícia e fotografia do familiar que – nada tendo com a vida privada dos seus tios e primos – aqui é retratado:


Podem chamar-lhe, até, contaminação metonímica; para mim chamar-lhes-ia… aquilo que vós também chamais.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

É preciso descaramento…

(Clicar na imagem par ver maior)

Se isto é verdade… (ver notícia aqui)

Nem sei o que escrever, tal é a minha revolta e indignação.
Assisti a muitas coisas esquisitas, tanto antes como depois do 25 de Abril de 74; mas, um desaforo destes, tão descarado e ignóbil, no que diz respeito à liberdade de informação e à não ingerência do Estado (principalmente, de quem o administra) na comunicação social… não me lembro…!
Basta!
É demais…!

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Manipulação da Informação (2)


É bom perceber, um pouco, as “10 estratégias de manipulação”, enunciadas por Noam Chomsky, e utilizadas pelas elites políticas para atrair o apoio inconsciente (ou irresponsável) dos meios de comunicação. Vejamos:
1. A estratégia da distracçãoconsiste em desviar as atenções dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e económicas; a técnica utilizada é a de injecção contínua de distracções e de informações sem importância.
2. Criar problemas e depois oferecer soluções – criam-se uma “situações” com o objectivo de causar certa reacção no público, para que este “suplique” por soluções. Assim, é legitimada a criação de remédios contrários aos interesses populares que, de outro modo, seria difícil fazer aprovar.
3. A estratégia da gradualidade – Aplicar lenta e gradualmente (a conta-gotas) uma medida (que na globalidade seria inadmissível) para que seja aceite como válida, ao fim de um certo tempo.
4. A estratégia do adiar Para provocar a aceitação de uma decisão impopular é apresentá-la como “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no imediato, de uma aplicação prevista para o futuro.
5. Dirigir-se ao povo como a criaturas de pouca idade Quanto mais se pretende iludir a opinião pública, mais frequente é a adopção de uma linguagem que rase a infantil. Técnica também utilizada em publicidade.
6. Utilizar o aspecto emocional muito mais que a reflexão – Usar e abusar do discurso emocional é uma técnica clássica para invalidar a análise racional; desta forma, neutraliza-se o sentido crítico das massas populares.
7. Manter o povo na ignorância e na mediocridade – Diferenciar a qualidade de formação a ministrar aos diversos estratos sociais, pois julgam que “a qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, para que a distância entre estas e as classes mais altas permaneça inalterada no tempo e seja impossível alcançar uma autêntica igualdade de oportunidades para todos.”
8. Estimular o público a ser complacente com a mediocridade – Fazer passar a ideia de que é moda a vulgaridade, a brejeirice e o calão; valorizar personalidades sem talento ou mérito, manifestando desinteresse pelos valores culturais e intelectuais; exagerar no culto do corpo, desvalorizando o do espírito e o zelo pessoal.
9. Reforçar o sentimento de culpa pessoal – O sentimento de co-responsabilidade nos acontecimentos inibe o povo de se revoltar. Por exemplo, para justificar medidas impopulares, co-responsabiliza-se o povo pelo despesismo das famílias, do País, etc.
10. Conhecer os indivíduos melhor do que eles mesmos se conhecem – os avanços da ciência geraram lacunas entre os saberes populares e os utilizados pelas elites dominantes, de tal modo que o povo se sente impossibilitado de agir, com medo de ser descoberto, “mesmo antes de pensar”.


domingo, 7 de agosto de 2011

Manipulação da Informação

Noam Chromky, nascido nos EUA (Filadélfia, 7 de Dezembro de 1928), é um linguista, filósofo, activista político e professor no Instituto de Tecnologia de Massachusets (MIT).
Entre outras coisas, o seu nome está associado ao estudo das propriedades matemáticas das linguagens formais e combinam uma abordagem matemática dos fenómenos da linguagem, com uma crítica ao behaviorismo, na qual a linguagem é conceptualizada como uma propriedade inata do cérebro (mente) humano, contribuindo, de forma extraordinariamente importante, para a formação da psicologia cognitiva, no domínio das ciências humanas.
Para além da investigação e do ensino da linguística, Chomsky é, também, conhecido através das suas posições de âmbito político, psicológico e social.
Um dos muitos trabalhos importantes de Chomsky é a análise dos meios de comunicação de massa, das suas estruturas, das suas restrições e do seu papel no apoio aos interesses das grandes empresas e dos governos.
Embora diferentes dos sistemas políticos totalitários (nos quais a força física pode ser facilmente usada para coagir a população), as sociedades ditas democráticas precisam de impor, apesar de tudo, meios de controlo bem menos violentos. Numa frase frequentemente citada, Chomsky afirma que “a propaganda representa para a democracia aquilo que o cassetete significa para os estados totalitários.”
Em síntese, poder-se-á considerar que este princípio deriva da existência de cinco filtros que todas as notícias deveriam ultrapassar antes de serem publicadas e que, combinados, distorcem sistematicamente a cobertura das notícias pelos meios de comunicação. São eles:
1º Filtro – o da propriedade dos meios de comunicação – deriva do facto dos principais meios de comunicação pertencerem a grandes empresas.
2º Filtro – o do financiamento – deriva do facto dos principais meios de comunicação obterem a maior parte de sua receita não de seus leitores mas sim de publicidade (que, claro, é paga pelas grandes empresas).
3º Filtro é o caso dos meios de comunicação dependerem fortemente das grandes empresas e das instituições governamentais como fonte de informações para a maior parte das notícias. Isto também cria um constrangimento sistémico contra a sociedade.
4º Filtro é o ataque realizado por vários grupos de pressão que procuram as empresas dos meios de comunicação para pressioná-las, caso saiam duma linha editorial que esses grupos julgam mais de acordo com seus interesses do que com os da restante sociedade.
5º Filtro – normas da profissão de jornalista – refere-se aos preconceitos disseminados pelos que estão na profissão de jornalista.
O modelo descreve como os meios de comunicação formam um sistema de propaganda descentralizado e não conspiratório (na grande maioria dos casos, pois nem é necessário) que, no entanto, é extremamente poderoso. Esse sistema cria um consenso entre a “elite” da sociedade relativamente aos assuntos de interesse público, estruturando esse debate numa aparência de consentimento democrático, mas que visa tão-somente os interesses dessa elite.
No entanto, isso é feito às custas da sociedade como um todo que, naturalmente, é composta por mais pessoas do que aquelas que compõe a sua elite.
Oportunamente falarei das “10 estratégias de manipulação” que foram desenvolvidas e analisadas por Noam Chomsky.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

As coisas que eu não sei...


Não resisti a publicar parte do post de Alfredo Barroso, publicado no seu blogue Traço grosso. Vale a pena ler o artigo completo aqui.

“SUPER-ÁLVARO E AS DOSES DE CAVAL(L)O
Ficámos a saber, através de jornais, que o actual ministro das Finanças, Vítor Gaspar, é um adepto da «desinflação competitiva» e um defensor da «austeridade orçamental», e que o economista que mais admira é Milton Friedman, precursor da «escola de Chicago» e mentor dos Chicago boys, que aproveitaram o Chile como laboratório, durante a ditadura militar de Pinochet, para aplicarem o seu modelo económico neoliberal, ou ultraliberal (tanto faz).
Mas não ficámos a saber, através de jornais, que o actual super-ministro da Economia, Emprego, Obras Públicas, Transportes e Comunicações (ufa!), Álvaro Santos Pereira, é adepto de Domingo Felipe Cavallo, economista e político argentino que cometeu a proeza de conseguir ser, sucessivamente, presidente do Banco Central da Argentina durante a sangrenta ditadura dos generais («mandato» de Jorge Videla), depois ministro da Economia do Presidente peronista Carlos Menem (perdão aos generais da ditadura, venda ilegal de armas, «Plano Cavallo» com efeitos desastrosos para o país), e, finalmente, ministro da Economia do Presidente radical de centro-esquerda Fernando de la Rua (revoltas populares contra as medidas de Cavallo, que o levaram à demissão, à declaração do estado de sítio e à renúncia do Presidente).”
Autor: Alfredo Barroso

domingo, 10 de julho de 2011

A quem serve o silêncio


“Nunca me engano e raramente tenho dúvidas…”
Acredito que assim seja.
Foi com enorme “reverência” e “humildade académica” (não sei se existe humildade académica, mas faz-se de contas…) que escutei e li, mais uma vez, tão douto senhor:
A retórica de ataque aos mercados internacionais não cria um único emprego, nós devemos fazer o trabalho que nos compete de forma a reduzir a nossa dependência do financiamento externo, sempre com uma grande preocupação de distribuir, com justiça, os sacrifícios que são pedidos aos portugueses…” (09-11-2010).
Pensei para com os meus botões, na ingénua ignorância de ovelha a caminho do matadouro: Se não criticarmos as agências de rating e os Seus Mercados, talvez pudéssemos gerar mais empregos e maior riqueza para o povo trabalhador, se não afrontarmos os mercados… Como este senhor sugere.
Hoje, este senhor já não pensa assim, como o demonstram as notícias, como aquela que vi no Expresso online:


Porém, convém realçar que este senhor (o homem do leme, lembram-se?) nunca se engana… nunca se engana… nunca se engana…!
Então, se o seu discurso, agora, é outro – o oposto –, o que o levou a desaconselhar as críticas aos mercados, antes das eleições? Se o superior interesse de País assim o obriga a manifestar-se, o que estava acima de Portugal, anteriormente, que o impediu de se manifestar, como a gora o faz?
Não me interessa se um homem se engana ou não; se frequentemente tem dúvidas. Não é isso que me importa. O que me preocupa é se é honesto e que o seu silêncio não exista somente para iludir a verdade.
Senhor presidente, a quem serve, ou serviu, os seus silêncios?

domingo, 26 de junho de 2011

O Novo nome da Censura

O Expresso publicou, na sua última edição, um novo Estatuto Editorial.
Daquilo que tenho aprendido sobre o Expresso, do valor e nobreza de alguns dos seus jornalistas e da iniquidade e venalidade de uma outra grande parte deles, deixa-me, mais uma vez (já deveria ter aprendido…), perplexo. Ou será, tão-somente, para apregoar que têm um novo director – Ricardo Costa – e este, como “podem ver” é diferente dos anteriores.
Não quero falar muito dos “pregões jornaleiros” que a maioria dos órgãos de comunicação usa. Todavia, o ponto 7 do seu novo editorial deixa-me preocupado, porque, quer queiramos ou não, gostemos ou detestemos, o Expresso é (ainda) um semanário de referência.
(…) “7. O Expresso sabe, também, que em casos muito excepcionais, há notícias que mereciam ser publicadas em lugar de destaque, mas que não devem ser referidas, não por auto-censura ou censura interna, mas porque a sua divulgação seria eventualmente nociva ao interesse nacional. O jornal reserva-se, como é óbvio, o direito de definir, caso a caso, a aplicação deste critério” (do Estatuto Editorial).
·       
·         Isto não é censura?
·         Então, que outro nome se dá a isto?
·         Querem tapar os olhos com a peneira?
·         Julgam que quando têm conhecimento de alguma informação (como dizem, nociva ao interesse nacional) ela já não é do conhecimento de todo o mundo estrangeiro e dos seus órgãos de comunicação social (para não falar dos seus serviços de inteligência)?
·         E como o jornal se reserva o direito de definir a aplicação deste critério, se calhar, deveria chamar-se O Esclarecido, em vez de Expresso.
·         Ou será que o interesse é outro…?
No mínimo, sigam o exemplo de uma referência do Expresso e seu director-adjunto – Nicolau Santos – que, no caderno Economia, depois de desejar felicidades ao governo agora empossado, escreve o seguinte (página 5): “ (…) Daí a criar-se uma unanimidade nacional e a quase proibição de reparos ou críticas ao Governo vai um passo de gigante que o jornalismo livre e independente não pode nem deve aceitar”.
E mais havia para dizer…