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domingo, 18 de agosto de 2013

CATILINÁRIAS



 Para o PM, a Constituição da República não é para ser cumprida; é para ser utilizada enquanto servir os seus interesses pessoais. Ou melhor, é para ser usada, se não colidir com os interesses dos “estrangeiros caridosos que nos auxiliam” – a nova ordem mundial, aqui representada pela Troika. Para o PM de Portugal, a lei fundamental tem pouco interesse e não deverá ser respeitada se chocar com as conveniências dos “seus amos e senhores”.

Como escreve Carlos Esperança no seu post do “Ponte Europa”:
Há em Passos Coelho uma vertigem demencial que não pode ser apenas atribuída à falta de cultura democrática e ao défice de preparação. Há de haver o ódio ao 25 de Abril e o ressentimento de retornado na obstinada deriva em que faz a síntese de Mohamed Said Al-Sahaf, o ministro da propaganda de Saddam, e do major Silva Pais, último diretor da PIDE/DGS, para quem as leis ou serviam ao regime ou não serviam para coisa alguma.
A chantagem sobre o Tribunal Constitucional é igual à conduta de Mohamed Morsi que, eleito também democraticamente, cedo ignorou o limite dos poderes que a Constituição lhe conferia e logo coartou os direitos dos cidadãos.”
Até quando suportaremos as “catilinisses” deste eminente representante da juventude partidária a que pertenceu – a sua única e irrelevante escola do saber político –, onde aprendeu a colar cartazes e a reverenciar os títulos académicos dos potenciais exemplos não seguidos. É muito pouco para se ser PM; mas é, sem dúvida, mais que suficiente para exercer a vingança (fria, gelada) sobre aqueles que conquistaram a liberdade e instituíram a democracia.

Até quando aguentaremos…?

No ano 63 a.C., Lucio Sergio Catilina, filho de família nobre, embora falido financeiramente, planeava derrubar o governo republicano juntamente com seus seguidores subversivos, para obter riquezas e poder. Todavia, houve quem o afrontasse de forma eloquente – Marcus Tullius Cícero[1] – acusando-o e denunciando-o por várias vezes, no Senado:
Quousque tandem abutere, Catilina, patientia nostra? Quamdiu etiam furor iste tuus nos eludet? Quem ad finem sese effrenata iactabit audacia?
Traduzindo:
Até quando, enfim, ó Catilina, abusarás da nossa paciência? Por quanto tempo ainda esse teu rancor nos enganará? Até que ponto a (tua) audácia desenfreada se gabará (de nós)?

Quousque tandem abutere, Petrus Leporinus, patientia nostra? Quamdiu etiam furor iste tuus nos eludet? Quem ad finem sese effrenata iactabit audacia?




[1] Ainda hoje são repetidas as sentenças acusatórias de Cícero contra Catilina, declaradas em pleno senado romano.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

O ESTADO NOVO COMEÇOU ASSIM…





Nem Salazar, enquanto ministro das finanças, foi tão arrojado.

Se os ministérios já cheiravam mal, agora sem poderem comprar papel higiénico, lixívia para os urinóis e demais limpezas, sabão para as ablações, etc., o que não será de hoje em diante…?

Depois deste “documento ultra vingativo” (elaborado em retaliação ao Tribunal Constitucional), que será de nós, cobaias de Gaspar e da Troika…?

Que mais nos esperará…?

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A vingança de Passos Coelho…

Passos Coelho não vai à Madeira apoiar Jardim, como castigo ou por vingança, por aquele ter traído a confiança. Não lhe retira a confiança política; não, isso não – vinga-se!
Isto faz-me lembrar aquela história do indivíduo que suspeitava que a mulher o andava a enganar. Aconselhado por um amigo, depois de se despedir da mulher, fingiu que saía, mas deixou-se ficar em casa, escondido debaixo da cama.
No dia seguinte encontrou o “amigo conselheiro” que o questionou:
– Apanhaste-os, ontem…?
– Sim – respondeu-lhe – e vinguei-me…
– Oh homem – espantou-se o “conselheiro” – espero que não te tenhas desgraçado…!
– Não sejas parvo – retorquiu o amigo – eu sou mais perspicaz do que julgas. Sem que se tivessem apercebido, vinguei-me…
– Mas, como…?
– Mijei-lhe para os sapatos.
 Passos Coelho não retira a confiança política a Jardim, mas não vai à Madeira apoiá-lo na campanha eleitoral; se calhar (porque é perspicaz), alegando que o não faz por dificuldade de agenda.