terça-feira, 21 de agosto de 2012

SER PRESIDENTE



José Alberto Mujica Cordano (Montevideu, 20 de maio de 1935) é um agricultor e político uruguaio, actual presidente da República Oriental do Uruguai, eleito em 29 de novembro de 2009.

Já foi deputado, ministro da Pecuária, Agricultura e Pesca e, durante a juventude, militou em atividades de guerrilha, como membro do Movimento de Libertação Nacional – Tupamaros [o Movimento de Liberação Nacional – Tupamaros (MLN-T), ou simplesmente Tupamaros, foi uma organização de guerrilha urbana uruguaia, que operou nas décadas de 1960 e 1970, durante a ditadura civil-militar no Uruguai (1973-1985)].

Todos os dias ele embarca no seu Carocha azul de estimação, com destino ao seu pequeno lugarejo – Rincón del Cerro, nos arredores de Montevideu –, onde vive com a sua mulher, a senadora da República Lúcia Topolansky. A casa é discretamente vigiada por dois seguranças. No fim do mês, quando recebe o salário de US$ 12,5 mil (à volta de € 10.000,00) de presidente do Uruguai, José Pepe Mujica separa US$ 1,25 mil (aproximadamente € 1.000,00) e doa o restante, cerca de 90%, a pequenas empresas e ONG's que trabalham com habitações populares. (vide Mário Marcos)

– "Este dinheiro me basta, e tem que bastar porque há outros uruguaios que vivem com menos" – costuma repetir este uruguaio de maneiras simples, 77 anos, que, em reportagem do jornal espanhol El Mundo, foi chamado de “o presidente mais pobre do mundo”.

Como transporte oficial, em vez dos carrões com ar-condicionado dos demais presidentes, ele usa um Opel Corsa. A sua mulher, a senadora Lúcia Topolansky, companheira de muitos anos, também doa boa parte de seu salário. Mujica vive de forma espantosamente simples, apesar de presidir um dos países mais importantes da América do Sul, nunca usa gravata (é quase sempre uma camisa branca com casaco) e convive com os mesmos amigos de antes da eleição que o conduziu ao poder. É capaz de pegar o Carocha (VW), ir até uma loja de ferragem comprar um acessório de casa de banho e, no caminho, parar num pequeno estádio para animar os jogadores do Huracán, equipa da segunda divisão, e prometer um churrasco caso subam para a Série A. Sem contas bancárias ou dívidas, de acordo com El Mundo, ele apenas repete que espera concluir o seu mandato para um descanso sossegado no Rincón del Cerro.

A vida simples não é mera figuração ou tentativa de construir uma imagem, segundo as orientações de um especialista de Marketing. Esta forma de estar na vida faz parte da própria formação de Mujica, um homem que lutou contra a ditadura, foi preso, lutou pelo retorno à democracia e hoje é presidente eleito do país. Tudo isso sem abrir mão das suas convicções, em nenhum momento – a ponto de rejeitar a ideia de mudança da sua vida por ser chefe de Estado.

Mujica não se preocupa em reforçar os seus esquemas de segurança, mesmo quando circula no Carocha (VW) ou no Opel Corsa – e, claramente, não está a bordo de veículos blindados…

O que causa profunda admiração no Presidente Mujica, independentemente das razões destacadas acima, é ver alguém que se recusa a renunciar às suas próprias convicções, mesmo desafiando todas as regras do protocolo. Ele pensa da seguinte forma:

- Lutou a vida inteira por eles, arriscou sua segurança e de sua própria família, porquê mudar agora…?
- Foi eleito, certamente, pelas suas ideias e estilo de vida.

O mundo seria um lugar bem melhor e, com toda a certeza, muito mais pacífico se tivéssemos outros Mujicas à frente dos diversos países…


Não quero comparar este Homem com os nossos governantes, pois há uma enorme diferença em relação a José Mujica. Este é do povo, lutou ao lado do povo, sente o próprio povo, anseia pela melhoria social do povo e… defende o povo…

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