quarta-feira, 5 de novembro de 2014

O PAPA FRANCISCO e OS MOVIMENTOS SOCIAIS POPULARES CRITICAM O CAPITALISMO

 


O Conselho Pontifício Justiça e Paz (Santa Sé) promoveu, entre o dia 27 e 29 de Outubro p.p., o primeiro ‘Encontro Mundial de Movimentos Populares’, em colaboração com a Academia Pontifícia das Ciências Sociais.

O evento reuniu trabalhadores precários e da economia informal, migrantes, indígenas, sem-terra e representantes de zonas periféricas, que foram recebidos pelo Papa no dia 28.
João Pedro Stedile é um dos principais líderes do Movimento dos Sem Terra (MST) que envolve cerca de 1,5 milhões de membros que buscam terra para morar e trabalhar.

O MST é suprapartidário e zela pela sua “absoluta autonomia” face a qualquer tipo de poder; basta dizer que somente na segunda volta das recentes eleições no Brasil, apoiou Dilma Rousseff. Essa autonomia permite-lhe apoiar o projecto popular do PT mas simultaneamente faz-lhe duras críticas com referência à política agrária e, continuamente, exige uma reforma agrária integral sempre protelada.

João Pedro articulou com outros o Encontro Mundial dos Movimentos Populares com o Papa em Roma nos fins de Outubro. Nos debates, o Papa Francisco quis saber a partir da leitura que fazem de seus padecimentos, as causas que produzem miséria e morte em milhões de pessoas. Não chamou cientistas sociais ou políticos, mas quis saber a partir da voz deles as causas desta situação desumana que os obriga a organizarem-se para poderem sobreviver e avançar nos seus direitos. O Papa Francisco deu-lhes total apoio nas questões fundamentais da crítica ao capitalismo desumano que chegou a chamar de “diabo”, da justiça social, do acesso à terra contra a sua concentração e da legitimidade das ocupações feitas em função da vida e do trabalho. João Pedro deu uma longa entrevista no dia 31/10/2014 ao jornal Il fatto quotidiano que foi traduzida e reproduzida pelo Instituto Humanistas Unisinos (IHU) dos jesuítas de São Leopoldo. Pelo fato de os meios de comunicação não terem feito grande (ou pequena) divulgação sobre o evento de tamanha relevância (é a primeira vez na história que um Papa que ama os pobres, se reuniu com os movimentos sociais populares do mundo inteiro tão mal compreendidos e até difamados nas suas demandas), publicamos aqui a entrevista de João Pedro Stedile.

Eis a entrevista.

– Como nasceu o encontro no Vaticano?
Tivemos a sorte de manter relações com os movimentos sociais da Argentina, amigos de Francisco, com os quais começamos a trabalhar no encontro mundial. Assim, reunimos 100 dirigentes populares de todo o mundo, sem confissões religiosas. A maioria não era católica. Um encontro muito proveitoso.

– O senhor é de formação marxista. Qual a sua opinião sobre o papa e a iniciativa vaticana?
O papa deu uma grande contribuição, com um documento irrepreensível, mais à esquerda do que muitos de nós. Porque afirmou questões de princípio importantes como a reforma agrária, que não é só um problema económico e político, mas também moral. De fato, ele condenou a grande propriedade. O importante é a simbologia: em 2.000 anos, nenhum papa jamais organizou uma reunião desse tipo com movimentos sociais.

– O senhor foi um dos promotores dos Fóruns Sociais nascidos em Porto Alegre. Há uma substituição simbólica por parte do Vaticano em relação à esquerda?
Não, acho que Francisco teve a capacidade de se colocar correctamente diante dos grandes problemas do capitalismo actual como a guerra, a ecologia, o trabalho, a alimentação. E ele tem o mérito de ter iniciado um diálogo com os movimentos sociais. Eu não acho que há sobreposição, mas complementaridade. Em todo caso, assumo a autocrítica, como promotor do Fórum Social, do seu esgotamento e da sua incapacidade de criar uma assembleia mundial dos movimentos sociais. Do encontro com Francisco, nascem duas iniciativas: formar um espaço de diálogo permanente com o Vaticano e, independentemente da Igreja, mas aproveitando a reunião de Roma, construir no futuro um espaço internacional dos movimentos do mundo.

– Para fazer o quê?
Para combater o capital financeiro, os bancos, as grandes multinacionais. Os “inimigos do povo” são esses. Como diria o papa, esse é o diabo. Mesmo que todos nós vivamos o inferno. Os pontos traçados do encontro de Roma são muito claros: a terra, para que os alimentos não sejam uma mercadoria, mas um direito; o direito de todos os povos de terem um território, seu próprio país, pense-se nos curdos de Kobane os nos palestinos; um tecto digno para todos; o trabalho como direito inalienável.

– Os Sem-Terra organizam cursos de formação sobre Gramsci e Rosa Luxemburgo. Nenhum problema para trabalhar com o Vaticano?
Nós vivemos uma crise epocal. As ideologias do segundo pós-guerra aprofundaram-se. As pessoas não se sentem mais representadas. No entanto, essa crise também oferece oportunidades de mudança, desde que ninguém se apresente com a solução pronta no bolso. Será preciso um processo, um movimento de participação popular. E qualquer pessoa disposta a participar dele deve ser incluída.

– No Brasil, vocês apoiaram a eleição de Dilma Rousseff. Qual é a sua opinião sobre o governo do PT e o seu futuro?
A autonomia, para nós, é um valor importante. O PT geriu o poder com uma linha de “neodesenvolvimento”, mais progressista do que o neoliberalismo, mas baseada num pacto de conciliação entre grandes bancos, capital financeiro e sectores sociais mais pobres. A operação de redistribuição da renda favoreceu a todos, mas principalmente os bancos. Agora, porém, esse pacto já não funciona, as expectativas populares cresceram. O ensino universitário, por exemplo, integrou 15% da população estudantil, mas os 85% que ficaram de fora pressionam para entrar. Só que, para responder a essa demanda, seria preciso ao menos 10% do PIB, e, para levantar recursos desse tamanho, romper- se-ia o pacto com as grandes empresas e os bancos.

– Então?
O governo tem três caminhos: unir-se novamente à grande burguesia brasileira, como lhe pede o PMDB, construir um novo pacto social com os movimentos populares ou não escolher e abrir uma longa fase de crise. Nós queremos desempenhar um papel e, por isso, propomos um referendo popular para uma Assembleia Constituinte para a reforma da política. A força do povo não está no Parlamento.

– Qual é a situação do Movimento dos Sem-Terra hoje?
A nossa ideia, no início, era a de realizar o sonho de todo agricultor do século XX: a terra para todos, bater o latifúndio. Mas o capitalismo mudou, a concentração da terra também significa concentração das tecnologias, da produção, das sementes. É inútil ocupar as terras se, depois, produzirem transgénicos. Não é mais suficiente repartir a terra, mas é preciso uma alimentação para todos, e uma alimentação sadia e de qualidade. Hoje visamos uma reforma agrária integral, e a nossa luta diz respeito a todos. Por isso, é preciso uma ampla aliança com os operários, os consumidores e também com a Igreja. Somos aliados de qualquer pessoa que deseje a mudança.


terça-feira, 28 de outubro de 2014

A URGÊNCIA DE REFUNDAR A ÉTICA E A MORAL




Depois de ler o post de Leonardo Boff – professor e conferencista no Brasil e no estrangeiro nas áreas de teologia, filosofia, ética, espiritualidade e ecologia. – não resisti a publicá-lo. Poderia, simplesmente, quedar-me por informar o “link” deste texto, mas, conhecendo, como julgo conhecer, os meus leitores, optei por transcrevê-lo: não é só respeito; é partilha e solidariedade na informação.

Ei-lo:

«Uma das demandas maiores actualmente nos grupos, nas escolas, nas universidades, nas empresas, nos seminários de distinta ordem é a questão da ética. As solicitações que mais recebo são exactamente para abordar este tema.

Hoje ele é especialmente difícil, pois não podemos impor a toda a humanidade a ética elaborada pelo Ocidente na esteira dos grandes mestres como Aristóteles, Tomás de Aquino, Kant e Habermas. No encontro das culturas pela globalização somos confrontados com outros paradigmas de ética. Como encontrar para além das diversidades, um consenso ético mínimo, válido para todos? A saída é buscar na própria essência humana, da qual todos são portadores, o seu fundamento: como nos devemos relacionar entre nós seres pessoais e sociais, com a natureza e com a Mãe Terra. A ética é da ordem prática, embora se embase numa visão teoricamente bem fundada. Se não agirmos nos limites de um consenso mínimo em questões éticas, podemos produzir catástrofes sócio-ambientais de magnitude nunca antes vista.

Vale a observação do apreciado psicanalista norte-americano Rollo May que escreveu: “Na actual confusão de episódios racionalistas e técnicos perdemos de vista e despreocupamo-nos do ser humano; precisamos agora voltar humildemente ao simples cuidado; creio, muitas vezes, que somente o cuidado nos permite resistir ao cinismo e à apatia que são as doenças psicológicas do nosso tempo”(Eros e Repressão, Vozes 1973 p. 318, toda a parte 318-340).

Tenho-me dedicado intensamente ao tema do cuidado (Saber Cuidar,1999; O cuidado necessário, 2013 pela Vozes). Segundo o famoso mito do escravo romano Higino sobre o cuidado, o deus Cuidado teve a feliz ideia de fazer um boneco no formato de um ser humano. Chamou Júpiter para lhe infundir espírito, o que foi feito. Quando este quis impor-lhe um nome, levantou-se a deusa Terra dizendo que a tal figura foi feita com o seu material e assim teria mais direito de dar-lhe um nome. Não se chegou a nenhum acordo. Saturno, o pai dos deuses, foi invocado e ele decidiu a questão chamando-o de homem que vem de húmus, terra fértil. E ordenou ao deus Cuidado: “você que teve a ideia, cuidará do ser humano por todos os dias de sua vida”. Pelo que se vê, a concepção do ser humano como composto de espírito e de corpo não é originária. O mito diz: “O Cuidado foi o primeiro que moldou o ser humano”.

O Cuidado, portanto, é um “a priori” ontológico, explicando: está na origem da existência do ser humano. Essa origem não deve ser entendida temporalmente, mas filosoficamente, como a fonte de onde permanentemente brota a existência do ser humano. Temos a ver com uma energia amorosa que jorra ininterruptamente, em cada momento e em cada circunstância. Sem o cuidado o ser humano continuaria uma porção de argila como qualquer outra à margem do rio, ou um espírito angelical desencarnado e fora do tempo histórico.

Quando se diz que o deus Cuidado moldou, por primeiro, o ser humano visa-se a enfatizar que ele empenhou nisso dedicação, amor, ternura, sentimento e coração. Com isso assumiu a responsabilidade de fazer com que estas virtudes constituíssem a natureza do ser humano, sem as quais perderia sua estatura humana. O cuidado deve se transformar em carne e sangue de nossa existência.

O próprio universo se rege pelo cuidado. Se nos primeiros momentos após o big-bang não tivesse havido um subtilíssimo cuidado de as energias fundamentais se equilibrarem adequadamente, não teriam surgido a matéria, as galáxias, o Sol, a Terra e nós mesmos. Todos nós somos filhos e filhas do Cuidado. Se nossas mães não tivessem tido infinito cuidado em nos acolher e alimentar, não saberíamos como deixar o berço e buscar nosso alimento. Morreríamos em pouco tempo.

Tudo o que cuidamos também amamos e tudo o que amamos também cuidamos.

Junto com o cuidado nasce naturalmente a responsabilidade, outro princípio fundador da ética universal. Ser responsável é cuidar que nossas acções não sejam maléficas para nós e para os outros mas, ao contrário, sejam benéficas e promovam a vida.

Tudo precisa ser cuidado. Caso contrário deteriora-se e lentamente desaparece. O cuidado é a maior força que se opõe à entropia universal: faz as coisas durarem muito mais tempo.
Como somos seres sociais, não vivemos mas convivemos, precisamos da colaboração de todos para que o cuidado e a responsabilidade se tornem forças “plasmadores” do ser humano. Quando nossos ancestrais antropóides iam em busca de alimento, não o comiam logo como fazem, geralmente, os animais. Colhiam-no e o levavam ao grupo e cooperativa e solidariamente comiam juntos, começando pelos mais jovens e os idosos e em seguida os demais. Foi essa cooperação que nos permitiu dar o salto da animalidade para a humanidade. O que foi verdadeiro ontem continua sendo verdadeiro também hoje. É o que mais nos falta no mundo que se rege mais pela competição do que pela cooperação. Por isso somos insensíveis face ao sofrimento de milhões e milhões de pessoas e deixamos de cuidar e de nos responsabilizar pelo futuro comum, da nossa espécie e da vida no planeta Terra.

Importa reinventar esse consenso mínimo ao redor desses princípios e valores se quisermos garantir nossa sobrevivência e de nossa civilização».


quinta-feira, 23 de outubro de 2014

RECONVERTER O PLÁSTICO…




Informação passada pelo meu amigo PB.

Olhem os japoneses! Incrível!

Pelo inusitado da notícia, que não foi divulgada por nenhum grande meio de comunicação, e dada a importância da mesma no contexto actual, informo.

Vejam o filme: vale a pena.

Sendo o plástico derivado de petróleo, agora podemos inverter!

Uma máquina para processar plástico, podendo ser separado em gasolina, óleo diesel ou petróleo.
Os sacos plásticos dos supermercados vão valer ouro...

O plástico regressa ao petróleo de onde veio.

Engenho e perseverança japonesa.

Ainda bem que há sempre alguém que consegue inventar algo que ajuda a reparar o que estragamos...

O som é todo em japonês. Basta assistir lendo as legendas em inglês.

Mesmo para quem não perceber japonês ou inglês, vale a pena assistir.

Grande descoberta!


Quando será comprada pelas petrolíferas ou… quando será destruída…?



terça-feira, 14 de outubro de 2014

DESCANSADOS PELO PÂNICO




Esperemos que o pânico não seja tão grave como a realidade.

Todavia, devemos estar descansados relativamente ao ébola. Em Portugal não há crise, enquanto tivermos a garantia de sermos liderados pelo actual governo e pelos seus colaboradores de excelência.

Depois de vermos o modo como foi feita (e continua a ser feita) a “reforma” judicial, a rapidez com que está a ser resolvido o problema do “citius”, a forma brilhante como se deu (está e estará a dar) a abertura do ano lectivo, a forma como foi valorizada a investigação (implodindo metade das unidades de investigação do País), nada há a temer. Somos geridos pela excelência…!


Só nos resta (talvez) entregar a alma ao criador. E, mesmo assim, será que vamos a tempo…?


quarta-feira, 8 de outubro de 2014

CITANDO…











Santana Castilho, no Público:

«O grotesco do caos em que o início do ano lectivo se transformou vai do cómico ao dramático. Sob a tónica da insensatez do desvairado que o dirige, o Ministério da Educação e Ciência assemelha-se a um manicómio gerido pelos doentes.A última paciente, a directora-geral da Administração Escolar, decidiu sambar na cara de milhares de alunos, pais e professores: com a coragem própria dos cobardes, mandou os directores despedirem os professores anteriormente contratados.»
[…]
«Navegar por entre a teia kafkiana da legislação aplicável aos concursos de professores é um desesperante exercício de resistência. Só legisladores mentalmente insanos e socialmente perversos a podem ter concebido, acrescentando sempre uma nova injustiça à anteriormente perpetrada
[…]
«Quando o Papa proclama, em boa hora, que não há mães solteiras, mas tão-só mães, nós, classe docente desunida, demoramos, primeiro, e somos inconsequentes, depois, a dizer que não há professores de primeira e professores de segunda, mas tão-só professores.»
[…]
«Do outro lado da barricada, a classe dos professores não interiorizou, enquanto tal, a dimensão política da sua profissão. E, em momentos vitais das lutas a que tem ido, soçobrou por isso.»

Posso não concordar com tudo, mas, no essencial e que aqui reproduzo (com realces a negrito da minha autoria), não posso deixar de estar de acordo…


terça-feira, 30 de setembro de 2014

DEIXEM-NOS RESPIRAR UM POUCO…!




Depois de ver a “ameaça velada” do indigitado Comissário Europeu para o Emprego, Crescimento, Investimento e Competitividade, e, ainda, Vice-Presidente – Jyrki Katainen (ex-Primeiro Ministro da Finlândia) –, não posso deixar de pensar que isto não passa de um paradoxo e de uma ironia. Percebi, então, a razão da indigitação de Carlos Moedas, pelo nosso PM.

A nova CE só poderá entrar em funções (a 1 de Novembro) se o Parlamento Europeu (PE) a aceitar numa votação prevista a 21 de Outubro, mas não evitou que Katainen já anunciasse as suas intenções para com Portugal.

Elisa Ferreira, no Público, esclarece-nos como a Europa mudou, para tudo ficar na mesma:

A forma como o presidente da Comissão está a organizar a sua equipa de comissários não dá quaisquer garantias de que a sua promessa de mudança se possa materializar.

Jean-Claude Juncker, o futuro sucessor de Durão Barroso na Comissão Europeia (CE), comprometeu-se a substituir a austeridade cega dos últimos anos por políticas de relançamento do crescimento e emprego e a colmatar as lacunas subjacentes ao modelo de construção do euro.

Foi com base nestas promessas que conseguiu alargar a sua base política de apoio, recebendo, em Julho, o voto favorável de muitos socialistas europeus na sua eleição para presidente da CE. Esta decisão também foi tomada em respeito do compromisso assumido pelas grandes famílias políticas europeias nas eleições de Maio de que o candidato do partido vencedor das eleições europeias (PPE) seria o novo presidente da CE.”

[…]

Juncker cumpriu um dos compromissos relativo à nomeação de um comissário socialista – o francês Pierre Moscovici – para tutelar a pasta dos assuntos económicos, o que engloba a vigilância do cumprimento das regras de consolidação orçamental, incluindo a possibilidade de aplicação de sanções em caso de derrapagens repetidas. À partida, a entrega da pasta a um socialista seria um sinal de esperança numa mudança nas políticas de austeridade impostas nos últimos anos a vários países (para enfrentar uma crise provocada pelo sector financeiro) e que conduziram a Europa à grave crise económica e social em que se encontra.

O problema é que, a acompanhar esta decisão vem outra, também tomada por Juncker, que, a concretizar-se, anulará totalmente a primeira: a de nomear dois vice-presidentes com responsabilidades de “coordenação” de vários comissários das áreas económicas, incluindo Moscovici: o finlandês Jyrki Katainen e o letão Valdis Dombrovskis, ex-primeiros-ministros dos respectivos países.

A escolha destes dois vice-presidentes entre os mais duros defensores das políticas de austeridade – dois verdadeiros “falcões” nas políticas orçamentais – só pode ser interpretada como uma forma de, na prática, perpetuar o statu quo imposto pela CE cessante. Ambos continuam indiferentes às verdadeiras causas do estado de degradação da economia europeia, insistindo em que as “reformas estruturais” – sobretudo do mercado de trabalho – acabarão por funcionar como a panaceia universal que substituirá as medidas urgentes e necessárias para resolver os gravíssimos problemas de divergência, recessão, deflação e desemprego abissal.

Katainen, que terá a seu cargo a coordenação das iniciativas de "Emprego, Crescimento, Investimento e Competitividade", foi, enquanto ministro das Finanças e primeiro-ministro da Finlândia, um dos maiores críticos das ajudas aos países em dificuldades, como Portugal e Grécia. Dombrovskis, que aplicou no seu país um dos programas de austeridade mais duros de toda a UE, vai por seu lado coordenar as questões do "Euro e Diálogo Social", o que inclui os processos de vigilância dos orçamentos dos países europeus.”

[…]

A confusão é tanto maior quanto Juncker afirmou que os vice-presidentes (sete, no total de 28 comissários) terão um papel de "filtro estratégico" na definição da linha política da instituição, em conjunto com o poder de "travar qualquer iniciativa, incluindo iniciativas legislativas", de um comissário sob a sua coordenação, o que, na prática, equivale a um direito de veto.

A grande questão que está sem resposta é saber quem é que vai definir a agenda económica europeia: Moscovici, ou os dois vice-presidentes pró-austeridade?



terça-feira, 23 de setembro de 2014

5 LIÇÕES E A CONCLUSÃO




Há uns anos alguns ladrões entraram num banco numa pequena cidade.
Um deles gritou: “Não se mexam! O dinheiro pertence ao banco, mas as vidas são vossas”. Imediatamente todas as pessoas deitaram-se no chão em silêncio e sem pânico.

LIÇÃO 1:
Este é um exemplo de como uma frase dita correctamente e na altura certa pode fazer toda a gente mudar a sua visão do mundo.
Uma das mulheres estava deitada no chão de uma maneira provocante.
Um dos assaltantes aproximou-se dela e disse:
Minha senhora, isto é um roubo e não uma violação. Por favor, procure agir em conformidade”.

LIÇÃO 2:
Este é um exemplo de como comportar-se de uma maneira profissional concentrar-se apenas no objectivo.
No decorrer do assalto, o ladrão mais jovem (que tinha um curso superior) disse para o assaltante mais velho (que tinha apenas o ensino secundário completo):
Olha lá, se calhar devíamos contar quanto é que vai render o assalto, não achas?”
O homem mais velho respondeu: “Não sejas estúpido! É uma data de dinheiro e por isso vamos esperar o Telejornal para descobrir exactamente quanto dinheiro conseguimos roubar”.

LIÇÃO 3:
Este é um exemplo de como a experiência de vida é mais importante do que uma educação superior.
Após o assalto, o gerente do banco disse ao seu caixa:
Vamos chamar a polícia e dizer-lhes o montante que foi roubado”.
Espere”, disse o caixa “antes de fazermos isso vamos juntar os 800 mil € que nós tirámos há alguns meses e dizemos que também esse valor foi roubado no assalto de hoje”.

LIÇÃO 4:
Este é um exemplo de como se deve tirar proveito de uma oportunidade que surja.
No dia seguinte foi relatado nas notícias que o banco tinha sido roubado em 3 Milhões de €.
Os ladrões contaram o dinheiro mas encontraram apenas 1 M €.
Um deles começou a resmungar: “Nós arriscamos as nossas vidas por 1 M € enquanto a administração do banco rouba 2 M € sem pestanejar e sem correr riscos?
Talvez o melhor seja aprender a trabalhar dentro do sistema bancário em vez de ser um simples ladrão”.

LIÇÃO 5:
Este é um exemplo de como o conhecimento pode ser mais útil do que o poder.

Conclusão:

Dá uma arma a alguém e ele pode roubar um banco.
Dá um banco a alguém e ele pode roubar toda a gente.


sexta-feira, 29 de agosto de 2014

REJEITAR A RELIGIÃO LAICA – O NEOLIBERALISMO






Adaptado de Vicenç Navarro [1]

Esta terceira recessão que se inicia, diferente das outras duas anteriores, está voltada para os países centrais da Zona Euro: Alemanha, França e Itália.

Não há dúvidas de que, quando for escrita a história da União Europeia e da Zona Euro, será mostrado até que ponto uma religião laica – o neoliberalismo – pode ser reproduzida apesar de toda a evidência empírica acumulada mostrando não apenas que tal religião estava equivocada, mas também o enorme prejuízo que ela está a causar nas classes populares dos países da União Europeia. A religião laica promove-se com um espírito apostólico, baseado numa fé impermeável à evidência científica, revelando claramente a sua grande falsidade. Actualmente, esta fé, reproduzida pela maioria dos órgãos de comunicação social, está anunciando que a Espanha, Portugal e a Zona Euro estão a recuperar, quando, na realidade, estão a entrar noutra recessão. Vejamos os dados:

Desde que, no ano de 2007, teve início a Grande Recessão, que para muitos países foi pior do que a Grande Depressão, houve, na Zona Euro, nada menos que duas recessões, consequência da aplicação das políticas neoliberais. A primeira ocorreu no período 2008-2009. Foi seguida de uma rapidíssima recuperação (com um crescimento económico da Zona Euro de somente 0,5% do PIB) no período 2009-2010, para cair novamente noutra recessão, que durou 18 meses e que anulou o escassíssimo crescimento que tinha acontecido na etapa de crescimento anterior. No ano de 2012, iniciou-se outra timidíssima recuperação com um crescimento de somente 0,2% do PIB, recuperação que está a ser novamente revertida, iniciando agora uma terceira recessão (o PIB da Zona do Euro caiu 0,2%), alcançando três recessões em cinco anos. Um recorde! Na realidade, a economia da Zona Euro nunca recuperou desde a queda de 2007, quando teve início a Grande Recessão. As pequeníssimas recuperações eram, mais do que tudo, pequenos saltos do fundo do abismo.

Estamos agora no início da terceira recessão.

O que é importante sublinhar é que esta terceira recessão que se inicia, diferentemente das outras duas anteriores, está voltada para países centrais da Zona do Euro, Alemanha, França e Itália. As outras duas anteriores tinham-se centrado nos países periféricos, Grécia, Portugal, Espanha e Irlanda. De certa maneira, esta recessão é consequência da Grande Recessão que, finalmente, atingiu em cheio o centro e o eixo da Zona Euro. O PIB dos três países centrais soma 8,8 triliões de euros, que é a dimensão da economia da China. E dado que a economia da Alemanha (que equivale a um terço do PIB da Zona Euro) se baseia muito nas exportações, que representam 56% de sua economia, esta queda da economia do centro da Zona Euro prevê uma desaceleração da economia mundial.

Os factos políticos que estão a acontecer no continente europeu, dos quais o conflito da Ucrânia é de grande importância, contribuíram (apesar de não terem causado) para esta terceira recessão. O golpe de Estado na Ucrânia, com o apoio dos governos da União Europeia e dos Estados Unidos, iniciou uma situação de conflito, reavivando a Guerra Fria, que já está a ter um custo económico considerável. Mas a principal causa da terceira recessão são as políticas neoliberais baseadas na austeridade (os infames cortes e o desmantelamento do Estado Social, a diminuição dos salários e o crescimento do desemprego), que estão a destruir liminarmente a classe média. E estas políticas estão a ser feitas para benefício e glória do que antes era chamado o capital, hegemonizado pelo capital financeiro, e que agora se chama o 1%. Actualmente, o establishment (ou seja, a estrutura do poder económico, financeiro, mediático e político) europeu, centrado na Comissão Europeia, no Banco Central Europeu, o Conselho Europeu e o governo alemão e seus aliados, como o governo Rajoy e o de Passos Coelho, estão a realizar tais políticas com toda crueldade, respondendo a cada crise com a resposta previsível de que o facto de não sair da crise é porque precisam aplicá-las com mais força e contundência, levando as classes populares à ruína. Três recessões em cinco anos é o resultado.

O grande drama é que as esquerdas governantes aceitaram e continuam a aceitar o dogma neoliberal. A sua versão é a versão light das mesmas políticas. Não têm mais a ver com as propostas económicas dos principais partidos social-democratas de oposição, incluindo o PSOE (em Espanha e cujo novo secretário-geral enfatizou, em sua entrevista ao El País, como ponto central de seu programa económico melhorar a competitividade europeia e espanhola) e PS de Seguro (em Portugal), para perceber que não há uma mudança substancial destas políticas, sob o argumento de que estas são as únicas possíveis. Acusam as únicas alternativas que permitem romper com esta série de recessões de utópicas de demagógicas e uma série de epítetos desqualificativos. A experiência histórica mostra que, para sair desta recessão crónica (que, repito, alcança dimensões de depressão em muitos países), é necessária uma mudança quase de 180º da política aplicada.

Há alternativas

Sim, por exemplo, centramo-nos em um dos maiores problemas – o endividamento das famílias e de grandes e pequenas empresas – a solução é fácil de ver. Os Estados têm que garantir o crédito, tomando uma série de medidas, desde mudar a governança do euro e do BCE, estabelecendo o crescimento económico como objectivo deste Banco, até aumentar a capacidade aquisitiva das classes populares com um aumento muito notável e massivo do gasto público, incluindo o gasto em infra-estruturas, não somente físicas, mas sociais do país, facilitando o alcance da felicidade (sim, leu certo, felicidade) como objectivo do novo modelo económico-social, e não a acumulação de benefícios do capital. E tudo isso não acontecerá sem uma profunda democratização das instituições que reflectem a vontade e a soberania popular. Actualmente, a demanda mais revolucionária existente na Europa não é a nacionalização dos meios de produção, mas a exigência de que cada cidadão tenha a mesma capacidade de decisão num país, enfatizando as formas de participação directa (o direito a decidir todos os níveis), além de democratizar as escassamente democráticas instituições representativas.

Exigir democracia com toda contundência e agitação (que deve excluir qualquer forma de violência) é revolucionário, pois entra em conflito directo com as estruturas que controlam as instituições que se autodefinem como democráticas. Também não é afirmar que a propriedade dos meios de produção, distribuição, persuasão e legitimação é chave para definir o grau de liberdade, democracia e justiça existente num país.

O grande erro de muitas esquerdas radicais tem sido limitarem- se à agitação, sem intervir na luta dentro do Estado. Estas esquerdas devem estar na rua e nas instituições, exigindo mudanças radicais (ou seja, que vão às raízes do problema de concentração de poder) contra as quais as estruturas e castas de poder se vão opor de todas as maneiras. As classes populares poderão alcançar o que desejam se se mobilizarem. O problema principal existente na Espanha e em Portugal não é o de a população não estar consciente das enormes limitações da democracia nos seus países, mas sim não acreditar que isto possa mudar. Mas a história mostra que sim, que é possível. Ao contrário do que as estruturas de poder informaram, a mudança das ditaduras para a democracia aconteceram como consequência da enorme mobilização popular, liderada pelo movimento dos trabalhadores. Foi esta mobilização que colocou fim às ditaduras. E esta mobilização pode também forçar mudanças agora, democratizando autenticamente os países. 







[1] Vicenç Navarro foi Catedrático de Economia Aplicada da Universidade de Barcelona. Actualmente é Catedrático de Ciências Políticas e Sociais da Universidade Pompeu Fabra, de Barcelona. É também professor de Políticas Públicas na Johns Hopkins University (Baltimore, EUA) onde leccionou durante 35 anos. Dirige o Programa em Políticas Públicas e Sociais patrocinado.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

IMPRENSA, POLÍTICOS E MARIONETAS




Um candidato a PM, por um partido que aspira a ser governo, tem a noção dos tempos e não gasta o seu latim pesado numa campanha prévia, numa disputa interna, um ano antes das eleições (João Miguel Tavares, aqui).

Um candidato a PM não se deve desgastar com promessas futuras, defesa de projectos à distância e apontar para resoluções a tomar daqui a mais de um ano, desconhecendo como estará a situação concreta dos acontecimentos, findo esse período de tempo – é muito tempo para analisar o comportamento do actual governo, sabendo a forma como trampolinam os factos e as realidades.

Um candidato a PM deve preocupar-se, isso sim (enquanto candidato, à distância de um ano), com a análise dos acontecimentos actuais, com a denúncia das iniquidades que afectam os cidadãos, com a competência e as provas dadas, promovendo, na análise dos eleitores, a antevisão da sua gestão, quando for PM.
Todavia, um óbice se nos apresenta – o veículo de divulgação. Esse veículo é, de um modo geral, a comunicação social, o tipo de jornalismo praticado e de comentadores escolhidos. Em suma, a manipulação da informação. Longe vai o tempo em que era condição suficiente para a verosimilhança da narrativa que determinado acontecimento ou facto tivesse sido veiculado pela televisão ou por determinado jornal.

Os jornalistas trabalham num regime de “liberdade vigiada”. A sua autonomia é limitada pelas posições editoriais que os profissionais da imprensa devem seguir. As notícias são elaboradas e editadas em redacções hierarquizadas que exercem forte coerção sobre quem produz e o que é produzido dentro delas. A imprensa histórica tem compromissos com os interesses corporativos e comerciais que ela deve acolher e isso compromete a sua credibilidade aos olhos da crítica e do público. (Luís Carlos Lopes [1])

Como escreve Estrela Serrano, no “Vai e Vem” (aqui), “uma explicação para esta súbita fixação dos jornalistas no “concreto” quando falam com António Costa está talvez no facto de pretenderem contrariar a ideia, corrente até há pouco, de que Costa tem “boa imprensa”. A demarcação surge então sob a forma de um jornalismo agressivo ou sob a (nova) forma de um jornalismo que, à falta de melhor termo, se pode chamar “jornalismo concreto”.

Como resolver…? – Não sei!

Todavia, quanto mais penso numa solução, mais me lembro de Guerra Junqueiro:

Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provem que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro. Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.
A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.
Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar” [2].






[1] Luís Carlos Lopes é professor adjunto IV do Departamento de Comunicação Social e membro do corpo permanente do Mestrado em Comunicação, Imagem e Informação do Instituto de Artes e Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense.
[2] Guerra Junqueiro, in “Pátria (1896)”

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

NÃO COMPRO VOTOS…!



António Costa, como eu o compreendo…!
Por mais que queira não entrar no ataque pessoal, não se pode evitar a denúncia do vício, da maldade, da incompetência e do afrontamento à democracia pela tentativa de manipulação dos aparelhos políticos. Seria demais!
Compreendo perfeitamente que não queira pessoalizar a campanha, mas, obrigatoriamente, terá de denunciar as manobras torpes do seu adversário; que, neste caso, não é um adversário político (embora não saiba como o hei-de definir).
Seria bom para todos nós podermos ouvir ou assistir a um debate político sobre os problemas do País, os programas de cada um dos candidatos, a apresentação das suas experiências políticas e partidárias, etc.. Para o seu oponente, o senhor não passa de um inimigo, quando deveria ser considerado, tão só, um adversário político, merecedor de elevada consideração, por respeito para com os eleitores. Em democracia, concorrer a um cargo é salutar e deveria distinguir, de igual modo, tanto vencedor como vencidos.
António Costa, fez muito bem em se demarcar de Seguro esclarecendo frontal e publicamente que não compra votos, nem ressuscita mortos e não se quer confundir com os que andam há anos na política sem que ninguém se lembre de nada que tenham feito.
Bem-haja, António Costa! Demarque-se do oportunismo político…


sexta-feira, 15 de agosto de 2014

INCOMPETÊNCIA OU CRIME?


Público, de 25-08-2014

Mais uma vez…!

Falhar ou não conseguir cumprir por incompetência, incapacidade, inaptidão ou inabilidade é mau. Muito mau, mesmo! Mas admite-se que possa não haver má-fé ou má vontade – somente incultura, ignorância…

Todavia, toda a gente sabe que quem não estiver habilitado para desempenhar um cargo ou uma função, simplesmente não o deve fazer; se insistir, incorre num crime.

Porém, é inqualificavelmente mais grave se a intenção for mesmo a de ludibriar as disposições legais, afrontar quem o elegeu, prevaricar, desafiar os poderes instituídos; em suma, destruir o que é de todos… Que nome se pode dar a isto…?


terça-feira, 12 de agosto de 2014

CAPITALISMO – A ANULAÇÃO DO OUTRO




A maior desgraça que nos tombou em cima não foi a crise económica, nem tampouco a incapacidade de vermos a luz ao fundo do túnel; a maior desgraça é sermos incapazes de idealizar uma alternativa distinta daquela em que vivemos. Todas as propostas para corrigir o problema partem sempre da base de não se mudar o modelo – o sistema –, e essa é a desgraça que nos impede de sair da situação em que nos encontramos. O capitalismo injectou-nos um “senso comum” que nos incapacita para pensar outra coisa que não seja o capitalismo. Tudo nos leva a crer que a economia é uma realidade alheia ao social, à ética, à política ou à religião, que pode funcionar sem necessidade de considerar questões sobre se é lícito ou não fazer isto ou aquilo, o que se pode fazer ou não, etc.. O único sentido que rege a economia é a maximização do benefício e a minimização do esforço; qualquer outra questão fica fora do âmbito económico. Um economista seria algo assim como um ser racional que pesaria as opções de obter benefícios em função das opções que lhe oferece o mercado, sem se quedar para pensar em mais nada que não fossem os limites impostos pelas leis – leis que cada vez menos valor têm no mundo da economia, provocado pela eliminação das regras nessa área. Deste modo, um ser racional só deveria procurar o máximo benefício, que é o “senso comum da economia capitalista, isto é, o “sem sentido” que nos levou à situação actual.

Em 1910, um pregador e economista britânico, digno sucessor daquela magnífica escola de pensamento – quando ainda não se tinha separado a economia da ética e da moral –, atingiu o ponto do fundamento da economia capitalista. Chamou-lhe o “Senso Comum da Economia Política”: Philip H. Wicksteed, The common Sense of Political Economy (Londres 1910). É uma obra em dois volumes onde deixa claro que a economia não é algo alheia às restantes realidades humanas, porém alerta para a mudança radical que esperava a economia dos anos 20 do século passado.

A chave para entender a economia capitalista não é apelidá-la de egoísta; não é o egoísmo, a fixação no benefício próprio, o que fundamenta a economia, é a indiferença pelo outro concreto, aquele que está do outro lado do intercâmbio económico, que está na base do capitalismo – é a total indiferença pelos outros.
O capitalismo é muito pior do que aquilo que possamos pensar. O problema não é o homem capitalista que vive encerrado nos seus desejos e apetites, é o facto de viver da negociação do outro e, principalmente, da sua anulação.

Podemos ver duas passagens que ilustram o pensamento de Wicksteed:

- Book I, Ch.5. 24: The specific characteristic of an economic relation is not its “egoism,” but its “non-tuism”.
- Book I, Ch.5. 25: That is to say, since a man, when he is doing business, is generally only thinking of his own bargain, and how to deal with his correspondent, and not of any one else at all, the exclusion of “tu” is tantamount to the solitary survival of “ego”. So that, after all, “altruism” has no place in business, and “non-tuism” is equivalent to “egoism”.

Como vemos, no capitalismo, a exclusão do “Tu” é equivalente à sobrevivência do Eu, é a possibilidade de ser “homo œconomicus”. Não há lugar para o altruísmo nos negócios, mas sim para a negação do outro como fundamento do Eu Económico. O Senso Comum capitalista é algo muito estranho para ser de um homem normal, deve ser forçado para que o aceite, para que aceite que o “seu Ser” cresça quando o nega a outros, que o “Seu Eu” não seja um projecto comum que se insere na história, na sociedade e num mundo equânimo. O grande mal que nos transmite o capitalismo não é só o egoísmo, é o não-tuísmo e a negação do outro. O capitalismo é a descendência económica dum projecto de ruptura da modernidade cartesiana e com ele deve morrer.

O verdadeiro e único sentido comum humano é o que está ligado a um mundo natural que é a sua base e o seu assento mais seguro; é ser-se filho de um povo, com uma história e um projecto de amor vinculado e relacional. O Senso Comum humano expressa-se nas tradições e nos ensinamentos dos povos: não tomar mais do que se precisa, respeitar os outros, dar quando sobra e não pedir quando não necessita. Por último, o Senso Comum humano corresponde a uma sabedoria ancestral que nos foi transmitida evolutivamente e cuja negação ou atentado nos tirará deste planeta. Há uma contradição essencial entre o que é humano e o capitalismo que se pretende elevar a uma gama de legalidade máxima. É necessário e urgente destruir-se o capitalismo como Sistema Económico e Social. Ou eliminamos o capitalismo ou este nos eliminará a nós.


quarta-feira, 16 de julho de 2014

NENHUM DOS SOBREVIVENTES MORREU…!




Estamos a sair da crise…!

Sem grandes preocupações ou já sem necessidade de o justificar, o governo vai acabando com a crise.

Dois casos:

1º Caso – a Fome
«Os hospitais Amadora-Sintra e Pedro Hispano, em Matosinhos, registaram casos de grávidas ou crianças que ficaram internadas para se alimentarem.

Alguns hospitais portugueses estão a receber grávidas e crianças com fome que, por vezes, acabam por ser internados para suprir as suas necessidades alimentares. A realização de alguns exames médicos, como o CTG (que mede a frequência cardíaca do feto e as contracções), é posta em causa pela falta de alimentação, já que se a mãe não estiver alimentada o feto não está reactivo.

O Ministro da Saúde, Paulo Macedo, anunciou, esta semana, que está em curso uma "uma revisão da legislação para que todos os casos de carácter social possam ser tratados na sua esfera própria, que é a social"». (aqui)

Mas… Até agora, onde eram tratados…? Ou não passavam fome, ou regiam-se por normas normais de sobrevivência, à margem das leis – em suma, simplesmente viviam.

2º Caso – a Saúde

«Dois doentes morreram enquanto esperavam por uma intervenção no Hospital Santa Cruz, alegadamente por falta de dispositivos médicos devida a “limitações administrativas”, denunciou hoje a Ordem dos Médicos, com base na denúncia de clínicos da unidade de saúde.

[…] Além destas duas mortes, os médicos do Hospital de Santa Cruz que efectuaram a denúncia à Ordem garantem que a Unidade de Intervenção Cardiovascular “ficou sem capacidade de resposta desde o dia 04 de Julho por falta de manutenção e material”». (aqui)


Será isto acabar com a crise…?

Por este andar, quando conseguirem acabar com a crise, poucos sobreviventes restarão. Poderão, então, apregoar aos quatro ventos que nenhum dos sobreviventes morreu…! Todos os sobreviventes se salvaram…!


quarta-feira, 9 de julho de 2014

O FUTEBOL – RELIGIÃO SECULAR MUNDIAL




O presente Campeonato Mundial de Futebol que se realiza no Brasil, bem como outros grandes eventos futebolísticos, semelhante ao mercado, assumem características, próprias das religiões. Para milhões de pessoas o futebol, o desporto que possivelmente mais mobiliza no mundo, ocupou o lugar que comumente detinha a religião. Estudiosos da religião, somente para citar dois importantes como Emile Durkheim e Lucien Goldmann, sustentam que “a religião não é um sistema de ideias; é antes um sistema de forças que mobilizam as pessoas até levá-las à mais alta exaltação”(Durckheim).

A fé vem sempre acoplada à religião. Esse mesmo clássico afirma no seu famoso “As formas elementares da vida religiosa”: “A fé é antes de tudo calor, vida, entusiasmo, exaltação de toda a actividade mental, transporte do indivíduo para além de si mesmo”(p.607). E conclui Lucien Goldamnn, sociólogo da religião e marxista pascaliano: “crer é apostar que a vida e a história tem sentido; o absurdo existe mas ele não prevalece”.

Ora, se bem reparamos o futebol para muita gente preenche as características religiosas: fé, entusiasmo, calor, exaltação, um campo de força e uma permanente aposta de que seu time vai triunfar.

A espectacularização da abertura dos jogos lembra uma grande celebração religiosa, carregada de reverência, respeito, silêncio, seguido de ruidoso aplauso e gritos de entusiasmo. Ritualizações sofisticadas, com músicas e encenações das várias culturas presentes no país, apresentação de símbolos do futebol (estandartes e bandeiras), especialmente a taça que funciona como um verdadeiro cálice sagrado, um santo Graal buscado por todos. E há, valha o respeito, a bola que funciona como uma espécie de hóstia que é comungada por todos.

No futebol como na religião, tomemos a católica como referência, existem os onze apóstolos (Judas não conta) que são os onze jogadores, enviados para representar o país; os santos referenciais como Pelé, Garrincha, Beckenbauer, Eusébio, Ronaldo e outros; existe outrossim um Papa que é o presidente da FIFA, dotado de poderes quase infalíveis. Vem cercado de cardeais que constituem a comissão técnica responsável pelo evento. Seguem os arcebispos e bispos que são os coordenadores nacionais da Copa. Em seguida aparece a casta sacerdotal dos treinadores, estes portadores de especial poder sacramental de colocar, confirmar e tirar jogadores. Depois emergem os diáconos que formam o corpo dos juízes, mestres-teólogos da ortodoxia, vale dizer, das regras do jogo e que fazem o trabalho concreto da condução da partida. Por fim vêm os acólitos – os “bandeirinhas” – que ajudam os diáconos.
O desenrolar de uma partida suscita fenómenos que ocorrem também na religião: gritam-se jaculatórias (palavras de ordem), chora-se de comoção, fazem-se rezas, promessas divinas, figas e outros símbolos da diversidade religiosa brasileira. Santos fortes são aí evocados e invocados.

Existe até uma Santa Inquisição, o corpo técnico, cuja missão é zelar pela ortodoxia, dirimir conflitos de interpretação e eventualmente processar e punir jogadores.

Como nas religiões e igrejas existem ordens e congregações religiosas, assim há as “torcidas organizadas”. Elas têm os seus ritos, os seus cânticos e a sua ética.

Há famílias inteiras que escolhem morar perto do Estádio que funciona como uma verdadeira igreja, onde os fiéis se encontram e comungam seus sonhos. Tatuam o corpo com os símbolos do clube; a criança nem acaba de nascer, mas a porta da incubadora já vem ornada com os símbolos do clube, quer dizer, recebe já aí o baptismo que jamais deve ser traído.

Considero razoável entender a fé como a formulou o grande filósofo e matemático cristão Blaise Pascal, como uma aposta: se aposta que Deus existe tem tudo a ganhar; se de facto não existe, não tem nada a perder. Então é melhor apostar de que exista. O adepto vive de apostas (cuja expressão maior é a lotaria desportiva) de que a sorte beneficiará a equipa ou de que outra coisa, no último minuto do jogo, tudo pode virar e, por fim, ganhar por mais forte que for o adversário. Como na religião há pessoas referenciais, da mesma forma vale para os craques.

Na religião existe a doença do fanatismo, da intolerância e da violência contra outra expressão religiosa; o mesmo ocorre no futebol: grupos de um clube agridem outros do clube concorrente. Os autocarros são apedrejados. E podem ocorrer verdadeiros crimes, de todos conhecidos, que claques organizadas e de fanáticos que podem ferir e até matar adversários de outro clube concorrente.

Para muitos, o futebol transformou-se numa cosmovisão, uma forma de entender o mundo e de dar sentido à vida. Alguns são sofredores quando seu clube perde e eufóricos quando ganha.

Há jogadores que são geniais artistas de criatividade e habilidade. Não sem razão, o maior filósofo do século XX, Martin Heidegger, não perdia um jogo importante, pois via, no futebol a concretização de sua filosofia: a contenda entre o Ser e o Ente, enfrentando-se, negando-se, compondo-se e constituindo o imprevisível jogo da vida, que todos jogamos.

Adaptado de Leonardo Boff.


terça-feira, 8 de julho de 2014

UM TUFÃO QUE AMEAÇA OS EUROPEUS




E se de repente a Europa começasse a pensar em baixar os impostos relacionados com o trabalho, em Portugal; a Alemanha criasse um salário mínimo nacional (€ 1.496,00) … enfim, desconfiaríamos. Será que pretendem garantir a observância de uma certa estabilidade financeira (que não económica) para cumprir acordos…?

– Tratado Transatlântico.

Vejamos o que se poderá “especular”, depois de se ler o artigo de Lori Wallachi, Directora da Public Citizen’s Global Trade Watch (Washington), publicado no Le Monde diplomatique (edição portuguesa).

“Iniciadas em 2008, as discussões sobre o Acordo de Comércio Livre entre o Canadá e a União Europeia foram concluídas a 18 de Outubro. Um bom presságio para o governo americano, que espera concluir uma parceria deste tipo com o Velho Continente. Este projecto, negociado em segredo e intensamente apoiado pelas multinacionais, permitirá que estas processem os Estados que não se verguem às normas do liberalismo”.

Será imaginável que multinacionais processem judicialmente os governos cuja orientação política tenha o efeito de diminuir os seus lucros? Será concebível que elas possam exigir – e conseguir! – uma generosa compensação por ganhos cessantes (não realizados), induzida por um direito do trabalho demasiado constrangedor ou por uma legislação ambiental demasiado espoliadora? Por inverosímil que pareça, este cenário não é novo. Ele estava já presente, com toda a clareza, no Projecto de Acordo Multilateral sobre o Investimento (AMI) negociado secretamente entre 1995 e 1997 pelos vinte e nove Estados-membros da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Divulgado “in extremis”, nomeadamente pelo Le Monde diplomatique, o texto suscitou uma vaga de protestos sem precedentes, forçando os seus promotores a retirá-lo. Passados quinze anos, eis que regressa com novas roupagens.

O Acordo de Parceria Transatlântica (APT), negociado desde Julho de 2013 pelos Estados Unidos e pela União Europeia, é uma versão modificada do AMI. Prevê que as legislações em vigor dos dois lados do Atlântico se verguem às normas do comércio livre estabelecidas por e para as grandes empresas europeias e norte-americanas, sob pena de sanções comerciais para os países infractores ou de reparações de vários milhões de euros em benefícios dos queixosos.

Segurança dos alimentos, normas de toxicidade, seguros de saúde, preço dos medicamentos, liberdade da Internet, protecção da vida privada, energia, cultura, direitos de autor, recursos naturais, formação profissional, equipamentos públicos, imigração: não há qualquer domínio de interesse geral que escape à vergonha do comércio livre institucionalizado.

Eis alguns assuntos que, com as suas gravíssimas implicações, não foram descurados pelos “outorgantes”:

- Tribunais especialmente criados

- Processo por aumento do salário mínimo

- A “injusta” rejeição da carne de porco com ractopamina

E se, de repente, os grandes da Europa começassem a viajar (em negócios) por países fora do TTA  (por exemplo, a China) …?

– Não, não é Impulse…! Talvez… esperteza… ou poder…

Está já estipulado que os países signatários deverão assegurar a “colocação em conformidade das suas leis, regulamentos e procedimentos” com as disposições do tratado. Ninguém duvida que procurarão honrar escrupulosamente este compromisso. No caso contrário, poderiam ser alvo de processos judiciais num dos tribunais especialmente criados para arbitrar os litígios entre os investidores e os Estados, que serão dotados do poder de sentenciar sanções comerciais contra estes últimos.

Enfim…! É o que nos espera.

O projecto de grande mercado americano-europeu é defendido há muitos anos pelo Diálogo Económico Transatlântico (Trans-Atlantic Business Dialogue, TABD), um lóbi hoje mais conhecido pela designação de Trans-Atlantic Business Council (TABC). Criado em 1995 com o patrocínio da Comissão Europeia e do Ministério do Comércio norte-americano, este grupo de ricos empresários milita a favor de um “diálogo” altamente construtivo entre as elites económicas dos dois continentes, a administração de Washington e os comissários de Bruxelas. O TABC é um fórum permanente que permite às multinacionais coordenarem os seus ataques contra as políticas de interesse geral que ainda se mantêm de pé dos dois lados do Atlântico.


segunda-feira, 7 de julho de 2014

O BANQUEIRO



Este texto seguinte, escrito por Craig-James Moncur, ilustra bem o que é a trapalhada de banqueiros e poderosos. Somente a incompetência de uns e a “zanga de comadres” permitiu que pudéssemos pôr os pés no chão e tenuemente vislumbrássemos um resquício do poder medonho que nos escraviza.


Vejamos o texto e o vídeo de "O Banqueiro", de Craig-James Moncur, interpretado por Mike Daviot:

Olá. O meu nome é Montague William III. O que vos vou contar pode parecer absurdo; mas, quantos menos acreditarem, melhor para mim. É que, sabem, eu estou na finança e na grande indústria.

Por muitos anos controlámos as vossas vidas, enquanto muitos de vós lutam e sofrem. Nós criámos as coisas que vocês, de facto, não necessitam: os carros desportivos, as modas e os plasmas…

Lembro-me, com clareza, como tudo começou – segredos de família de pai para filho. Conhecimento herdado, que me dá a vantagem.

Enquanto vós, camponeses, digo, pessoas jazem a dormir à noite nas vossas camas, nós controlamos o dinheiro que controla as vossas vidas. Enquanto vocês adoram falsos ídolos e não pensam duas vezes em vender as vossas almas por um lugar ao sol – estas coisas que não interessarão quando a vossa hora chegar. Mas enquanto eles lá estiverem para controlar as massas, eu apenas me reclino e pondero os meus activos, seguro na certeza de que tudo possuo, enquanto vós, pessoas comuns, perdem os vossos empregos. Estão a ver, por vós apenas tenho o máximo desprezo.

Mas o sorriso na minha face torna-me isento porque eu tenho a arma da televisão global que nos une e convida à empatia. Vocês acreditarão genuinamente que nós temos os vossos interesses em mente. Mas, se vocês vissem isso então tomariam de volta o poder. Daí os terrores diários que vos amedrontam; os pânicos e os colapsos bolsistas, as guerras e as doenças que impedem que encontrem a vossa integridade espiritual. Nós deturpamos o jogo; nós compramos ambos os lados para vos manter escravos nas vossas tristes vidas. Por isso, vão e trabalhem à medida que o vosso relógio perde corda. E quando tudo estiver acabado, a uns anos da cova, olharão para tudo isto e, apenas nessa altura, verão que a vossa vida foi nada – uma mera fantasia.

Há muito poucas coisas que nós não controlamos. Possuir os advogados e a polícia sempre foi um objectivo, cumprindo os nossos propósitos à medida que marcham na rua; mas eles nunca se aperceberão que são apenas gado, pois o poder real reside nas mãos de uns poucos.

Vocês votaram por partidos; que mais poderiam fazer? Mas o que vocês não sabem é que eles são um e o mesmo. O velho Gordon passou as rédeas ao velho David e vocês seguirão o líder que foi lá posto por vós.

O vosso sangue corre vermelho, enquanto o nosso corre azul; mas vocês simplesmente não vêem – faz tudo parte do jogo.

Outra distracção como o dinheiro e a fama. Preparem-se para as guerras em nome dos livres: Vacinas para doenças que nunca o serão, o assalto às impressionáveis mentes das vossas crianças e um mundo “microchipado” vocês nem darão luta. A supressão de informação manter-vos-á em sentido. O despovoamento de camponeses sempre foi o nosso objectivo; mas, a eugenia não foi o que nós esperávamos que fosse.

Oh sim, fomos nós quem financiou os Nazis! Mas, desde que sejamos donos de todos os media, o que realmente está a acontecer não vos diz respeito. Por isso continuem apenas a ver a vossa televisão de plasma e o mundo será governado por aqueles que vocês não podem ver”.




sexta-feira, 4 de julho de 2014

CARLOS DO CARMO, PARABÉNS!




Agora, sim…! Consigo perceber a dimensão do prémio atribuído a Carlos do Carmo. A sua dimensão, a exemplo do Prémio Nobel atribuído a José Saramago, não foi tomado em consideração por Cavaco Silva – transcendem-no.

Este reconhecimento que o mundo, na sua globalidade cultural, atribuiu a Carlos do Carmo – como já o fizera a José Saramago – supera a capacidade do primeiro magistrado da nação. A grandeza destes reconhecimentos – Prémios – está muito acima da compreensão do presidente; talvez não seja por mal, simplesmente não os compreende…

Carlos do Carmo, parabéns pelo prémio cujo reconhecimento está muito acima da compreensão dos “simples” (de compreensão)… Se fosse futebol (mesmo perdendo) talvez tivesse direito a um “telefonemazinho” a felicitá-lo (como o fez o presidente americano à sua equipa).

Todavia, estranho, porque é um prémio que também reconhece o Fado… Mas a sua arte, Carlos do Carmo, não se enquadra na trilogia do passado – Fado, Fátima e Futebol. Aquilo que o Carlos nos tem dado é Arte. Não pode esperar que todos a compreendam (principalmente os… vá lá… facciosos.