quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Acção contra o acordo ortográfico no sistema de ensino público será entregue no Supremo Tribunal Administrativo




As escolas podem deixar de ter de ensinar segundo o Acordo Ortográfico, caso vingue a acção que um grupo de cidadãos e a Associação Nacional de Professores de Português (Anproport) entrega hoje em tribunal.

A acção contra o acordo ortográfico no sistema de ensino público é entregue no Supremo Tribunal Administrativo, em Lisboa, e impugna a resolução do Conselho de Ministros 8/2011, que mandou aplicar nas escolas o Acordo Ortográfico de 1990 (AO90).


Além da Anproport, a acção é uma iniciativa do grupo “Cidadãos contra o Acordo Ortográfico de 1990”, constituído na rede social Facebook e que já tem mais de 30 mil membros.

Artur Magalhães Mateus, primeiro autor da acção, jurista e membro do grupo, explicou à agência Lusa que, caso a acção vingue, o AO90 continua, mas deixa de ser imposto, não será vinculativo. E o responsável acredita que, não sendo vinculativo, em pouco tempo será esquecido.

Já em Maio passado os mesmos autores tinham apresentado uma acção para anular a norma jurídica que aplica o AO90. “A acção de hoje segue-se a outras intentadas na administração pública (o mesmo objectivo que a de hoje) e também temos apresentado petições”, disse Artur Magalhães Mateus, lembrando que decorre igualmente a recolha de assinaturas para um referendo sobre a matéria.

Questionado sobre se uma nova mudança na forma de escrever não ia confundir os alunos o responsável disse: “Regressar a uma grafia correcta e não responsável por novos erros é sempre positivo. Quando foi feita esta resolução do Conselho de Ministros, também ninguém questionou se seria penoso para as crianças”.

De acordo com Artur Magalhães Mateus, a vantagem da mudança é uma grafia “muito mais lógica, mais fácil de aprender e que não causa erros como a de agora”, tanto mais que, com o AO90, há palavras que estão a ser escritas e acentuadas de forma errada.

A resolução do Conselho de Ministros 87/2011 (do XVIII Governo Constitucional, liderado por José Sócrates) mandou aplicar o AO90 ao sistema de ensino, a partir de 2011/12.

Os autores do processo entendem que esta resolução contém “ilegalidades flagrantes”, que o AO90 “não está em vigor juridicamente” e que é “inconstitucional a vários títulos”.

“Já pedimos ao provedor de Justiça que requeresse ao Tribunal Constitucional a apreciação da constitucionalidade do AO90”, salientou Artur Mateus, lembrando que a iniciativa de referendo ao Acordo já tem 32.800 assinaturas em papel, das 60.000 necessárias.

“Continuamos a recolher assinaturas, o processo é moroso, mas estamos confiantes que conseguiremos as assinaturas necessárias”, disse.

A aplicação do AO90 sempre gerou polémica em Portugal e até o Presidente da República falou do assunto, admitindo que o Acordo podia ser repensado em Portugal, se países como Angola e Moçambique também o fizerem.

17 DE NOVEMBRO DE 2016 | 09:31

(Com alguma reescrita do texto em termos anteriores
ao AO90)



quarta-feira, 2 de novembro de 2016

DA MINHA CORRESPONDÊNCIA COM O EDUARDO (4)

















[…]

Depois do dia de ontem – de todos os santos (incluindo os santos Sálvio e Ederson) – retomamos à nossa sina – o dia dos mortos.

Queria perceber o povo americano, mas não consigo. Queria entender a carta do director do FBI e a posterior denúncia de um indulto, há 15 anos, feito por Clinton, mas, por mais explicações que me dêem, não abranjo. Queria perceber o que é que não vêem em Trump e em Putin que permita apoiá-los. Queria perceber a UE, Juncker, Merkel, Cristalina, Oettinger e tantos mais... mas, de facto concluo que a minha compreensão é bastante limitada.

Para compreender este mundo da "política" é necessário ter uma mente diabólica e, sendo assim, vejo-me obrigado a entender passos coelho quando diz que o diabo está a chegar – é só uma questão temporal, já chegou.

Hoje, é o dia dos mortos... e o diabo já anda aí...

[…]



segunda-feira, 1 de agosto de 2016

O banco que pensou que desempenhava o “trabalho de Deus”




Ainda só há uns poucos dias foi nomeado como Vice-Presidente não executivo do banco e já começou a haver problemas por lá.

O seu colega, em Portugal (ambos foram ex-primeiros-ministros e do mesmo partido), que não conseguiu um “emprego” tão bom em Portugal já começou a anunciar – qual profeta da desgraça – o “inferno”, que se avizinha.

Será que é mesmo profeta?

Devemos duvidar, apesar de tudo; ele, enquanto PM, profetizou muita coisa, mas não acertou nenhuma – nem mesmo aquelas que ele próprio “fabricava”.

Agora, mais grave porque mexe com o “trabalho de Deus”, damo-nos conta que o recém-nomeado Vice-Presidente não executivo do Goldman Sachs está lá há meia dúzia de dias e já se vê confrontado com enormes problemas. O Banco está a ser investigado por fraude.

Se calhar, o banco não tem qualquer problema e o que fala é a inveja; gente do Deutsche Bank, para não se sentir isolada… Ou então, são as “más-línguas” a dizer mal dos coitados dos bancos… Gente que guarda as nossas economias para não as gastarmos mal.

Pelo menos, têm desempenhado mal o “trabalho de Deus” ou rodeou-se, em demasia, de anjinhos



sábado, 16 de julho de 2016

DA MINHA CORRESPONDÊNCIA COM O EDUARDO (3)















[…]

Nos últimos dias, intencional ou circunstancialmente, temos falado de misérias, ou se quiseres, temos trazido ao nosso discurso/diálogo a realidade social deste mundo – a desgraça.

Escrevi, ontem, que "é necessário que a Europa (e o resto do mundo) acorde, se deixe de pactos desonestos com governantes desonestos (como o Erdogan, da Turquia) e aja...".

Hoje, ao analisar os acontecimentos de ontem ocorridos na Turquia (pretensa tentativa de golpe de estado), conhecendo o Erdogan como ele se tem, involuntariamente, mostrado (um santo, líder dos infernos), depois de relembrar a prisão arbitrária, há umas semanas atrás, de cerca de 300 oficiais superiores do exército turco (convém não esquecer que este é o segundo maior exército do mundo) e ao facto (conveniente, não fosse o diabo tecê-las…) de o presidente estar de férias fora do país (todavia, preparado para regressar, se o povo saísse à rua, em resposta às suas solicitações e apelos), ainda me espanto.

Então não querem lá ver que o Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, afirmou na última madrugada que a tentativa de golpe de Estado é como um "presente de Deus" que permitirá "limpar" o Exército.

Este individuo não dá ponto sem nó. Será que este tipo forjou e encenou esta aparente sublevação...?

Dele, espera-se tudo!

[…]



sábado, 9 de julho de 2016

O QUE É O GOLDMAN SACHS?




BARROSO VAI PARA O “BANCO QUE DIRIGE O MUNDO”

É conhecido como "the firm" (a firma) e enquanto o mundo se debate com crises financeiras, o gigante do mundo financeiro não só sobrevive como mantém e cresce em poder. O Goldman Sachs é um grupo financeiro anglo-saxónico, que esteve envolvido na crise da maquilhagem das contas da Grécia, no escândalo Abacus em que era acusado de enganar os próprios clientes e, depois de todos esses casos, cresceu a influência que tem no mundo.

“As pessoas que se preocupam apenas em ganhar dinheiro, não vão aguentar esta empresa – ou a confiança dos seus clientes – por muito mais tempo”. Este foi um dos avisos dados por Greg Smith, banqueiro do Goldman Sachs durante 12 anos, que se demitiu com uma carta que tornou pública no New York Times. "Why I am leaving Goldman Sachs" (Porque saio do Goldman Sachs) foi um texto que caiu com estrondo no grupo financeiro, que já estava a braços com alguns problemas de reputação, não de poder, sobretudo desde o grande escândalo Abacus, de 2007.

Mas não abalou o gigante financeiro, que para o jornalista francês Marc Roche, funciona com o lema: "Quem faz mais dinheiro, detém o poder". Ou, nas palavras do próprio CEO do banco de investimento, Lloyd Blankfein: "Sou um banqueiro que faz o trabalho de Deus".

O demissionário Greg Smith foi apenas um dos nomes que falou sobre os problemas do gigante financeiro que, muitos dos seus críticos dizem, mais do que dominar o mundo financeiro, controla governos e instituições com relevância por todo o mundo. E como o faz? "Funcionam em todo o mundo, gostam de arranjar pessoas inteligentes de outras partes do mundo, levá-las a Nova Iorque, dar-lhes cargos importantes no Goldman. É quase como uma universidade", explicou Richard Sylla, professor da Stern Business School, no documentário "Goldman Sachs - O banco que dirige o mundo", de Jérôme Fritel, baseado no livro do jornalista Marc Roche.

Para quem analisa o mundo financeiro, o Goldman Sachs funciona assim como uma porta giratória entre o banco e lugares de influência do poder. Muitos dos nomes influentes em altos cargos políticos passaram por lá, como o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi. Durão Barroso fez o caminho inverso. Esteve primeiro em cargos de influência e agora vai para presidente não-executivo.

Mas não só. Passaram por lá Hank Paulson, que foi presidente do Goldman Sachs e depois secretário de Estado do Tesouro dos Estados Unidos; António Borges, entretanto falecido, que chegou a ser director do Fundo Monetário Internacional para a Europa; Mário Monti, ex-primeiro-ministro italiano; Romano Prodi, ex-primeiro-ministro italiano e também ex-presidente da Comissão Europeia; Otmar Issing, que passou pelo BCE, entre outros.

Com essa rede de influência, o grupo financeiro – que não funciona como um banco normal com agências e o edifício da sua sede nem tem sinalética a identificá-lo –, está no centro das decisões políticas em todo  o mundo. E isso já lhes trouxe alguns dissabores.
Afinal, o Goldman Sachs "é o banco que manda no mundo". Foi assim que o corretor bolsista Alessio Rastani classificou o Goldman Sachs em entrevista à BBC em 2011. Em plena crise financeira, o corretor tornou-se um fenómeno viral na Internet por ter dito aquilo que muitos críticos e políticos pensam.

Quando um escândalo não vem sozinho

Apesar de ter descido os lucros, os proveitos do grupo financeiro em 2015 foram de 5,6 mil milhões de dólares (cerca de cinco mil milhões de euros), o que fez aumentar o bónus salarial de Lloyd Blankfein, o CEO do grupo, para quase 30 milhões de dólares (27 milhões de euros). E, mesmo assim, o valor é mais baixo porque o banco teve de pagar multas por causa de casos judiciais.

Quais? Tudo remonta a 2007 quando o banco foi acusado de enganar os próprios clientes no caso Abacus, vendendo activos imobiliários que desvalorizaram, provocando perdas avultadas de dinheiro aos clientes e lucros astronómicos ao banco. Nesse ano, apesar do caso, os lucros do Goldman Sachs foram de 13 mil milhões de euros (quase 12 mil milhões de euros).

A vítima judicial deste caso foi apenas um jovem banqueiro Fabrice Tourré – que se auto-apelidava de "Fab, o Fabuloso". O banco só em 2010 viria a ser acusado, por não ter informado com rigor os seus investidores acerca do novo produto que colocou no mercado, o Abacus, antes de a crise eclodir. Associado ao chamado crédito de alto risco, este novo produto acabou por determinar perdas de mil milhões de dólares para quem nele arriscou o seu dinheiro.

Abalou o prestígio do Goldman Sachs, sobretudo nos Estados Unidos, isto apesar de um das vítimas deste esquema ter sido um banco alemão, IKB, que teria perdas avultadas e depois foi nacionalizado.

Pouco tempo depois, o banco veria o seu nome ser envolvido num escândalo, mas por outros motivos. Em plena crise financeira, o seu principal concorrente, o Lehman Brothers, pediu ajuda ao Governo norte-americano. E o secretário de Estado do Tesouro recusou, dizendo que não queria onerar os contribuintes com o resgate de um banco de investimento.

Contudo, o verdadeiro poderio do Goldman Sachs só foi reconhecido do lado de cá do Atlântico quando foi descoberto o seu papel na maquilhagem das contas da Grécia, desde o início deste século. Para responder às regras do euro, o Tesouro grego aceitou uma operação de dívida com o grupo financeiro, que viria a contribuir para que as contas do país parecessem melhores do que realmente estavam. E quando o acordo falhou, a Grécia caiu.

Ora os ecos da ligação entre Goldman Sachs e a Grécia não se fizeram apenas sentir na finanças dos estados soberanos, com a crise a alastrar. Fizeram também sentir-se politicamente, mesmo que sem resultados práticos. Durante a audição no Parlamento Europeu antes da sua nomeação como presidente do BCE, Mario Draghi, acabou por ser confrontado sobre se sabia ou não do que tinha feito a gigante financeira. Aos eurodeputados, disse que essa relação era anterior à sua entrada no banco. "Não tive nada a ver com estes negócios, nem antes, nem depois", disse. E repetiu que nunca trabalhou com o sector público, mas com o privado e que essa foi uma das condições para ter entrado no Goldman Sachs.

Ao longo dos anos, vários têm sido os casos que atingem o grupo financeiro anglo-saxónico, mas o Goldman Sachs continua a ser, para muitos, o banco de investimento com mais poder no mundo.

Fonte Liliana Valente



terça-feira, 5 de julho de 2016

DA MINHA CORRESPONDÊNCIA COM O EDUARDO (2)











[…]
O Sr. Pierre Moscovici, comissário europeu dos Assuntos Económicos, diz que as sanções não são para punir. Irra! que estes indivíduos, além da iliteracia que detêm, querem afirmá-la publicamente…

Ora vejamos. Sanção quer dizer: 1. Parte da lei em que se estabelece a pena contra os infractores da mesma; 2. Castigo ou medida de coacção.

Percebe-se, agora, os motivos pelos quais a Europa se encontra no estado em que está...
[…]



sexta-feira, 1 de julho de 2016

BEM-VINDO À QUARTA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL!




CASO NÃO TENHA PERCEBIDO, A QUARTA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL JÁ COMEÇOU

Em 1998, a Kodak tinha 170.000 funcionários e vendeu 85% de todo o papel fotográfico vendido no mundo. Em poucos anos, o modelo de negócios dela desapareceu e abriu falência.

O que aconteceu com a Kodak irá acontecer com um monte de indústrias nos próximos 10 anos – e a maioria das pessoas não nota a rápida aproximação.

Poder-se-ia imaginar, em 1998, que 3 anos mais tarde nunca mais se iria registar fotos em filme de papel?

No entanto, as câmaras digitais foram inventadas em 1975. As primeiras só tinham 10.000 pixels, mas seguiram a Lei de Moore. Assim como acontece com todas as tecnologias exponenciais, elas foram decepcionantes durante um longo tempo, até se tornarem imensamente superiores e dominantes em poucos anos.

O mesmo acontecerá agora com a inteligência artificial, a saúde, veículos autónomos e eléctricos, com a educação, a impressão em 3D, a agricultura e os empregos.

O SOFTWARE irá destroçar a maioria das actividades tradicionais nos próximos 5 a 10 anos. A UBER é apenas uma ferramenta de software, eles não são proprietários de carros e são agora a maior companhia de táxis do mundo. A AIRBNB é a maior companhia hoteleira do mundo, embora não sejam proprietários.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: Computadores estão a tornar-se exponencialmente melhores no entendimento do mundo.

Nos Estados Unidos, os advogados jovens já não conseguem empregos. Com O WATSON, da IBM, pode conseguir aconselhamento legal (por enquanto em assuntos mais ou menos básicos) dentro de segundos, com 90% de exactidão, se comparado com os 70% de exactidão quando feito por humanos. Por isso, se está a estudar Direito, PARE imediatamente. Haverá 90% menos advogados no futuro, apenas especialistas permanecerão.

O WATSON já está a ajudar enfermeiras a diagnosticar cancro, quatro vezes mais eficazes do que enfermeiras humanas.

O FACEBOOK incorpora agora um SOFTWARE DE RECONHECIMENTO de padrões que pode identificar faces melhor que os humanos.

Em 2030, OS COMPUTADORES tornar-se-ão mais inteligentes que os humanos.

VEÍCULOS AUTÓNOMOS: em 2018 os primeiros veículos dirigidos automaticamente aparecerão ao público. Por volta de 2020, a indústria automobilística completa começará a ser demolida. Uma pessoa não desejará mais possuir um automóvel. Os nossos filhos já não necessitarão de uma carta de condução ou serão donos de um carro. Isso mudará as cidades, pois necessitaremos 90 a 95% menos carros para isso. Poderemos transformar áreas de estacionamento em parques. Cerca de 1.200.000 pessoas morrem, por ano, em acidentes automobilísticos em todo o mundo. Temos agora um acidente a cada 100.000 km, mas com veículos autodirigidos isto cairá para um acidente a cada 10.000.000 de km. Isso salvará mais de 1.000.000 de vidas em cada ano.

A maioria das empresas de carros poderão falir. Companhias tradicionais de carros adoptam a táctica evolucionista e constroem carros melhores, enquanto as companhias tecnológicas (Tesla, Apple, Google) adoptarão a táctica revolucionária e construirão um computador sobre rodas. Eu falei com um monte de engenheiros da Volkswagen e da Audi: estão completamente aterrorizados com a TESLA.

As COMPANHIAS de SEGUROS terão problemas enormes porque, sem acidentes, o seguro tornar-se-á 100 vezes mais barato. O modelo actual dos negócios de seguros de automóveis desaparecerá.

Os NEGÓCIOS IMOBILIÁRIOS mudarão. Pelo facto de poderem trabalhar enquanto se deslocam, as pessoas vão mudar-se para mais longe para desfrutarem duma paisagem mais bonita.

Os CARROS ELÉTRICOS tornar-se-ão dominantes até 2020. As cidades serão menos ruidosas porque todos os carros rodarão electricamente.

A ELECTRICIDADE tornar-se-á incrivelmente barata e limpa: a energia solar tem estado numa curva exponencial por 30 anos, mas somente agora se pode sentir o impacto.

No ano passado, foram montadas mais INSTALAÇÕES de ENERGIA SOLAR do que energia fóssil. O preço da energia solar vai cair de tal forma que todas as mineradoras de carvão cessarão actividades por volta de 2025.

Com electricidade barata teremos ÁGUA abundante e barata. A dessalinização agora consome apenas 2 quilowatts/hora por metro cúbico. Não temos escassez de água na maioria dos locais, temos apenas escassez de água potável. Imagine o que será possível se cada um tiver tanta água limpa quanto desejar, quase sem custo.

SAÚDE: O preço do TRICORDER[1] X será anunciado este ano. Teremos companhias que irão construir um aparelho médico (chamado Tricorder na série Star Trek) que trabalha com o seu telefone, fazendo o despiste da retina, testa a amostra de sangue e analisa a sua respiração (espirómetro). O aparelho então analisará 54 bio marcadores que identificarão praticamente qualquer doença. Vai ser barato, de tal forma que em poucos anos cada pessoa deste planeta terá acesso a medicina de padrão mundial praticamente de graça.
IMPRESSÃO 3D: o preço da impressora 3D mais barata caiu de US$ 18.000 para US$ 400 em 10 anos. Neste mesmo intervalo, tornou-se 100 vezes mais rápida. Todas as maiores fábricas de sapatos começaram a imprimir sapatos 3D. Peças de reposição para aviões já são impressas em 3D em aeroportos remotos. A Estação Espacial tem agora uma impressora 3D que elimina a necessidade de se ter um monte de peças de reposição como era necessário anteriormente. No final deste ano, os novos smartphones terão capacidade de “scanear” em 3D. Você poderá então “scanear”o seu pé e imprimir sapatos perfeitos em sua casa. Na China, já imprimiram em 3D um edifício completo de escritórios de 6 andares. Lá por 2027, 10% de tudo que for produzido será impresso em 3D.

OPORTUNIDADES DE NEGÓCIOS: se pensa num nicho no qual gostaria de entrar, pergunte a si mesmo:

SERÁ QUE TEREMOS ISSO NO FUTURO?” e, se a resposta for SIM, como poderá fazer isso acontecer mais cedo? Se não funcionar com o seu telefone, ESQUEÇA a ideia. E qualquer ideia projectada para o sucesso no século XX estará fadada a falhar no século XXI.

TRABALHO: 70-80% dos empregos desaparecerão nos próximos 20 anos. Haverá uma porção de novos empregos, mas não está claro se haverá suficientes empregos novos em tempo tão exíguo.

AGRICULTURA: haverá um robô agricultor de US$ 100,00 no futuro. Agricultores do 3º mundo poderão tornar-se gerentes das suas terras ao invés de trabalhar nelas todos os dias. A AEROPONIA[2] necessitará de bem menos água. A primeira vitela produzida “in vitro” já está disponível e tornar-se-á mais barata que a vitela natural da vaca por volta do ano 2018. Actualmente, cerca de 30% de todos as superfícies agricultáveis são ocupadas por vacas. Imagine se tais espaços deixarem se ser usados desta forma. Há muitas iniciativas actuais de trazer proteína de insectos em breve para o mercado. Eles fornecem mais proteína que a carne. Deverá ser rotulada de FONTE ALTERNATIVA DE PROTEÍNA (porque muitas pessoas ainda rejeitam ideias de comer insectos).

Existe um aplicativo chamado “MOODIES” (estados de humor) que já é capaz de dizer em que estado de humor uma pessoa se encontra. Até 2020 haverá aplicativos que podem saber se, pelas suas expressões faciais, está a mentir. Imagine um debate político onde estiverem a mostrar quando as pessoas estão a dizer a verdade e quando não estão.

O BITCOIN (dinheiro virtual) pode vir a tornar-se dominante este ano e poderá até mesmo tornar-se numa moeda-reserva padrão.

LONGEVIDADE: actualmente, a esperança de vida aumenta uns 3 meses por ano. Há quatro anos, a esperança de vida costumava ser de 79 anos e agora é de 80 anos. O aumento em si também está a crescer e, por volta de 2036, haverá um aumento de mais de um ano em cada ano que passa. Assim possamos todos viver vidas longas, longas, possivelmente bem mais que 100 anos.

EDUCAÇÃO: os smartphones mais baratos já custam US$ 10,00 na África e na Ásia. Até 2020, 70% de todos os humanos terão um smartphone. Isso significa que cada um tem o mesmo acesso à educação de classe mundial. Cada criança poderá usar a academia KHAN para tudo o que uma criança aprende na escola nos países de Primeiro Mundo.


Texto composto a parir daqui e daqui.





[1] Tricorder é um dispositivo manual utilizado para digitalizar uma determinada área ou foco de interesse, interpretando e exibindo dados ao utilizador após uma varredura, com gravação isolinear de dados em chips.
[2] A aeroponia é uma técnica de cultivo que consiste essencialmente em manterem as plantas suspensas no ar, geralmente apoiadas pelo colo das raízes, e aspergindo-as com uma névoa ou com uma massa de gotículas de solução nutritiva. O sistema permite uma enorme economia de solução nutritiva, a qual chegará às raízes das plantas altamente oxigenadas. A aeroponia difere da hidroponia por não usar a água como substrato.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

DA MINHA CORRESPONDÊNCIA COM O EDUARDO (1)



[…] Gosto da Catarina Martins. Poderá, a muito breve trecho, vir a tornar-se uma boa líder política. Tem ideias (algumas bastante válidas) que podem ajudar – e ajudam – as boas práticas democráticas. É interessada e trabalhadora. Até agora, sempre vi nela uma pessoa honesta. Por isto e por muito mais, dou-lhe os parabéns pela sua eleição como coordenadora do BE. Parabéns à Catarina!

Mas, é bem verdade que a experiência da vida só se faz vivendo, tal como o caminhar só se faz caminhando. Todavia, porquê, neste momento, sobejamente incendiado pelo “Brexit”, onde as pessoas se sentem confusas e nem sabem para que lado se voltar, que aguardam que a poeira pouse para poderem ver algo, dizia eu, neste momento, porquê atirar gasolina para a fogueira...?

Não estou contra, nem a favor. Tento perceber o que se está a passar. Acho que foi, no mínimo, inoportuna a "ameaça" do referendo, em Portugal.

A Catarina tem ainda muito que amadurecer...!

O bom senso obriga a que não amedrontemos mais os portugueses. Para isso já existe a direita trauliteira e castigadora... […]


sexta-feira, 8 de abril de 2016

Causa Nossa: Um pouco mais de informação sff

Causa Nossa: Um pouco mais de informação sff: Os ativistas que alimentam a obsessão do Público contra o Acordo Ortográfico incorrem em erros básicos que somente a paixão pode justifica...



Uma pergunta simples, cuja resposta penso que seria esclarecedora: Em que data foi assinada essa convenção internacional que pressupunha a ratificação dos intervenientes? Para não falar nas metas que teriam de ser cumpridas para que o acordo tivesse eficácia...

quinta-feira, 10 de março de 2016

UM GAJO PORREIRINHO




Marcelo Rebelo de Sousa parece ser um Presidente, tipo “um gajo porreirinho”.

Afigura-se-me que ele quer agradar a toda a gente e contribuir para que este povo passe a ser um pouco mais alegre, embora continuando a ser pobre (!). Espero, todavia, que o Presidente não siga o exemplo do “patrão” do seu pai, para quem o “vinho dava de comer a um milhão de portugueses” – se calhar, a razão pela qual o povo era tão alegre e espevitado…!

Uma coisa é certa: Marcelo em nada se pode comparar com o seu antecessor, porque, esse, não se pode comparar com nada. Foi uma assombração que durou uma eternidade a atemorizar (depois da esperança adquirida em 25 de Abril de 1974) o povo português. Felizmente, acabou…!

Resta-me a esperança de que não tenha deixado nenhum vírus, em Belém.


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

O PERIGO DAS ATITUDES POPULISTAS




Apesar de reconhecer como válida a maioria das decisões assumidas pelo actual governo, penso que não devo ignorar a crítica ou o simples alerta dos perigos das intenções mal definidas, principalmente quando toca à educação – pilar da democracia e do desenvolvimento. Hoje mesmo, manifestei esta minha preocupação ao meu amigo Eduardo (ouvinte e leitor atento dos meus desabafos).

Voltamos à rotina, à repetição dos mesmos problemas, com as mesmas propostas de solução, os mesmos erros, à tentação de recorrer ao populismo... Agora, é o ministro da Educação. Com a ânsia de mostrar, rapidamente, serviço, atropela as mais elementares posturas de credibilidade – sem quaisquer estudos concretos (só mero princípio de intenções), anuncia a "escola a tempo inteiro" para os alunos, até ao 9.º ano. A intenção é boa (mas de boas intenções está o inferno cheio).

Como se faz, com que meios, quais as alternativas curriculares, haverá suporte válido para a extensão de horários (?), o que se propõe para a ocupação desse período; são questões que não se poderão ignorar. Será que existem estudos de avaliação pedagógica para este modelo?

Enfim, não é o facto de se vir a concretizar (e, até, com bons resultados), não. É, antes, a tentação de querer recuperar muito do que foi destruído e, querendo fazer melhor, incorrerem nos mesmos erros do passado. Acho que já basta de se brincar com a educação. É importante demais para não ser estudada... Pensem, primeiro.

É um desabafo...!


quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

David Justino, Ex-consultor para os Assuntos Sociais do actual Presidente da República



Dizer que na Educação não se deve mudar à pressa é uma banalidade com que todos concordamos, o problema em que durante os últimos quatro anos muita coisa mudou à pressa e sem qualquer reflexão, sem que David Justino tivesse reparado ou sentido a necessidade de criticar.

Quem esteve tanto tempo calado tem agora pouca autoridade moral para falar; quem se calou com as muitas medidas do pior ministro da Educação que passou pelo país deveria agora respeitar um período de nojo antes de se socorrer do estatuto suprapartidário de presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE) para tomar posições críticas em relação a um governo que, todos sabemos, não ser da sua preferência.

Compreende-se que o PSD e em particular os cavaquistas estejam desejosos de criticar este governo, mas face à realidade que o país tem vindo a conhecer, e que esteve encoberta até às eleições, deveria haver algum cuidado antes de tentar desviar as atenções para questões de lana-caprina, até porque os exames e matéria em que não há inovação, todos os pedagogos conhecem muito bem o seu papel e quando devem ser realizados.

Não é difícil de perceber que o verdadeiro líder da oposição não é Passos Coelho mas sim Cavaco Silva. [Fonte]

«O ex-ministro da Educação e presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), David Justino, critica a “febre” que existe de se estar sempre a revogar e a mudar tudo na educação e, em entrevista ao Diário de Notícias, sugere que as mudanças resultem de avaliações rigorosas.
Questionado sobre o projecto de resolução, apresentado pelo grupo parlamentar do PCP, que recomenda ao governo a suspensão imediata das metas curriculares no primeiro ciclo do ensino básico, David Justino respondeu que “a suspensão não resolve nada”.
O ex-governante admite que “as metas são um instrumento que deve ser alterado” pois “ninguém consegue fazer coisas logo na perfeição”. Mas, para tal, “tem de ser feita uma avaliação exaustiva e ver o que tem de ser melhorado. Estarmos só a suspender, já, não me parecer fazer sentido”, defendeu David Justino, acrescentando que “o processo deverá passar por uma comissão especializada que, junto das escolas, vá ver como essas metas estão a ser apropriadas, como estão a ser aplicadas e em que contextos”.» [Observador]



domingo, 6 de dezembro de 2015

SERVIR OU SERVIR-SE





Um indivíduo que, durante mais de quatro anos, enganou, mentiu, fez falsas promessas, manipulou informação, traiu a confiança dos portugueses e desrespeitou as funções para as quais tinha sido nomeado pode servir o povo no Parlamento...?

Claro que não! Seria impensável que tal acontecesse. Era farta vilanagem! Quem assim procedesse era, no mínimo, estúpido. Então não está mais que visto que, quem assim age não serve o povo e/ou os seus eleitores. Quem assim age não serve… serve-se do povo.



segunda-feira, 23 de novembro de 2015

FRAUDE ELEITORAL






«(…) Desde o dia 4 de Outubro que não param de sair notícias que desmentem a narrativa com que PSD e CDS se apresentaram a eleições. O Novo Banco, afinal, tem um buraco de 1,4 mil milhões de euros e tem de ser recapitalizado. A TAP, que ia ser privatizada, revelou-se uma espécie de PPP. O PIB, que estava a acelerar, estagnou. O emprego, que estava em franca recuperação, caiu. E a sobretaxa, que ia ser devolvida, já não vai ser. Fraude eleitoral é isto.

Durante vários meses, PSD e CDS tentaram passar a ideia de que a recuperação económica era tão evidente que o “contrato de confiança” que esses partidos haviam celebrado com os portugueses iria resultar numa devolução significativa da sobretaxa cobrada em 2015. Os dados conhecidos apontavam para uma devolução em torno dos 36%, mas houve quem sugerisse que a percentagem podia ser ainda mais elevada, sendo mesmo possível uma devolução total. A coligação PaF chegou a fazer cartazes a anunciar a bonança. Quem pusesse em causa o optimismo do Governo era acusado de estar em negação e de não se conformar com o sucesso das políticas seguidas.

(…)

Sendo hoje evidente que não haverá qualquer devolução da sobretaxa paga em 2015, PSD e CDS devem explicações aos portugueses. Depois de ouvir Passos Coelho na passada sexta-feira, parece que essas explicações vão respeitar a tradição dos últimos quatro anos: Passos não enganou ninguém, quanto muito foi enganado. Quem anda preocupado com alegadas fraudes eleitorais tem aqui muito com que se entreter.»


terça-feira, 27 de outubro de 2015

IMPRENSA INTERNACIONAL ARRASA DISCURSO DE CAVACO


RTP 27 Out, 2015, 10:22 | Eleições Legislativas 2015

|Rafael Marchante - Reuters

Portugal votou, Cavaco falou e o mundo reagiu. Depois da imprensa e dos comentadores nacionais, também lá fora se multiplicam as reacções ao discurso do Presidente. Das mais diversas proveniências, da esquerda à direita, o Presidente da República é trucidado por boa parte da imprensa internacional.

THE TELEGRAPH

À cabeça das publicações mais críticas encontra-se o conceituado diário britânico The Telegraph, primeiro com um artigo da autoria de Ambrose Evans-Pritchard, que começa por conceder: "O presidente Cavaco Silva pode ter razão ao calcular que um Governo socialista em aliança com os comunistas precipitaria um confronto de primeira grandeza com os mandarins da austeridade da UE".

O "monstro" que Bruxelas criou
Aquilo que classifica como "o grande plano de reflação keynesiana do sr. Costa", acrescenta Evans-Pritchard, seria "inteiramente incompatível" com os mandamentos austeritários vindos de Bruxelas.
Acontece que, ainda segundo Evans-Pritchard, "o demencial tratado orçamental obriga Portugal a cortar a dívida até 60 por cento do PIB nos próximos 20 anos numa permanente armadilha de austeridade, e a fazê-lo exactamente da mesma forma como toda a Europa do sul está a tentar fazê-lo, e tudo sobre um pano de fundo de poderosas forças deflacionárias à escala mundial".
E comenta: "A estratégia de combater o massivo fardo da dívida do país através de um permanente apertar do cinto é em larga medida auto-destrutiva, visto que o efeito de um PIB nominalmente estagnado agrava a dinâmica da crise".
O articulista considera que "Portugal vai precisar de uma reestruturação da dívida quando vier o próximo abanão global". E lembra que "não há qualquer hipótese de a Alemanha concordar com uma união fiscal europeia em tempo útil para impedir que isto aconteça".
À vista desta análise, não surpreende a conclusão política: "O sr. Cavaco Silva está realmente a usar o cargo para impor uma agenda política reaccionária, no interesse dos credores e do establishment da zona euro e travestindo tudo isto com assinalával Chutzpah [nota do tradutor: descaramento] como defesa da democracia".
A concluir, Evans-Pritchard nota que "os conservadores portugueses e os seus media comportam-se como se a esquerda não tivesse direito legítimo a assumir o poder, e devesse ser mantida ao largo por todos os meios. Estes reflexos são conhecidos – e arrepiantes – para qualquer pessoa familiarizada com a História ibérica do século XX, ou da América Latina". E mais adiante: "Bruxelas criou realmente um monstro".

Cavaco inventou "um papão"
Também no mesmo The Telegraph, um outro artigo de Mehreen Khan nota que o discurso de Cavaco excluiu do poder a aliança de esquerda e, portanto, "não admira que esta posição tenha reforçado a esquerda radical no país".
A autora lembra que, "até à eleição deste mês, Portugal era considerado excepcional na Europa mediterrânica pela evidente inexistência de um movimento populista anti-austeridade nos moldes de Podemos em Espanha, ou com a popularidade do Syriza na Grécia".
"O seu obediente Governo era considerado 'mais troika do que a troika' pela sua zelosa aplicação dos cortes draconianos na despesa e pelos aumentos de impostos num afã de agradar aos credores". "Ironicamente, muitos observadores notam que a aliança de esquerda do sr. Costa não é de modo nenhum o papão que foi pintado pelo presidente Cavaco Silva"
Agora, que a crise está declarada, sucede que, "ao contrário dos governos tecnocráticos na Itália e na Grécia, Bruxelas não tem as suas impressões digitais sobre a arma em Portugal". Isto porque, explica, a actual crise "é inteiramente fabricada pelas elites políticas [portuguesas]".
Entretanto, trata-se de uma crise que "tem profundas consequências para a democracia no resto da zona euro", como parece denunciar a nervosa reacção do presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, ao comentar que "não gosta" do que vê em Portugal".
A concluir, afirma Mehreen Khan que, "ironicamente, muitos observadores notam que a aliança de esquerda do sr. Costa não é de modo nenhum o papão que foi pintado pelo presidente Cavaco Silva. Mas a intransigência dele bem poderá desencadear precisamente o tipo de forças anti-UE que supostamente lhe tiram o sono".

LA TRIBUNE

"Jogo perigoso"
Na versão francófona do diário multinacional La Tribune, Romaric Godin, comenta que "o cálculo do presidente da República pode parecer de vistas curtas", mas, na verdade, "visa ganhar tempo para permitir uma dissolução do parlamento logo que seja possível, ou seja, seis meses depois da eleição presidencial prevista para Janeiro".
Esta atitude mostra que "a direita portuguesa tenta contornar a votação de 4 de Outubro instrumentalizando o euro e a UE. Ao fazer da moção de rejeição um voto por ou contra o euro, o inquilino do Palácio de Belém tenta dar à direita a maioria que as urnas não lhe deram". E este jogo, "a médio prazo, parece muito perigoso".

TAGESSPIEGEL

O presidente menos querido de sempre
No diário conservador alemão Tagesspiegel, Elisa Simantke considera que "uma coisa é certa: seja como for que a luta pelo poder agora desencadeada em Portugal venha a resolver-se, o presidente Aníbal Cavaco Silva só pode perder. Já hoje o septuagenário de 76 anos é o presidente da República menos estimado que Portugal alguma vez teve". E contrasta esta cordial detestação do presidente com as taxas de popularidade que, considera, tinha nos anos 80 e 90 o Cavaco primeiro-ministro.
Entre os motivos para a antipatia por Cavaco Silva, cita a autora o modo "como ele fundamentou a sua decisão [de reconduzir Passos Coelho]. Disse ele que um Governo em aliança com forças anti-troika põe em perigo a 'segurança nacional', quando é de importância vital a colaboração com os investidores".

HUFFINGTON POST

Um ataque à democracia
Na imprensa norte-americana, destaca-se o artigo de Daniel Marans, no Huffington Post, ao fazer notar como "o dilema colocado na ordem do dia em Portugal mostra como as imposições económicas da zona euro minam o empenhamento na democracia".
E cita o historiador António Costa Pinto, apoiante declarado da coligação encabeçada por Passos Coelho, que no entanto declarou àquele jornal norte-americano o seu repúdio pela tentativa de Cavaco Silva para ostracizar os partidos de esquerda.
Segundo Costa Pinto, "o presidente não pode excluir da democracia portuguesa dois partidos – o Bloco de Esquerda e dos comunistas – que representam um milhão de eleitores e 20 por cento do eleitorado português".

MARIANNE

"Golpe de Estado silencioso"
Um golpe de Estado. Silencioso, mas um golpe de Estado. É a expressão usada pelo economista Jacques Sapir num artigo de opinião publicado no site da revista francesa Marianne. Sapir censura a decisão de Cavaco Silva mas concentra críticas na “antidemocrática” União Europeia.
O economista começa por defender que é falsa a ideia de que a coligação Portugal à Frente venceu as eleições, uma vez que “uma maioria dos eleitores portugueses votou contra as medidas de austeridade”. “Qualquer outra decisão assemelha-se a um acto inconstitucional, um ‘golpe de Estado’ ”.
O economista aponta que o Presidente da República “não tem o poder de interpretar as intenções futuras para se opor à vontade dos eleitores” e que, a ser apresentado um acordo para um executivo de esquerda, Cavaco “deve dar-lhe uma oportunidade”. “Qualquer outra decisão assemelha-se a um acto inconstitucional, um ‘golpe de Estado’”, aponta Sapir.
O ensaísta justifica a decisão de Cavaco Silva em rejeitar uma coligação de esquerda pelo receio de entrar em “confronto” com a União Europeia e o Eurogrupo. Jacques Sapir compara mesmo a actual situação ao impasse grego que marcou o último ano e culminou com a assinatura do terceiro resgate.
O economista rejeita que Portugal seja a prova de que a austeridade resulta, apontando para o crescimento “muito precário” da economia e para os números do défice, da dívida pública e da taxa de desemprego. A culpa, defende Sapir, é da pouca produtividade do trabalho, cimentada numa mão-de-obra “mal ou pouco qualificada” e na falta de investimento.
Nas décadas de 1980 e 1990, Portugal conseguiu acomodar a sua baixa produtividade com a desvalorização da moeda. Desde 1999 e com a entrada no euro, isto é impossível”, ressalva, voltando a apontar armas à moeda e às instituições europeias.
A responsabilidade do euro na situação económica de Portugal é inegável. Mas a responsabilidade das autoridades europeias no caos económica e político que poderá ocorrer é igualmente certa”.


quarta-feira, 21 de outubro de 2015

O COSTA DO EXPRESSO


Diz o povo, na sua ancestral sabedoria, “pelo andar da carruagem se vê quem lá vai dentro”; assim se vê, pelo seu director e pela formam como se comportam os seus responsáveis (salvo raríssimas e honrosas excepções), o tipo de informação produzida num órgão de comunicação.

O Aspirina B retrata bem quem é o Costa do Expresso…

O Costa do Expresso, que já foi o Costa da SIC (e ainda é), não está assim porque foi contaminado por esta onda de direita, nem somente deixou cair a máscara… O Costa do expresso está em missão, está a servir. Só não sabemos a quem, nem a troco de quê…




segunda-feira, 19 de outubro de 2015

CARTA ABERTA AO PRESIDENTE DE ANGOLA



ALÍPIO DE FREITAS, hoje um cidadão do mundo, nasceu no Nordeste de Portugal, na cidade de Bragança. Ordenou-se sacerdote em 1953. Emigrou para o Brasil em 1957. Foi professor de História e Filosofia da Universidade do Maranhão. Jornalista. Vigário de subúrbio. Assistente da Juventude Operária Católica e da Acção Católica Operária. Participou da organização do movimento camponês no Norte e Nordeste do Brasil. Foi membro do Secretariado Nacional das Ligas Camponesas. Em 1962, por questões político-ideológicas, desligou-se da Igreja. Sequestrado no Recife (1962) e preso em João Pessoa (1963), respondeu a dois IPMs por causa da sua actividade política junto aos camponeses. Em 1964 foi, como exilado político, para o México. Regressou clandestinamente ao Brasil e participou da organização e deflagração da luta armada contra o regime militar. Em meados de 1970, foi preso pelo DOl-CODl/RJ. Sobreviveu à tortura e à prisão. Em Fevereiro de 1979, depois de ter cumprido as condenações impostas pela Justiça Militar, recuperou a liberdade.

Escreveu o livro RESISTIR É PRECISO que, como ele próprio escreveu, é o testemunho de um militante político que sobreviveu à tortura e à prisão, [que] é a denúncia de um tempo em que os falsos pressupostos de uma doutrina, chamada de segurança nacional, se cravaram como garras no corpo social da nação, dilacerando-a bárbara e impunemente.

RESISTIR É PRECISO é a afirmação de que se alguém está disposto a morrer por aquilo em que acredita, pode ser triturado pela máquina do terror, que a sua condição de homem sobrevive, pois todo o homem pode manter-se VIVO enquanto resistir.

RESISTIR É PRECISO é um libelo contra a opressão como forma de vida política, contra o silêncio das mordaças, contra todos os processos de aviltamento do homem, contra a corrupção ideológica erigida em serviço da comunidade.

RESISTIR É PRECISO é a constatação de como o arbítrio avilta os homens e as instituições, corrompendo-os pelo abuso do poder…

Este lutador escreveu uma carta aberta a José Eduardo dos Santos. Todos serão poucos para fazer chegar esta carta ao seu destino. Por isso publico, na expectativa de chegar a Eduardo dos Santo. Ei-la:

Carta aberta ao Presidente de Angola

Senhor Presidente:
Ao mandar prender Luaty Beirão e os 14 ativistas, que estão até agora encarcerados sem culpa formada, não devia saber que um homem se quiser pode resistir e sobreviver vitoriosamente a qualquer forma de opressão.

Não devia saber porque se esqueceu. Esqueceu que já foi jovem, que já lutou por ideais. Ideais de liberdade de democracia e bem-estar social. Esqueceu tudo porque infelizmente o seu país é o exemplo contrário de tudo isto. É uma ditadura cruel, um valhacouto de ladrões, uma associação de interesses mesquinhos, melhor dizendo, um país sem povo. Quem lho afirma é alguém que durante dez anos esteve preso, sobreviveu às greves de fome e à tortura. Esta é a afirmação de um homem que esteve disposto a morrer por aquilo em que acreditava. E digo-lhe que um homem pode ser triturado pela máquina do terror que a sua condição de homem sobrevive, pois todo o homem pode manter-se vivo enquanto resistir.

A luta dos jovens angolanos é um libelo contra a opressão como forma de vida política, contra o silêncio das mordaças, contra todos os processos de aviltamento dos seres humanos, contra a corrupção ideológica. A luta dos jovens angolanos é a constatação de como o arbítrio avilta os indivíduos e as instituições, corrompendo-os pelo abuso do poder, pela falsa certeza da impunidade, pela imposição imoral de uma vontade sem limites, pelo silêncio indigno, pela conivência criminosa, pela omissão filha do medo, em que o silêncio do terror tem que ser aceito como paz social.

Se me atrevo a dizer-lhe tudo isto é porque Angola fez parte do meu ideário político e das minhas preocupações revolucionárias e muitos revolucionários angolanos foram meus amigos. Quando parti de Portugal para o Brasil devia ter partido para Angola, mas já nesse tempo as condições da minha ida não foram possíveis, devido às minhas ligações com a resistência angolana. No Brasil, colaborei com a resistência angolana e fui seguindo os seus passos como pude a té porque eu já estava umbilicalmente ligado à resistência brasileira. Mesmo assim, à minha única filha, coloquei o nome de Luanda.

Senhor Presidente, é tempo de não se deixar enredar por intrigas palacianas, por intrigantes gananciosos, por saqueadores de todo o tipo. Quando esse saque acabar o único responsável será o senhor. Se tiver ainda um momento de reflexão possível recorde-se dos seus tempos de jovem quando a revolução do seu país lhe ocupava a sua força, a sua inteligência e todas as suas capacidades. O tempo em que provavelmente era feliz.

Como sabe, o poder tanto pode chegar aos que dele abusarão como àqueles que o usarão com legitimidade a favor dos seus povos. Mas só os poderosos podem ser magnânimos, cometer actos que aos outros mortais não são possíveis Tem agora tempo de ser magnânimo: retire os presos da prisão, ouça-os e depois peça-lhes desculpa. Eles merecem.

Lisboa, 18 de Outubro de 2015

Alípio de Freitas