sexta-feira, 17 de junho de 2011

Novo Governo


Li há um pouco (cerca de 10 minutos) a constituição do novo governo; pelo menos os nomes dos ministros (e as respectivas pastas) e de dois secretários de estado com funções de ministros. Bem, não eram dez, nem onze… É melhor esperar pela constituição completa do governo para ver.
Eis a lista já conhecida:

Primeiro-ministro - Pedro Passos Coelho
Ministro Negócios Estrangeiros - Paulo Portas
Ministro das Finanças - Vítor Gaspar
Ministro da Economia - Álvaro Santos Pereira
Ministro da Educação - Nuno Crato
Ministro da Saúde - Paulo Macedo
Ministro da Segurança Social - Pedro Mota Soares
Ministro da Agricultura, Ambiente e Território - Assunção Cristas
Ministro da Defesa - Aguiar Branco
Ministro da Justiça - Paula Teixeira da Cruz
Ministro da Administração Interna - Miguel Macedo
Ministro dos Assuntos Parlamentares - Miguel Relvas
Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros - Marques Guedes
Secretário de Estado adjunto do PM - Carlos Moedas

Já li e reli, mas não encontro o ministro do trabalho. Será que já não é necessário…? Ou o trabalho, a breve trecho, irá acabar…?

Genialidade


Pedro Passos Coelho, no encerramento do fórum de discussão “Mais Sociedade”, em 30 de Abril de 2011, garantiu que “não será necessário em Portugal cortar mais salários nem despedir gente para poder cumprir um programa de saneamento financeiro”. Por outro lado, garante que “quer reduzir em pelo menos 50% o número de organismos do Estado ao longo dos próximos quatro anos”.
Depois de muito pensar nestas duas proposições, fez-se-me luz e percebi a genialidade deste homem – que deve ser um “senhor”: Para cumprir a sua palavra, relativamente às suas duas afirmações anteriores, vai oferecer a cada um dos trabalhadores dos organismos do Estado que irá encerrar, para não ficarem no desemprego, uma enxada, para que estes se dediquem à agricultura e valorizem o País, como defende o Sr. Presidente. Como não quer despedir ninguém e, muito naturalmente, as pessoas que ficarem nesta situação (de enxada na mão) não percebem nada de agricultura, demitem-se. Desta forma, não dispensa ninguém e valoriza a agricultura; se as pessoas não querem trabalhar, é lá com elas…

quinta-feira, 16 de junho de 2011

A Revolução do Amor


Em tempos escrevi este texto. Hoje, ao relê-lo, penso que está cada vez mais actual. Eis por que o publico.

Por um lado, a insegurança do homem, e, por outro, a cobiça e a inveja do seu semelhante levou a humanidade a tornar-se uma gestora de ódios. Alguns homens mais justos, numa tentativa de controlarem o mal disseminado, projectaram e construíram a imagem de um Deus justiceiro, castigador, feroz, intolerante e amedrontador. Foi esta a imagem de Deus que foi mostrada no Antigo Testamento.
Todavia, o redentor repõe a verdadeira face de Deus. A sua mensagem – a mensagem cristã – pode traduzir-se, quase única e exclusivamente, na revelação do Amor. Que Deus é Amor. E esta revelação é, de facto, uma verdadeira revolução.
Quando me refiro à mensagem cristã, não me refiro às instituições que se intitulam fiéis depositárias da verdade religiosa ou da mensagem de Cristo. Não! Cristo não criou uma organização “gestora dos sãos princípios” que, até há bem pouco tempo, vendia “a salvação” a troco de dinheiro ou de outros quaisquer favores menos claros, que faz regras “divinas” para controlar a humanidade, que filtra a “própria vontade de Deus”, que tem o “dom de condenar ou perdoar” – “fazer justiça”. Não…! A Sua mensagem foi transmitida aos humildes e exemplificada com alegorias próprias da época. Não condenou, não julgou, não impôs as suas regras – deu-se, como quem recebe. Nem mesmo, quando confrontado com solicitações armadilhadas, hostilizou – “Quem nunca pecou que lhe atire a primeira pedra…” referindo-se à mulher adúltera. Isto é, sejamos tolerantes.
O Amor é, pois, a grande revolução da humanidade. Esta ainda não está concluída. As suas armas – bem poderosas – são a tolerância e o respeito pelos outros.
Abracemos a Revolução!

domingo, 20 de junho de 2010

É preciso descaramento para tamanho desaforo

O Presidente da República desvalorizou hoje "alguma polémica estéril" gerada em torno da sua actuação em relação à morte de José Saramago, garantindo ter feito o que lhe competia como chefe de Estado.

Em declarações aos jornalistas na ilha de S. Miguel, Cavaco teceu as seguintes considerações: "o que um chefe de Estado deve fazer é diferente daquilo que deve ser feito pelos amigos ou deve ser feito pelos conhecidos. Devo dizer que nunca tive o privilégio na minha vida, se me recordo, de alguma vez conhecer ou encontrar José Saramago", declarou o Presidente da República.

De facto, penso que o Senhor Presidente não deve ter conhecido cerca de 10 000 000 (dez milhões) de portugueses, para além de José Saramago, ou de se ter encontrado com um número semelhante de portugueses.

Eu, também não…! E, se calhar, os milhares de portugueses que prestaram homenagem a José Saramago não conhecem nem encontraram tanta gente nas suas vidas como Sua Exa. o Senhor Presidente já encontrou e conhece.

Lastimo que, até ao dia 17 de Junho de 2010 (dia da morte de Saramago), não tivesse aparecido uma alma caridosa que tivesse proporcionado ao Senhor Presidente o privilégio de conhecer o mais ilustre escritor português contemporâneo – Prémio Nobel da literatura, em 1998 –, nem sequer um seu colega, chefe de estado, o fez, embora José Saramago fosse conhecido, se não de todos (pois, creio que deve haver ainda alguns iguais ao nosso), pelo menos da esmagadora maioria.

Ou será que o nosso presidente não conhecia José Saramago, porque este vivia ou passava a maior parte dos seus últimos tempos em Lanzarote, Espanha? Será que um presidente de Portugal já não pode ser, também, presidente de um português que viva no estrangeiro? E, mesmo que seja o maior vulto da cultura portuguesa, não o pode reconhecer, exactamente porque não vive em solo pátrio?

É certo que José Saramago não gostava de Cavaco Silva; é também certo que o presidente não foi eleito por todos os portugueses, embora seja presidente de todos eles (mal grado meu), isto é, dos que votaram nele e dos que não votaram, daqueles de quem gostava e dos que não gostava; excepto de José Saramago: não porque gostasse ou odiasse, mas porque desconhecia.

É triste, mas não sei… Ou será que, tão-somente, o seu conhecimento está totalmente preenchido por Sousa Lara…?

Ainda bem que Fernando Pessoa, Camões, Eça e tantos outros eram amigos de Sousa Lara!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

A teoria da conspiração

Governar, em democracia, é o exercício do poder do povo, delegado num seu representante. Este poder pode ser condicionado, parcial, relativo ou quase absoluto (quando a maioria é quase total, o que, felizmente, em Portugal, nunca aconteceu; há sempre uma relatividade); todavia, sê-lo-á enquanto o povo – e só o povo –, o permitir.

O povo elege o Presidente da República e, neste caso, sempre com maioria absoluta dos votantes (isto é, daqueles que querem participar na gestão dos seus interesses). O mesmo povo elege o Parlamento – O Poder Legislativo –, na proporção que a sua sabedoria o entende. Este mesmo povo sabe que é desse Parlamento que sairá a constituição do Governo – o Poder Executivo – e de tal maneira o sabe que as campanhas eleitorais são definidas, na maior parte das vezes, em função da escolha da competência do futuro Primeiro-ministro.

Dos quatro poderes constituídos na nossa democracia, três são eleitos, directa ou indirectamente. São eles:

Presidente da República – O mais alto representante da Nação, o garante das instituições;

O Parlamento – o Poder Legislativo, de cuja votação sai a escolha do Primeiro-ministro que formará

O Governo – o Poder Executivo.

Embora não querendo referir-me a ele, nesta crónica, especificamente (porque não é objectivo deste documento), não posso deixar de mencionar o 3º Poder Constitucional – O Poder Judicial – que não está sujeito ao escrutínio do Povo.

Todavia, embora fundamental para a vida de uma sociedade democrática, existe um outro poder não eleito – a Comunicação Social –, o poder da Informação. Este poder é vital para garantir a sanidade da democracia; mas, quando manipulado, adulterado, conspurcado com a falta de ética e destituído de honra, torna-se numa das mais perniciosas armas de destruição das democracias. Mais, ainda: é em momentos de crise, resultante da vulnerabilidade do homem, e não do jornalista, que a utilização de falsos profissionais (pois entendo que não há maus profissionais – ou há profissionais com honra, coragem e ética, ou, simplesmente, não há profissionais) põem em perigo e minam a democracia, tentando desacreditá-la ou anunciando falsos salvadores.

Exemplo de alguns falsos jornalistas poder-se-á encontrar naqueles que, por tanto apregoarem uma ideia, uma teoria, um conceito ou uma ideologia que lhes foi passada a troco de regalias sociais, financeiras ou outras, se tornam seus arautos, evangelizadores e, inconscientemente, seus seguidores – os emissários da mentira. Todos e cada um de nós conhecemos exemplos personificados desses emissários, não é necessário fazer uma lista.

Tentando contrariar este meu sentir pela classe jornalística (quase acredito – em extinção), têm-me tentado justificar os seus comportamentos com:

I. “…são miúdos novos, inexperientes, a quem os põem a tratar assuntos, para os quais não estavam preparados…”;

II. “…eh pá, não há dinheiro para pagar a jornalistas mais experientes…”;

III. “…têm de fazer o que lhes mandam, senão… sabe como é… desemprego… etc. …”;

Mas, porra…! Eu sou do tempo…

Esqueci-me de dizer, metade da minha vida foi passada no anterior regime, combatendo-o e lutando pela liberdade. Nesse tempo, havia muitos falsos profissionais, mas havia jornalistas. Estes, os jornalistas (que não os falsos profissionais), se ainda vivos, devem sentir uma revolta e uma frustração tão grande; questionar-se-ão, como eu o faço muitas vezes: “o que aconteceu, que não conseguimos deixar as sementes da dignidade, da honra, da coragem e da ética?” …

É legítimo pensar (pelo menos, julgo que uma pessoa, em Portugal, ainda pode pensar, sem que este acto seja considerado crime) que os órgãos de comunicação não estão, directa ou indirectamente, dependentes do Eng.º José Sócrates.

Porquê? – É simples:

1. Só um masoquista, tendo possibilidade para o impedir, permitiria que, diária e sistematicamente, fosse massacrado com as atoardas como aquelas de que José Sócrates é vítima; estas difamações e calúnias com que é presenteado constantemente e, mais intensamente, nos momentos mais críticos, vão desde a rotulagem de homossexual, corrupto, vigarista, etc., até à de conspirador contra o estado… A baixeza das acusações de que é vítima é notória. Penso que o Primeiro-ministro não é masoquista; logo, caso controlasse a comunicação social, como dizem, não permitiria tal estado de coisas.

2. Somente um fundamentalista religioso ou pacifista imperfeito, tendo capacidade para o conter, aceitaria de bom grado ser enxovalhado e agredido, quase diariamente, nos órgãos de comunicação social. Como é do domínio público, José Sócrates não é fundamentalista religioso (daqueles que “quando vos baterem numa face, oferecei a outra…”), nem tampouco pacifista (ele gosta de lutar pela sua honra, e julgo que é um direito inalienável que lhe assiste; a ele e a todos nós). Se assim é, por que motivo, caso fosse um influente manipulador dos Órgão de Comunicação, consentiria nas permanentes e desgastantes campanhas orquestradas contra ele.

Por favor, parem e pensem: – Quem são o verdadeiros e genuínos donos dos órgãos de informação?

Vejam a diferença entre jornais e revistas que são propriedade do Sr. Fulano. Porque escrevem e notificam estes e aqueles assuntos? Que diferenças existem entre o jornal tal e aquele outro?

De uma coisa tenho a certeza: – Nenhum proprietário de Órgão de Informação, nenhuma Personalidade Influente num órgão de informação nem nenhum Poderoso da Comunicação Social fala mal de si, nem contra si próprio. Porque o faria o Eng.º José Sócrates?

Conquanto não necessite justificar-me, quero esclarecer que não sou amigo do Engenheiro José Sócrates nem sou filiado no Partido Socialista, embora os respeite.

Se, por acaso ou simples presunção minha, alguém pretender rotular-me, façam-no com justiça e atribuam-me uma correcta classificação – Lutador anti-fascista e pela Liberdade.