O país conseguiu provar que era possível reequilibrar as
contas do Estado sem a experiência inovadora da desvalorização fiscal combinada
com o empobrecimento dos trabalhadores e a destruição da classe média?
Conseguiu e a culpa foi do Centeno, o diabo não apareceu, Passos Coelho pode
cumprir a promessa de votar no PS se conseguisse tal feito e a Maria Luís pode
regressar à escola primária para fazer a disciplina de aritmética.
Os portugueses podem ter um ano tranquilo, sem tarados a
explicarem desvios colossais, sem um primeiro-ministro a usar a troika para os
chantagear, sem as palermices do Paulo Portas? O país percebeu que se pode
viver sem médio da troika e do Eurogrupo, que se pode planear a vida sem receio
de que Passos lhe tire metade do próximo ordenado ou que decida que só vai
receber salário mês sim, mês não. E a culpa foi do Centeno.
O país pode viver tranquilamente, com estabilidade fiscal, sem
a necessidade de planos B, C e D, sem ser necessários sucessivos orçamentos
rectificativos? Pode e deve isso a Centeno, acabaram-se as paranóias do Passos,
a incompetência da Maria Luís e os livros brancos do Paulo Portas.
É possível um ministro das Finanças rigoroso e competente
dialogar com o BE ou com o PCP, fazendo aprovar orçamentos de forma quase
tranquila? É e a culpa é do Centeno, foi graças a ele que o parlamento aprovou
dois orçamentos, algo que a direita nunca imaginou ser possível.
É possível gerir altos níveis de austeridade, melhorar os
rendimentos, evitar a recessão e conseguir que os portugueses estejam
optimistas, como se não se via há muitos anos? É e a culpa é do Centeno, os
portugueses confiam na sua competência, no seu rigor, na sua capacidade negocial
interna e externa e na sua palavra.
São demasiadas culpas para um ministro, ainda por cima alguém
se qualquer experiência politica, que ainda não domina os truques de linguagem
palaciana de uma seita política formada nas juventudes partidárias, gente para
quem é melhor andar a roçar o cu pelas cadeiras e depois ir tirar um curso de
canalhice a Castelo de Vide, do que queimar as pestanas com um doutoramento nas
melhores universidades do mundo, onde, aliás, pouco mais poderiam fazer do que
serem jardineiros.
É por isso que querem destruir Centeno a qualquer custo, é por
isso que vale tudo e até se servem de um maluquinho vingativo e sem princípios,
que pede a um qualquer Don Corleone que divulgue as mensagens SMS que recebeu
no quadro de uma relação de confiança e lealdade. O problema é que os
portugueses não são parvos e esta sanha de ódio pode ter o resultado contrário
ao esperado. Centeno é o melhor ministro deste governo e aquele que mais é
apreciado pelos portugueses.
A manobra é tão evidente e de tão baixo nível que a direita
pode vir a pagar um preço muito elevado pela institucionalização da canalhice.
O desespero de Passos Coelho está a conduzi-lo para um beco sem saída.
1 comentário:
Embora seja verdade o que se disse sobre Centeno e a direita, o facto é que as coisas não são assim tão simples. Antes fossem. Aquele descanso de que fala o texto é ilusório: "Naquele engano d'alma que a Fortuna não deixa durar muito..."
É que vem aí o CETA, o tratado com o Canadá já para Abril. Isso significa que as grandes corporações vão obrigar o governo (este ou outro) a fazer o que elas quiserem (literalmente). Então a zona de conforto acaba quase antes de começar. OU boicotamos o acordo ou seremos esmagados por ele. O que preferem??????
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